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YOU ARE NOT ALONE...
A MORTE DE PETER PAN Conforme diziam os jornais, o corpo de Michael Jackson deveria ter sido levado na última quinta-feira para Neverland. Deveria ter sido, eu falei, porque este post é feito na noite de terça. Portanto, não tenho certeza se realmente o previsto acontecerá. O que eu sei, de certeza, é que a televisão e os jornais contaram uma mentira. Não me refiro ao velório de Michael na Terra-do-Nunca. Também não é a mentira a que me refiro, o fato de Peter-Pan ter morrido, e não era assim a história. A mentira é outra, muito pior. De acordo com informações da rede de TV norte-americana CNN, o funeral de Michael Jackson, reservado apenas aos famíliares e amigos do cantor, acontecerá no próximo domingo. Esta notícia está estampada na Folha de São Paulo e a mentira está aí, sub-repticiamente. Michael morreu com milhares de fãs. A sua estrela da fama em Hollywood e outros tantos lugares viraram uma repentina Meca. Fãs se escabelaram, choraram, levaram flores, lamentaram a morte de um indiscutível talento. Michael se empanturrou de remédios, como já se sabe, e não havia amigos para lhe dizer “páre aí mano, deixa disso”, nem familiares para lhe dizer “filho, quem sabe o caminho melhor não seja por aí”. Michael Jackson agonizava enquanto em algum lugar do mundo alguém ouvia “you are not alone”. Fãs, com se sabe, não é difícil arrumar. Basta ter um pouco de fama e já aparecem interessados. Michel tinha fãs no mundo todo, mas no momento de sua morte estava só. James Matthew Barrie inventou Peter Pan quando contava histórias aos filhos da sua amiga Sylvia Llewelyn Davies. Contar histórias para crianças ajuda na adaptação às crueldades do mundo adulto. O pai de Michael Jackson, pelo que se sabe, nunca foi de contar histórias para os filhos. Melhor tirar proveito deles. Por isso, nem bem esfriava o corpo do mais famoso, anunciou sua gravadora. Sétimo filho de uma família com nove irmãos, mais pai e mãe, Michael marchou a passos apressados para a própria ruína. E não havia ninguém a seu lado para dizer que aquela estrada levava à morte. Michael Jackson morreu na solidão pensando ser Peter Pan. Fora essa mentira que ele contava a si próprio, a imprensa inventou uma outra quanto a seu funeral deste domingo: Michael não tem amigos nem familiares. Ao menos dos verdadeiros. Michael tem apenas fãs. E estes, na segunda-feira depois do enterro, partirão para a busca de outro ídolo imortal. Pablo Morenno
Escrito por Pablo Morenno às 22h22
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Blog
Hoje de tarde saímos, Dani e eu, para comprarmos floreiras para a janela da cozinha. Nem sempre as floriculturas estão abertas em domingos, mas tem uma na saída de Passo Fundo para Soledade que estava hoje. Estávamos lá quando apareceu a professora Maria Isabel que está fazendo um trabalho sobre meu livro no Colégio Tiradentes. Essa professora é extremamente criativa e já tinha trabalhado meu livro no colégio Fagundes dos Reis. Ficamos papeando na floricultura, falando inclusive de uma crônica que escrevi faz pouco, de uma flor que nasce inesperadamente. Fico feliz quando acontece de poder falar de literatura, meus textos, a vida, etc. Afinal, tudo é tão efêmero. E falar de literatura numa floricultura não tem melhor lugar. Outro acontecimento inesperado foi encontrar um blog sobre meu livro. E eu nem sabia que existia. O endereço é http://www.janelasdevidro.blogger.com.br/. Eu estava procurando uma crônica minha que perdi e, sem querer, achei esse blog de uma aluna lá de Santa Cruz do Sul. Fiquei muito feliz, ganhei o domingo. Nâo sabia que tinha leitores tão dedicados. Ela assina Cary Immig. Gostei ainda mais do videozinho que ela fez da crônica SOBRE CACOS DE VIDRO. São esses dois acontecimentos que queria compartir com meus leitores. Enquanto meu livro FLOR DE GUERNICA encontra-se no prelo, foram dois motivos para que eu continue escrevendo literatura. Um bom domingo. Ah, a crônica que eu perdi, não lembro o título, mas nela eu diferencio Paciência de Tolerância. Publiquei no Jornal O Nacional faz algum tempo e não encontrei mais no meu computador. Se alguém tiver, por favor me mande.
Escrito por Pablo Morenno às 19h55
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COMO ERRAR MENOS À vitrine de uma loja de pequenos animais, observo o casal e seu filho escolhendo um bichinho para comprar. Estes pais que presenteiam suas crianças com um animalzinho de estimação são gente impregnada de boas intenções. Um ser vivo e não humano, dentro de casa, pode ser um companheiro para o filho ou a filha, ajuda a desenvolver o cuidado, a afetividade melhora e, ainda, amarra desde a infância um laço de respeito à natureza. Quem gostou de uma tartaruguinha jamais vai comê-la na sopa! Mas pais, mesmo cheio de boas intenções, são seres errantes. Falo “errante” não só porque vagueiam preocupados em bem educar os filhos. Falo “errante”, também, porque erram acertando. Para completar, com o tempo, os filhos acabam achando os erros dos pais grandes acertos. Prova cabal de que a humanidade escreve sua história tentando discernir o certo do errado e fazendo perguntas sobre um e outro. Apenas um pai muito doidão, ao comprar um mascote para o filho, poderia pensar que seu gesto pudesse levá-lo ao alcoolismo, ou transformá-lo em um assaltante dos cofres públicos, ou em uma assassino em série. O problema é que os pais pouco sabem onde e como seus gestos terão eco na personalidade futura dos filhos. Mesmo o amor é remédio de dose difícil. E quando o amor se transforma em coisas, fica mais difícil ainda contar as gotas. Filhos que passaram por grandes dificuldades podem se tornar cidadãos compromissados com suas comunidades. Por outro lado, filhos muito mimados podem ser tiranos. É o complexo do filho único cujos expoentes como Hitler e Napoleão marcaram negativamente a história. A história se alterna entre períodos de excessiva severidade com os filhos e outros de liberação irresponsável. Sabe-se que somos uma mistura entre os impulsos inatos e a educação, entre os instintos e os freios sociais. Os pedagogos aconselham e desaconselham e, ao passar das gerações, quando o estrago já está feito, descobre-se que o brilhante pensador, guru de uma geração inteira, estava equivocado. Há outro dilema, quase que insolúvel. Como cada ser humano é único, as lições dos outros de pouco servem. Já que falamos dos remédios, é como tomar o mesmo remédio para organismos diferentes. Ou alimentar com açúcar diabéticos e hipertensos, ou achar que pão e leite, como fizeram bem para os avós, farão bem para os netos, mesmo que sejam celíacos ou com intolerância à lactose. Sim. Mas como faremos, então, você deve me pergunta a esta altura? Será que o cronista encontrou a resposta correta? Desculpe. Eu nada sei e não tenho a mínima idéia de como educar bem um filho, ou como preparar o ser humano para ser alguém comprometido e ético, justo e solidário. Só acho que não podemos é abandonar o amor, mesmo em suas expressões equivocadas. E seguir pensando, pensando. Como fizeram alguns homens que transformaram o mundo para melhor, apesar de errar como todos os outros. Pablo Morenno
Escrito por Pablo Morenno às 21h58
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Tapera
Na última sexta-feira estive na XIX Feira do Livro do Município de Tapera-RS. Com o tema "leitura:um novo olhar para a vida", a cidade movimentou crianças, jovens e adultos com encontros com escritores como Caio Ritter, Duca Leindecker e eu. Além dos escritores, houve atividades teatrais, contação de histórias, exposição de livros, mateada, sempre com a leitura sob os olhos. Tive a alegria de estar em três escolas e, à noite, conversei com a comunidade sobre a vida, a literatura e a leitura. O primeiro encontro da manhã foi com os estudantes do ensino médio da Escola Estadual Oito de Maio. 
Uma turma alegre que, ao final do bate-papo, me entregaram um avião de papel com trechos de meus textos e um retrato autografado por todos. O segundo encontro foi com os alunos do Ensino Mèdio da Escola Estadual Dionísio L. Chassot. 
A turma do Dionísio me marcou pelas perguntas inteligentes dos alunos. Depois da palestra, alguns alunos queriam continuar o papo nos corredores. Infelizmente, como tinha mais uma escola para visitar, interrompemos a conversa, sempre interessante. O terceiro encontro seria com os alunos do ensino médio da Escola Estadual N. S. Imaculada. Mas, antes, os alunos da pré-escola, que leram UM MENINO ESQUISITO, apareceram lá para me fazer uma surpresa e uma homenagem. A professora Marli, criativa e inteligente, motivou os aluninhos com suas curiosidades, tendo por base o poema CURIÓ CURIOSO. 
Depois dos poucos minutos com as crianças, o papo seguiu com os alunos. Conversamos sobre a arte, a literatura, e a crônica. 
Meu dia intenso em Tapera encerrou com uma palestra para a comunidade em geral , após uma homenagem aos escritores locais. Meu obrigado à companhia sempre disposta da Secretária de Educação Soeli, da Kely e ao Carlos da Livraria Educar.
Escrito por Pablo Morenno às 23h33
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