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Figurantes
FIGURANTES E MERCENÁRIOS
Há um escritor gaúcho, morador de Brasília, ganhador de um Jabuti, que é ghost writer de um político conhecidíssimo. Eu soube à surdina, e não é o único. Escreve discursos, artigos para jornais e até livros em nome do fulano. Aluga a sua imaginação. Aliás, o tema aparece também no romance Budapeste de Chico Buarque. Qualquer um, se você tiver grana para investir, pode estampar seu nome não apenas jornais, revistas ou livros, mas, até obras de arte.
O mundo está tão mercantilizado, comprar talento é fichinha. Sabem da última? Na Alemanha, estão se profissionalizando os figurantes de protestos e passeatas. É isso mesmo. Jovens se pintam, carregam faixas e bandeiras, gritam palavras de ordem, a favor ou contra qualquer causa. Se você tiver uma causa e algum dinheiro, mas não tem tempo ou cara de pau para pagar mico, pode contratar pessoas que irão às ruas por você.
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MERCENÁRIO - s.m. Soldado que se oferece para servir mediante paga. — A Pérsia, a Grécia e Roma empregaram mercenários, eventualmente. Eles se tornaram importantes, contudo, nos séc. XIII a XVI, quando soldados alemães e suíços eram muito procurados. Por fim, após a Revolução Francesa, exércitos nacionais substituíram os mercenários. (http://www.kinghost.com.br/dicionario/mercenario.html)
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FIGURANTE - s.m. Personagem secundária, geralmente muda, em peça de teatro, em bailados ou cinema. / Pessoa que não desempenha papel determinado. / P. ext. Qualquer participante de uma peça dramática, de um filme. (http://www.kinghost.com.br/dicionario/figurante.html)
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Fazer algo no lugar de outrem, ou contratar alguém para fazer algo em seu nome, é permitido por lei em determinados casos. Quando contratamos um advogado, assinamos uma procuração. O advogado, que conhece os trâmites jurídicos, transforma nossa defesa na linguagem dos tribunais. É um exemplo de “mandato”. No Fantástico, não faz muito, no quadro “Retrato Falado” a atriz Denise Fraga relatou um casamento curioso. Um casal de namorados brasileiros, ausentes do país, casou no civil por procuração passadas às respectivas mães.
Às vezes, em situações originais, mesmo em atos personalíssimos, é possível delegar a terceiros nossas incumbências. Mas eu nunca soube de alguém terceirizando a lua de mel, ou uma viagem para as ilhas gregas, embora mandemos abraços e beijos para amigos e conhecidos.
Já terceirizamos demais coisas indelegáveis. Se você tiver um amor, declare. Se gostar de chuva, se molhe. Se desejar a paz, promova. Se tiver inspiração, escreva. Se estiver alegre, cante. Se quiser um filho, eduque. Se quiser um território, conquiste. Se tiver uma causa, proteste.
Quem é o figurante ou o mercenário? Aquele que assume os sonhos e causas dos outros ou aquele que passa no mundo sem mostrar a cara?
Era uma vez um tempo em que os jovens tinham seus próprios sonhos. E eles assumiam suas causas até as últimas conseqüências.
Pablo Morenno
Escrito por Pablo Morenno às 21h28
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