Oficina Assis Brasil
O BONSAI
Da sala, delineiou o fogão. A chaleira de cerâmica, sob a tampa de vidro era a cabeça retorcida e flutuante de um cão sem corpo. As tulipas em alto relevo, poças de sangue coagulado na porcelana. Ora línguas cortadas, ora pedaços de membros humanos. Os cacos brancos do craquelé, caninos. Muito afiados. Afiadísimos.
A luz da lua projetava o pessegueiro sobre a pia. Ali estavam cães de todos os tamanhos e matizes. Pêlos eriçados e sujos.
Tateava em busca do interruptor.
Nada.
Apalpando o espaço entre o quadro de natureza morta e um canto entre as paredes, a mão encostou na soga que pendia do porta-chaves artesanal. A nuca de um monstro entre os dedos. Pensou esganá-lo. Impossível. Seu pescoço era delgado demais para suportar a pressão do punho.
A mesma luz, janela adentro, repousava na porta da geladeira. Os ímãs todos, couros malhados de lobos ferozes, olhos vermelhos, patas e focinhos, rabos e orelhas.
Esgueirou-se pela parede. À esquerda, atrás da porta que dava para a área de serviço, seu marido escondia um martelo. Era a única arma naquela casa, exceto as facas, na gaveta dentro do armário embaixo da pia. Recursos inalcançáveis e sob o domínio inimigo.
Deslizando rente à parede, rumo à porta da lavanderia, sem querer, acendeu a lâmpada fluorescente com a pressão das costas.
Sobre a mesa, ao lado do pão, deixado ali para o café da manhã, o bonsai de figueira mostrava um botão aparecendo com sua timidez de um futuro figo.
Uma flor assim, sorrindo no meio da noite, ela nunca avistara em toda a sua vida.
***
Fevereiro. 2008. Gramado. Loja de calçados. Provava algumas sandálias. Com duas ou três à mão, a vendedora me fez sentar ao lado de um senhor. Ao primeiro olhar, parecia já tê-lo visto; não sabia onde. Era alguém conhecido; não lembrava quem.
Eu havia provado as três sandálias. Nenhuma me agradou.
- Há um outro modelo. O senhor aqui ao lado está provando. Se não gostar, te mostro.
O senhor, acompanhado de uma senhora (também me parecia conhecida), provou um pé, os dois. Não lhe caíram ao gosto. Deixou-a ali, e dirigiu-se a outro setor, acho que o dos sapatos.
A moça apenas apontou com o olhar.
Provei a sandália rejeitada. Gostei e comprei.
Na hora do pacote, perguntei quem era aquele.
Abrindo a gaveta, retirou o último ticket de venda. Leu. Pausadamente:
- Luiz Antonio de Assis Brasil da Silva.
Sou um dos únicos que uso uma sandália pisada pelo Assis Brasil, e estou entre os 21 que, na segunda e terça passadas, fizemos uma mini-oficina com o consagrado escritor, no IMED. O texto acima foi um exercício. Era para imaginar a cozinha de nossa casa vista por uma personagem que acordou no meio da noite depois de ter um pesadelo: era perseguida por cães ferozes.
Nosso grupo durante a oficina. Eu sou apenas uma cabeça bem ao fundo, bem junto ao cano que desce pela parede.
Foto do escritor Luiz Antonio e o grupo de oficineiros.
Escrito por Pablo Morenno às 23h52
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OFICINA ASSIS BRASIL
LUIZ ANTONIO DE ASSIS BRASIL, o maior romancista vivo do RS. Quem nunca ouviu falar nesse cara tá pertido no mundo. Sua oficina literária na PUC fez nascer escritores como DANIEL GALERA, CINTYA MOSCOVICH, LETÍCIA WIERCHOWSKI, AMÍLCAR BETTEGA BARBOSA... e tantos outros.Vários de seus romances tornaram-se filmes: Videira de Cristal ( A Paixão de Jacobina), Concerto Campestre, são os mais conhecidos.
Pois bem, Assis Brasil está em Passo Fundo hoje e amanhã e, entre outras atividades, ministrando uma mini -oficina. Tenho a honra de participar. Hoje foi só uma amostra, e já aprendi mais que minha carreirinha toda de escritorzinho. Pena que só tem mais amanhã. QUem quiser saber mais sobre esse escritor que nem merece minhas palavras de apresentação, é só visitar o site oficial: http://www.laab.com.br/
Escrito por Pablo Morenno às 23h18
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São José Vacaria
Depois de dois anos retornei ao Colégio São José de Vacaria. Este foi o primeiro trabalho deste ano, que dediquei mais para terminar minha Faculdade de Direito. Não tinha como recusar.
Como sempre, a Prof. Lorety motiva a leitura e a reflexão sobre os textos lidos, o que é uma alegria para qualquer autor.
Os trabalhos foram excelentes, até música teve sobre uma das crônicas. Se não fosse os professores, os escritores não existiriam. Leitores precisam ser formados.

Acima uma representação gráfica, e adequada, da crônica ÁLVARO.

"o gato no muro" ganhou bichinhos de pelúcia e cacos de garrafa pet!!
A PROF. LORETY COM A BANDA QUE FEZ UMA MÚSICA COM A CRÔNICA "POR QUE OS HOMENS NÃO VOAM? que dá título ao livro.
Escrito por Pablo Morenno às 23h13
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