Histórico
 01/11/2009 a 30/11/2009
 01/10/2009 a 31/10/2009
 01/09/2009 a 30/09/2009
 01/08/2009 a 31/08/2009
 01/07/2009 a 31/07/2009
 01/06/2009 a 30/06/2009
 01/05/2009 a 31/05/2009
 01/04/2009 a 30/04/2009
 01/03/2009 a 31/03/2009
 01/02/2009 a 28/02/2009
 01/01/2009 a 31/01/2009
 01/12/2008 a 31/12/2008
 01/11/2008 a 30/11/2008
 01/10/2008 a 31/10/2008
 01/09/2008 a 30/09/2008
 01/08/2008 a 31/08/2008
 01/07/2008 a 31/07/2008
 01/04/2008 a 30/04/2008
 01/02/2008 a 29/02/2008
 01/01/2008 a 31/01/2008
 01/12/2007 a 31/12/2007
 01/11/2007 a 30/11/2007
 01/10/2007 a 31/10/2007
 01/09/2007 a 30/09/2007
 01/08/2007 a 31/08/2007
 01/07/2007 a 31/07/2007
 01/06/2007 a 30/06/2007
 01/05/2007 a 31/05/2007
 01/04/2007 a 30/04/2007
 01/03/2007 a 31/03/2007
 01/02/2007 a 28/02/2007
 01/01/2007 a 31/01/2007
 01/12/2006 a 31/12/2006
 01/11/2006 a 30/11/2006
 01/10/2006 a 31/10/2006
 01/09/2006 a 30/09/2006
 01/08/2006 a 31/08/2006
 01/07/2006 a 31/07/2006
 01/06/2006 a 30/06/2006
 01/05/2006 a 31/05/2006
 01/04/2006 a 30/04/2006
 01/03/2006 a 31/03/2006
 01/02/2006 a 28/02/2006
 01/01/2006 a 31/01/2006
 01/12/2005 a 31/12/2005
 01/11/2005 a 30/11/2005


Outros sites
 UOL - O melhor conteúdo
 BOL - E-mail grátis


PABLO MORENNO
 

URBANOS

 

 

Rio de Janeiro e São Paulo, as duas mais badaladas cidades do País, foram há pouco dias marcadas por um novo movimento urbano. Não. Não. Não foi o renascimento dos caras-pintadas  nem os sem-teto, ou os fora-alguma-coisa. Falo do movimento dos sem namorados.

         A passeata dos sem namorados é um dos muitos contra-sensos das metrópoles modernas. Depois da liberalização sexual dos anos sessenta e da revolução cibernética, não parece razoável a solidão. Jamais pensei que as gerações do MSN e dos sites de relacionamentos necessitariam sair às ruas para pedir companhia. O que se espera das metrópoles físicas e virtuais é um maior entrosamento humano. Mas não é o que acontece.

         O movimento dos sem namorados se complementa, ou melhor, se esclarece, com um outro fenômeno tirado dos jornais. È um serviço surgido em São Paulo e que ainda vai dar o que falar. Um grupo de amigos resolveu criar uma empresa de acompanhantes, sem conotação sexual. É o serviço de amigo pago.

         O serviço do amigo-acompanhante é para aqueles homens e mulheres solitários, metropolitanos, que não possuem ninguém disponível para acompanhá-los em programas cotidianos como um passeio ao museu,  uma boate, a um jantar, ou a um jogo de futebol. Se você mora em uma grande cidade e não tem amigos, basta ligar e contratar o serviço, desde que pague por hora e que arque  quaisquer  despesas.

         A passeata dos sem namorados e o serviço de amigos expõem uma das maiores feridas urbanas: a solidão. A competição no trabalho, a diminuição das famílias, – quase não existem irmãos ou primos nas novas gerações-, a desconfiança, o medo, a violência, motivam as pessoas a  se fecharem em casas ou apartamentos, sem contatos afetivos.

Homens e mulheres trabalham o dia inteiro, a semana inteira, o mês inteiro, o ano inteiro, sem ultrapassar o pátio do profissional. Vizinhos não se conhecem, colegas de trabalho temem a concorrência. Na rua,  o medo é de assaltantes e assassinos.

As cidades ergueram os arranha-céus e acabaram com as árvores, com os pássaros, com os rios, e com o amor. Quem sabe,  quando os rios ficarem limpos novamente,  quando as árvores tiverem ninhos e fizerem sombra, haverá mais encontros, e não precisaremos mais pagar pelo amor ou por amigos. É bem possível que isso demore algumas dezenas de anos. Mas não custa esperar.



Escrito por Pablo Morenno às 22h42
[] [envie esta mensagem]



Mamíferos

 MAMÍFEROS

 

Algumas coisas aprendidas na escola levam um tempo para mostrar sua importância. Por exemplo, as lições de biologia. Especificamente, a aula de mamíferos.  Somos mamíferos, insistia a professora. Igual à baleia, o maior do planeta, e ao morcego, o único com asas.

         Mamíferos vivíparos, reforçava a mestra. Contrário daqueles que se desenvolvem num ovo, fora da mãe, formamo-nos dentro de seu corpo. Primeiro um vínculo sanguíneo. Depois, no toque de pele com pele, continuamos a receber seu sangue, transformado agora em leite. O vínculo físico da natureza sucede-se por um vínculo de afeto da vida.

 Não sei se os outros mamíferos aprendem afeto com suas mães. Não posso perguntar a eles. Quanto aos homens, não há dúvida. Ao menos deveria.

Apesar de mamíferos, temos ainda outras diferenças com a maioria deles. Observei isso muito bem quando, ainda criança, morava com meus pais numa propriedade rural. A maioria dos mamíferos nasce e já se põe em pé. Em alguns minutos estão andando, logo correm e saltitam. Os bovinos, os eqüinos, os caprinos...

Nós não. Nascemos tão frágeis. Assim permanecemos por vários anos. Se não houver alguém disposto a nos empanturrar de cuidados, não temos como sobreviver. Qualquer predador nos apanharia muito fácil na natureza, se não fôssemos dotados de inteligência e cultura, diversamente dos outros animais. Para completar, somos pequenos, comparados às baleias. E somos despidos de asas, para orgulho dos morcegos.

Há algumas semanas, li nos jornais: mãe mata filho drogado. Aqui e acolá, aparece nos noticiários: filho mata seus pais. Lembro das lições de biologia. Desses vínculos físicos e de afeto. Nós humanos, frágeis e carentes.

No dia das mães não esqueçamos. Somos mamíferos. Vivíparos. Feitos de afeto.

Somos mamíferos,  como baleias e morcegos. Neste dia, mais do que melosos discursos, pensemos na essência de afeto. Ou invejemos as baleias, porque termos instintos tão pequenos, e os morcegos, por nossa enorme falta de asas.

 

            Pablo Morenno



Escrito por Pablo Morenno às 16h53
[] [envie esta mensagem]




[ ver mensagens anteriores ]