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SEM MEDO DE AVIÃO
Depois da tragédia em São Paulo, o medo de avião aumentou. É o contraditório instinto de preservação da vida. Vidas imploram por ser preservadas. Vidas que, se não fosse a trágica morte, talvez nunca saberíamos de sua existência. Soube da vida da Inês, protetora das crianças; da vida do Itacir, empresário em Nova Prata; da vida do Caio e da Rafaela, que passeavam no sul; da vida do Paulo Rogério, e sua paixão pelo Inter; da vida do Luiz Antônio, pastor que se dedicava aos jovens; da vida da Michele, que sonhava ser aeromoça; da vida da Valdemarina, professora da PUC-RS, e apaixonada por ensinar.
O medo do risco de morte sempre nos acompanha. Como esse renascimento do medo de voar. Mas. Os aviões continuarão suas decolagens e pousos, e viagens continuarão sendo sonhadas. Em poucos meses este medo monstro deverá transformar-se num mimoso gatinho.
Um pouco de medo faz bem. Torna-nos mais cuidadosos com a vida, aguça a sensibilidade e a atenção, incentiva a vigilância, diminui a insensatez, põe-nos as alianças da prudência.
Um pouco de risco ajuda. Faz-nos arrojados, cria sensações novas, aponta mundos desconhecidos. Por não saber que era impossível, foi lá e fez, diria Leminski. Por esta razão Marco Pólo partiu, Américo Vespúcio chegou às Américas. Pelo mesmo motivo, atravessamos os desertos, conquistamos as geleiras e chegamos aos recônditos estelares.
Para chegarmos onde chegamos, muitas vidas repousam com os cavalos-marinhos, outras tantas misturaram-se às areias ou jazem sob os gelos dos pólos. Para olharmos a terra de cima, naves e astronautas transformaram-se em anjos ou em estrelinhas - como dizem os avós aos netos cujos pais não voltaram do vôo.
Vida sem riscos é vida sem graça. Viver é andar pelas ruas podendo ser atropelado ou encontrar uma bala perdida, praticar esportes apesar das lesões, dirigir apesar dos acidentes, banhar-se na chuva sem medo dos raios, esperar um bebê depois de um aborto. De pouco adianta trancafiar-se no quarto: um avião poderá despencar no telhado.
Rindo dos riscos vamos levando a existência, amando, tornando-nos homens e mulheres de vida útil. É correndo riscos que podemos cuidar de crianças abandonadas, que construirmos uma empresa, que viajamos para lugares desconhecidos, que torcemos pelo time do coração, que lutamos por causas de Deus ou dos homens, que sonhamos com um futuro profissional.
O que ninguém pode fazer é, por causa de uma ou outra tragédia, esquecer a vida em casa e, por medo dos riscos de perdê-la, ir morrendo inútil para os outros e para o mundo. Se e quando, por uma fatalidade, a vida nos for podada muito antes de nossos planos, algo haverá a ser contado nos jornais, ou a ser lembrado pelos que ficaram. Quem faz na vida algo que mereça ser contado deve perder logo esse medo bobo de avião.
Pablo Morenno
Escrito por Pablo Morenno às 22h44
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Morrinhos do Sul
Todas as manhãs eu como pelo menos uma banana. E é assim, sem querer, que estive ligado a MOrrinhos do Sul ( perto de Torres-RS) durante muito tempo. Na sexta-feira estive lá nas escolas municipais conversando com crianças e jovens sobre meus livros. Esta cidadezinha linda, com uma figueira na frente da Igreja, com os morros da Serra do Mar ao fundo e rodeados de bananeiras, com seus arrozais nas planícies, abriga um povo simpático e que tem na leitura o projeto principal da Secretaria de Educação. Fiquei encantado porque, diferentemente de outros lugares onde o Município compra os livros, em Morrinhos os alunos foram motivados a comprar por sua própria conta.
Estive em quatro escolas e proferi seis palestras: na Sagrada Família- com jovens do primeiro ano, crianças e ensino médio da tarde e da noite, a da Perdida- com crianças, a do Costão-crianças, e da Pixirica ( é assim mesmo) com crianças.
Fiquei surpreso com a vivacidade, a alegria, a descontração e as perguntas inteligentes daquela gente. Além de trazer uns esquecidos (uns biscoitos deliciosos) e de ganhar bananas que eu comprei durante muito tempo no mercado ( as famosas bananas Borges), de agora em diante eu jamais esquecerei aquela gurizada que de bananas não têm nada. E gostando de ler como gostam vão tornar Morrinhos do sul conhecida também por sua cultura.
Esta é a praça principal da cidade. Nâo é linda?
o Este grupo de crianças veio me receber já na entrada da escola Sagrada Família. Como a BR 101 está de obras, atrasei um pouco. Estavam ansiosas.
Mais próximo aos morros, depois de seguir por um rio límpido que desce das montanhas, encontrei este grupo de crianças. Conversamos e brincamos. Na foto abaixo, pode-se ver a criatividade delas e de suas professoras.

Este grupo de jovens conversou comigo no início da tarde. Tivemos altos papos. O primeiro garoto ao fundo, no grupo de mãos levantadas, da direita para a esquerda, é da família Borges das bananas famosas. E ganhei umas quantas pencas. Por umas duas semanas não precisarei mais comprar.
Este grupo de crianças é da escola municipal do Costão, já no pé da serra também, mas para outro lado da Perdida. Depois eu fui para a escola municipal da Pixirica, mas lá esqueci de tirar fotos.
Escrito por Pablo Morenno às 16h25
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PANAMBI
A primeira vez que soube da existência de Panambi RS foi na infância. Uma trilhadeira PANAMBI, fabricada na cidade. Na quinta-feira à noite estive lá para participar do III Sarau Artístico e Cultural, Café com Pablo Morenno, ( O primeiro foi Café com Érico Veríssimo, o ano passado foi Café com Mário Quintana... eu fui o primeiro escritor vivo a ser homenajeado, e pretendo continuar vivo por muito tempo ainda...) e em reconhecimento aos escritores locais. No dia seguinte, dia 13/07, visitei as escolas do município e falei com as crianças e jovens que leram e trabalharam meus livros. Como chovia desesperadamente e a minha máquina estava sem pilhas, não tenho fotos próprias. A Prof. Marilene ficou de me enviar as fotos das escolas e colhi no site de uma revista local as fotos abaixo, todas do Sarau da noite de quinta-feira. Agradeço à cidade de Panambi. O trabalho nas escolas foi criativo e emocionante. Aguardo as fotos para postar aqui.
Na próxima semana, dia 20/07, estarei em Morrinhos do Sul, próximo a Torres-RS, conversando com alunos das escolas municipais que também leram meus livros.


Momento em que músicos locais me acompanharam na música É PRECISO SABER VIVER, com a qual encerrei a conversa.
Escrito por Pablo Morenno às 17h48
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Rio Pardo II
O professor Elenor, eu e Rudi, Secretário de Educação de Rio Pardo.
Casa de Cultura de Rio Pardo. Museu e espaço cultural.
Na minha passagem rápida pela cidade fotografei duas casas em estilo colonial e preservadas. São centenas por suas ruas estreitas. A cidade de Rio Parda foi declarada Patrimônio Histórico do Rio Grande do Sul.


Escrito por Pablo Morenno às 17h33
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Rio Pardo
Dia 06.07.2007 palestrei no encerramento do XV Seminário Estadual de Língua Portuguesa e Literatura Rio-grandense e XI Fórum de Educação que aconteceu de 4 a 6 em Rio Pardo. Rio Pardo é um dos mais antigos municípios do RS e desempenhou um papel destacado na sua história. Os primeiros passos da sua colonização foram dados pelo trabalho civilizador dos Jesuítas, que em 19 de fevereiro de 1634 fundaram a redução de São Cristóvão, nas proximidades do local hoje denominado Cruz Alta.
Mas no ano de 1636, uma bandeira chefiada por Antônio Raposo Tavares e formada por 120 paulistas e mil índios tupis tomaram e saquearam a região. Após, durante quase um século as terras ficaram fora do contato com a civilização. A colonização portuguesa só teve início cerca de um século depois, com o assentamento de casais açorianos. Os primeiros moradores de origem portuguesa chegaram a partir de 1715.
Rio Pardo, conhecida por suas ruas estreitas e históricas e suas construções antigas , teve sua origem no Tratado de Madrid, assinado em 1750 entre Portugal e Espanha, e que fixava os novos limites entre as terras dos dois países no Sul da América.
O que chama a atenção na cidade é apreservação da arquitetura e da cultura, da história e das artes locais. O Seminário e o Fórum tem a organização do Professor Elenor da UNISC a quem agradeço o convite.
Público presente no seminário.
Escrito por Pablo Morenno às 17h11
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ZH
Minha crÕnica CORPO EXTENSO, não tão extensa como aqui, numa versão mais curta, foi publicada pelo JORNAL ZERO HORA neste domingo:
http://www.clicrbs.com.br/jornais/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&edition=8012&template=&start=1§ion=Artigos&source=Busca%2Ca1546775.xml&channel=9&id=&titanterior=&content=&menu=23&themeid=§ionid=&suppid=&fromdate=&todate=&modovisual
Fiz uma correção a tempo. Ali Babá não era ladrão, como aparece na primeira redação. Ele abriu a caverna onde estavam os 40, mas ele não era da mesma laia.
Escrito por Pablo Morenno às 23h47
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