
FLORES Mudamos de um apartamento para uma casa. Trouxemos algumas plantas. Como a casa tem jardim, na frente e fundos, aquelas plantinhas de apartamento ficaram mixurucas, sem condições de concorrerem com grandes plantas para estes espaços de uma casa, sempre maiores. Entre as plantas, duas ou três violetas, abandonadas agora à sua sina, sem nenhum cuidado. Na verdade, esperava que elas morressem, por sua própria conta. Nada de muita atenção, água só da chuva. Apesar do desleixo, descubro, esta semana, que uma das violetas abandonadas floresceu. Penso que foi para chamar a atenção, um modo de pedir carinho, como se fosse um gato ou cachorro. Os seres vivos são tão surpreendentes! Essa história da violeta foi um alívio, entre o assassinato do casal de idosos em plena manhã, e da garota vitimada enquanto aguardava o ônibus. Tragédias nos fazem perguntar “por quê?”, e há poucas respostas. Pior, quase não há respostas. Como também não sei o que escrever sobre esses assassinatos que chocaram Passo Fundo nestes últimos dias, resolvi transcrever uma crônica do Drummond de Andrade. Espero que a literatura nos ajude a pensar, e nos humanizemos um pouco. Aí vai: “Furto de flor Furtei uma flor daquele jardim. O porteiro do edifício cochilava, e eu furtei a flor. Trouxe-a para casa e coloquei-a no copo com água. Logo senti que ela não estava feliz. O copo destina-se a beber, e a flor não é para ser bebida. Passei-a para o vaso, e notei que ela me agradecia, revelando melhor sua delicada composição. Quantas novidades há numa flor, se a contemplarmos bem. Sendo autor do furto, eu assumira a obrigação de conservá-la. Renovei a água do vaso, mas a flor empalidecia. Temi por sua vida. Não adiantava restituí-la ao jardim. Nem apelar para o médico de flores. Eu a furtara, eu a via morrer. Já murcha, e com a cor particular da morte, peguei-a docemente e fui depositá-la no jardim onde desabrochara. O porteiro estava atento e repreendeu-me: – Que idéia a sua, vir jogar lixo de sua casa neste jardim!”
Escrito por Pablo Morenno às 22h48
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Bassano Leitor
Voltei de Nova Bassano acreditando no projeto Bassano Leitor. Se acontecer como acontece no Colégio Cobalchini o sucesso é certo. À frente a Odete, da Secretaria de educação, e Analice, que já foi diretora do Cobalchini, agora vereadorda, e com toda a experiência em leitura. Ao menos o que vi na quinta-feira, demonstra o entusiasmo do professores, dos CPMs e dos dirigentes municipais. Vamos aguardar a vitória da leitura.
Escrito por Pablo Morenno às 22h30
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