Escrito por Pablo Morenno às 18h22
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Texto produzido na oficina Pro Ler Caxias
OFICINA DO PROLER: 09/10/2009
9 - Crônica: O perdurar do efêmero - Pablo Morenno
( Motivação: Na lixeira do prédio há um guardanapo, um pedaço de bolo, uma coca-cola pela metade e um copo plástico que foram deixados ao final de uma festa)
O homem saiu de casa às onze da noite. Em ponto. Estava decidido a arrombar a primeira loja que encontrasse. Uma joalheria seria um pouco arriscado. Sempre tem alarme.
Ao longe, podia escutar a sirene do carro de polícia. Não se intimidou. Seguiu pela rua principal e, na próxima quadra, chegaria à rua da padaria.
No seu pensamento ainda trepidavam os gritos do filho de dois anos e da esposa, raivosa ao descobrir que o dinheiro do trabalho da semana inteira tinha virado pó. E branco. A criança também gritava, mas de fome. Não sabia quando tinham comido pela última vez. E nem queria saber.
À frente do prédio dos “marajás” se deparou com um altar. O guardanapo tinha um canto de renda desfiado. Sobre ele, pousava um prato de plástico com um convidativo bolo de chocolate. Uma cereja sobre ele. Uma garrafa pet de Coca-Cola, pela metade, acompanhava o doce. , ao lado dela, um copo plástico aguardava para ser usado.
Procurou no bolso algo que servisse de talher, mas sua mão tocou o metal gelado de um revólver que tinha recebido em pagamento da droga vendida..
A festa do prédio havia terminado. A sua não aconteceria. Tinha decidido, em algum momento entre o sair de casa e acender do cigarro, que usaria aquela bala para adoçar sua angústia e acabar com as cobranças da mulher e do filho.
Acariciou a arma e tirou a mão do bolso, tentando entender por que resolvera arrombar uma loja ou assaltar algum solitário que se atrevesse a sair àquela hora.
Olhou o bolo que agora seria seu. Deveria cantar parabéns para si mesmo?
Num segundo, a luz dos faróis de um carro iluminou o rosto sem expressão. Ensaiou uma fuga. Percebeu que não chegaria a lugar algum. Tomou a decisão mais difícil: recolheu o bolo e o refrigerante. Embrulhou a arma no pano branco e jogou na lixeira.
Voltou para casa quase sem tocar o chão, torcendo para que o recebessem com aquele sorriso de quem ganha uma festa de aniversário surpresa.
Maristela Facchin Dall’alba
Escrito por Pablo Morenno às 18h16
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Caxias do Sul
Feira do Livro de Caxias do Sul – Pro Ler
De quinta a sábado, últimos, estive em Caxias do Sul, durante a Feira do Livro da cidade. Participei, mas especificamente, ministrando uma oficina sobre a crônica no Pro Ler. A experiência foi ótima. Era meu teste na estrutura de oficina. Sempre falei sobre crônica, havia montado uma oficina, mas nunca havia provado o formato. E foi ótimo.
Iniciamos o trabalho falando dos fazeres humanos: técnica e arte.
Depois situamos a literatura como arte e, depois, a crônica como literatura. O segundo momento foi de leitura dirigida de algumas crônicas utilizando ferramentas de uma leitura crítica.
Por fim, os participantes foram convidados a escrever um texto partindo de uma situação por mim relatada.
Trabalhei com dois grupos na sexta-feira, manhã e tarde. Os dois grupos eram formados por pessoas já amadurecidas no exercício da leitura, simpáticas, afáveis. Colaboraram com a proposta, e me fizeram sentir em casa. Obrigado a todos Na quinta à noite foi a abertura, com palestra de Roger Mello. No sábado pela manhã, encerramento com todos os oficineiros.
Abaixo algumas fotos e, acima, um texto produzido por uma oficinanda.






Escrito por Pablo Morenno às 18h12
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