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Notícias
A correria do final do ano se aquieta. Só tenho um prova na segunda-feira. Amanhã entrego o primeiro capítulo de minha monografia de Direito.
Ontem começou a Feira do Livro de Passo Fundo.
Hoje à tarde recebi a homenagem de Padrinho da Sala de Leitura do Colégio Alberto Pasqualine aqui em Passo Fundo. Recebi uma medalha.... com meu rosto. Fashion!! :))
Afora a vida, nada mais importante....
DE LIVROS DE DE LEITE
Minha mãe gastou sua vida até o final sem conhecer as letras. Era agricultora como estas mulheres de Severiano de Almeida-RS que levam livros para casa em sacolas. Minha mãe poderia estar entre elas se soubesse ler ou, se alguém lhe tivesse motivado à leitura quando ainda tinha idade e tempo. Embora minha mãe não soubesse ler, com o dinheiro do leite das vacas que ela ordenhava, comprei um de meus primeiros livros. Meu primeiro livro foi de leite.
Zero Hora, 24/11/06, livros e rostos. Livros desgastados, rostos felizes. Estas mulheres, entre vacas e plantações, vão descobrindo o leite das letras e abrem valas entre páginas. Ler é bom, dizem. E vão passando o deleite para filhos, e maridos, e vizinhos.
As mulheres agricultoras também lavram. Não é por nada que palavra tem “lavra”. Quem lê lavra, semeia. E lavradora tem dor. A vida nem sempre é mesmo fácil. No campo e na cidade. Quem lê, lavradora ou operária, planta a dor, ou se opera. Quem se opera abre as entranhas para tirar pedras. Nos rins, na vesícula. Quem lê, mulher ou homem, vai usando as pedras das entranhas e da terra para construir sentido na vida insensata. Com leite das pedras se dá gosto à vida insossa.
Feiras do Livro só dão certo em escolas e em praças. Nas escolas, talvez porque a leitura é quase uma obrigação. Na praça, porque a gente se encontra para papear, jogar palavras fora. No papo da praça gastamos palavras. E vem a miséria da falta. E então os livros enchem a dispensa e nos salvam da miséria com sua misericórdia. Lemos com prazer e revivemos. Deleite.
No fundo, somos todos assim agricultores, lavradores e operários. Os livros nos salvam das tormentas, das enxurradas que levam embora as sementes, do dia a dia estafante das fábricas, do suor do rosto que a gente seca e volta. Na praça, a gente fala, ouve, conta causos, fala de casamentos e velórios, de amores e de perdas. Inventa verdades de vento. E, depois, vamos embora com livros. Roubamos a vida dos personagens, ou entregamos a eles a nossa. A vida dos personagens é tão triste, tão sofrida, tão insensata. Vida de leite doce, azedo, coalhado. Vida deleite, de leitura.
Estava lendo sobre estas mulheres agricultoras que levam para casa uma sacola de livros. Elas dizem que os maridos querem saber o que guardam as sacolas. E os filhos querem saber se as sacolas não vão fazer mal às mães. A semente dos livros vai crescendo, e como o grão de mostarda, se transforma em árvore onde pássaros do céu fazem ninhos. No final do ano, as mulheres agricultoras colherão o trigo e o pasto, o milho e o feijão, e comerão o queijo com o leite das vacas e as palavras dos livros. Das valas de seus arados e das tetas de suas vacas nascerão livros e livros. De leite, de leitura. Das lavras e dos livros.
E pensar que muitos de nós, morando em pequenas ou grandes cidades, com tanta facilidade para a leitura, quase nunca abrimos um livro pra ler...
Pablo Morenno
Escrito por Pablo Morenno às 21h04
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Estrela
A lona do Circo abrigava a gente, e a chuva despencava. Foi a Feira do Livro de Estrela. Mesmo assim o público esteve lá para me ouvir. Antes, para preparar, a excelente Orquestra de Jovens do Sesi e Fiergs. Um espetáculo juvenil. Uns trinta ou quarenta jovens e o gosto pela música. Aproveitei pra realizar um sonho antigo: cantar com uma orquestra. No improvise cantei com eles VENTO NEGRO e É PRECISO SABER VIVER...´
Ando ausente do blog porque: estou com provas na universidade, tenho fichamentos para fazer e estou escrevendo o primeiro capítulo de minha monografia.
Ontem, às pressas, escrevi a crônica que segue...
QUINTANA E A LÍNGUA-DE-SOGRA
O centenário de nascimento do poeta Mário Quintana está sendo comemorado com pompa no pampa. Nas várias escolas em que estive este ano, e nas muitas feiras do livro, o poeta e sua poesia são homenageados de honra. Embora os críticos estejam divididos quanto ao valor literário de sua obra, nenhum outro poeta gaúcho alcançou tanta popularidade no estado e fora dele.
Na Feira de Ijuí-RS, onde estive a convite do SESC, um detalhe me desconcertou. Na praça da cidade, aqui e acolá, entre as barracas de livros e árvores, os poemas e as fotos de Quintana pareciam morar ali desde sempre. As fotos, em preto e branco, estavam por todos os lados. Os poemas, em letras garrafais, ora pareciam pássaros escalando as árvores, ora frutos pendentes.
De repente, sem querer, desde uma das imagens em tamanho natural, o poeta me fitava com uma língua-de-sogra entre os dedos e próximo à boca. A língua-de-sogra, aos que não sabem, é uma dessas aparições da infância em preparação para o mundo adulto. O brinquedo, comum nos aniversários infantis, é composto de um bocal e um pedaço de papel autoenrolável que vai e vem com o sopro. Segundo dizem, a verdadeira língua de sogra desenrolada teria o mesmo tamanho.
A língua-de-sogra da foto era colorida, enquanto o resto da imagem era em preto e branco. Seria aquela uma homenagem para alguma póstuma sogra quintanar? Impossível. Quintana sempre foi um solteiro convicto. E celibatário, como juram alguns. O brinquedo estava na mão do poeta completamente deslocado.
Observando melhor, lembrei. Eu já havia visto aquela foto em outro lugar. E não havia língua-de-sogra da primeira vez. Se a tivesse visto, jamais a esqueceria. Era óbvio.
Como não costumo ficar intrigado sem desintrigar, procurei o pessoal organizador da Feira. Me explicariam aquela foto.
E explicaram. Como as modelos da playboy sem celulite, Quintana fora alterado por computador. Nunca houvera tampouco alguma sogra oculta, muito menos fora alguma vez fotografado com o brinquedo. Na foto original, entre os dedos do poeta incendiava-se um cigarro. E foi apagado. Duplamente apagado.
Mas, qual motivo transformaria um cigarro em língua-de-sogra?
Por causa das crianças, me responderam. Para não dar exemplo nefasto. O poeta, idealizado, jamais poderia ser um fumante. Como a língua-de-sogra na foto, o vício do poeta não se harmonizava com a imagem que os professores queriam passar aos infantes.
Discordei. Poetas e escritores são humanos. Embora os admiremos por seu trato com a palavra, todos têm algum defeitinho. Seria melhor manter a verdade, e conscientizar os pequenos leitores dos “malefícios nefastos” do fumo.
Mais cedo ou mais tarde, as crianças, como eu, descobrirão que foram engambeladas. A mentira, ou verdade inventada, só tem lugar na literatura. Isso, também, como o próprio Quintana, nunca será consenso entre os críticos. Eles, como os moralistas, passarão. E Quintana, com cigarro ou língua-de-sogra, passarinho.
Pablo Morenno
Escrito por Pablo Morenno às 23h01
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Feira do Livro de Estrela
No próximo sábado, às 15h, estarei participando da I Feira do Livro de Estrela-RS. São convidados também da Feira o escritor e cantor da Banda Cidadão Quem, Duca Leindeker e o cartunista do jornal Zero Hora, Iotti. Estou bem acompanhado... ou eles.. :))
Não faz muito, publiquei aqui, no jornal Zero Hora e em outros jornais, uma crônica chamada CORPOS E CABIDES. O assunto se torna atual com a morte por anorexia da modelo Ana Carolina Reston Macan. Reproduzo a crônica abaixo.
CORPOS E CABIDES
Não são apenas as peças de roupa dos grandes desfiles que não encontram seu posto nas ruas. Seus cabides também. Corpos esguios, esquálidos e anoréxicos. Meninas e mulheres do mundo, para se encaixarem nas roupas das passarelas, punem-se com cirurgias e fome. As incapazes para a fome ou pobres para cirurgias, comem e vomitam. Bulímicas. Modelos, por sua própria semântica, são referências e paradigmas.
Fui vitimado por sóbria alegria ao ler - no caderno Donna, ZH do último domingo - que a semana de moda mais tradicional da Espanha impôs um limite às formas das modelos. Limite inesperado e desconcertante para o mundinho fashion. Se, antes, as manequins precisavam passar a água e alface às vésperas dos desfiles, desta vez exigiu-se o contrário. Nenhuma modelo como massa corporal menor que 18 poderá desfilar. Fora às magérrimas!
Mesmo com a irresignação da indústria da moda, o governo regional de Madrid, que patrocina o evento, não voltou atrás. E justifica sua decisão ante o forte impacto que a moda tem sobre as pessoas, sobretudo as adolescentes. Nada de corpos idealizados, ou que remetam à bulimia ou à anorexia. A indústria da moda tem responsabilidade com a imagem feminina que propaga.
Não sou especialista fashion. Mas concordo com os espanhóis. Uma vida saudável desfila em equilíbrio. Se a obesidade mórbida é combatida pelos governos e pelos médicos, a magreza extrema também deve sê-lo.
O mundo da moda parece querer expiar seus pecados. Após a decisão do governo madrileno, Letizia Moratti, prefeita de Milão, outro grande centro da moda, informou a um jornal italiano que o veto às esqueléticas pode chegar à semana milanesa. Se as coisas andarem nessa cadência, Gisele Bündchen terá mesmo de investir na carreira de atriz. Ou voltar a Horizontina para fartar-se com muita comida alemã.
Há coerência em certas restrições ao mundo midiático. Pouco adianta o governo gastar milhões em saúde, se os meios formadores de imagem desfilarem à contramão. Baniu-se o cigarro dos horários nobres, reduziu-se a propaganda de bebidas alcoólicas, e agora o mundo da moda começa a questionar seus padrões. Sempre ouvi que num bom cabide qualquer roupa sempre cai bem. Agora descobri que um bom cabide não é apenas um objeto alongado e esguio. Quando o cabide for um corpo, o critério é a saúde, e isso não afronta à estética. Mulheres do mundo agradecem as novas referências.
Pablo Morenno
Escrito por Pablo Morenno às 09h38
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Gabriel Taborin
Depois da alguns anos, voltei ao Colégio Gabriel Taborin, em Marau, como escritor. Quando o colégio ainda era em Vila Maria eu estudei lá durante todo o Ensino Médio.
Graças à idéia do Alvarito, bibliotecário, e de um grupo de professores, nasceu a I Feira do Livro. O trabalho foi surpreendente! Os alunos transformaram cada sala em um espaço para as obras lidas. Via-se o sertão de O QUINZE, o labirinto de QUEM MEXEU NO MEU QUEIJO, um cenário de "Felicidade não tem cor", outra sala trazia um caixão real e a história de O CASO DO MARTELO e até uma sala com UM MENINO ESQUISITO. Falei com os alunos e fiquei surpreso com o resultado. Parabéns para os professores e para os jovens que mostraram que, quando motivados, sabem usar a imaginação. Sorte para o mundo.
Reencontrei minha ex-professora Magda Agostini Segatt, a quem devo boa parte do gosto pela leitura. Ao meio dia, almocei com os irmãos da mantenedora do colégio. Fui seminarista da congregação e me senti em casa.
Como minha máquina quebrou, estou aguardando as fotos para colocar aqui no blog. A Letícia Pompermayer já enviou a que tirou comigo e com seu amigo Eduardo. Olha que linda ela está aí:

Escrito por Pablo Morenno às 14h31
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IJUÍ
Ijuí me recebeu nos dias 07 e 08 passados. A convite do SESC e da ALBS - NE (Associação Internacional de Leitura Conselho Brasil Sul ) participei do VI Seminário de Leitura Levado a Sério com o tema " Ler faz a diferença". No Seminário, proferi a palestra "Crônica - a duração do efêmero". No dia 08, participei da Feira de Livros da cidade.
Fui muito bem recebido e acompanhado pela Prof. Silvana que me ciceroneou numa visita à cidade. Fiquei surpreso com a estrutura do SESC local, com os espaços verdes públicos. Palmas para o governo municipal que resgatou uma velha usina. Além de fornecer parte da energia consumida pelo município, o lugar se transformou em um espaço para visitas e descanso no meio da natureza.
Na Feira, conheci a pequena escritora, 8 anos, Daiana Dal Ros que me autografou seus dois livros "A Lição da Galinha Chica" e "Juju, a panelinha que queria ter amigos". Daiana é de Catuípe e, contrário da maioria das crianças que escrevem mais por causa dos pais, ela tem talento e lê muito, o que pude perceber no papo que tivemos.
Me chamou a atenção o artesanato local à disposição no Hotel Vera Cruz onde fiquei. Idéia para ser copiada por hotéis de todas as cidades: reservar um cantinho para o artesanato local.
Escrito por Pablo Morenno às 14h25
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Crônica
CAOS E CAUSAS
Olhando a greve branca dos controladores de vôo, quase nem dá para ver seu nexo com o atentado às Torres Gêmeas. Tampouco, à primeira vista, vincularíamos as Torres ao recente caso do garanhão paulista e suas duas mulheres reféns. O caso das reféns se enrosca ao seqüestro de um avião por um turco, que chamava a atenção do Papa para ser isento do serviço militar. O jovem turco, no fundo, repetia a ação dos guerrilheiros chechenos-ingushis que em 2004, em uma escola de Beslan, causaram a morte de 301 pessoas, a maioria crianças.
Esses fatos, poucos dos muitos exemplos possíveis, expõem uma das múltiplas feridas do mundo contemporâneo. Não basta ter uma causa ou um direito. Homens e causas anônimos perambulam pelas metrópoles. Apenas grandes tragédias viram notícias. Só o caos chama a atenção. É quase impossível ser atendido apenas com argumentos.
Foi-se o tempo em que um homem pedia socorro e toda a aldeia o ouvia. A mulher em parto, ao primeiro gemido, era acudida por vinte parteiras. Hoje, a rapidez de informações e a quantidade de fatos emudecem os dramas individuais e coletivos.
Se, por um lado, conseguimos avançar na ciência e na técnica, não aprendemos ainda a importância do diálogo para convencermos os outros de que nossos projetos são mais adequados ou de que nossas causas são mais justas. Os controladores de vôo, para serem ouvidos, precisam causar danos e transtornos; os grupos terroristas precisam matar para implementar seus projetos, o homem turco precisou seqüestrar um avião para ser visto, o homem em São Paulo fez-se notícia para ser olhado em seu drama amoroso.
A grande conquista da história humana – fala, palavra, linguagem – ainda não conseguiu sobrepor-se aos gestos e fatos. Um gesto vale por mil palavras, dizem. Mas - quando a defesa é de direitos ou de causas, de ideais ou idéias, de projetos ou de sonhos -, não devia ser assim. Para estes casos, e muitos outros, uma palavra é mais valiosa que mil gestos. Com ela arquitetamos os argumentos e deveria ser com eles a vitória de nossas propostas, a solução de nossos problemas.
Entre tantas tragédias por boas ou nem tão boas causas, a humanidade deve mirar-se no espelho e perguntar-se: estaríamos gerando um desespero individual e coletivo por falta de instâncias para a voz e, no máximo, o grito? Na multidão e na massa, ninguém nos ouve, ninguém conversa, ninguém argumenta, ninguém avalia razoabilidades. Causas, para serem implementadas, precisam mesmo de grandes tragédias?
Chamar a atenção do mundo para a situação do trabalho – caso dos controladores de vôo -, para os dramas pessoais – caso do homem e suas mulheres -, para ideais religiosos e políticos – caso das Torres gêmeas, poderia e deveria ser feito apenas por bons argumentos. A história prova, nenhum drama individual ou coletivo se desenlaça com estrondo e tragédia. Mesmo que o mundo inteiro fique sabendo.
Pablo Morenno
Escrito por Pablo Morenno às 20h06
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Porto Alegre
Meus dias em Porto Alegre foram ótimos. Mas, como estou com pouco tempo - amanhã e quarta estarei no Seminário de Leitura do SESC, em Ijuí, só vim deixar um oi para os meus amigos e leitores. A Feira do Livro de Porto Alegre é um arraso. Fiz contatos importantes e conheci gente muito legal. Famosos e desconhecidos. No post seguinte, uma crônica.
Sexta-feira, 10/11, estarei na Feira do Livro do Colégio Gabriel Taborin em Marau.
Escrito por Pablo Morenno às 20h06
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