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PABLO MORENNO
 

Charles Kiefer

Recebi o seguinte e-mail do Charles Kiefer e repasso o convite para todos que estiverem em Porto Alegre no próximo domingo. Aliás, eu vou já na sexta. Pretendo prestigiar o Charles e outros amigos como o Caio Riter e o Luis Dill que estarão lançando seus novos livros da coleção TATU BOLINHA da Artes e Ofícios.  O e-mail do Charles:

           " Pablo,

 

            Desde a década de 70, sempre autografo na Feira do Livro no dia de meu aniversário, 05 de novembro. Neste ano, a sessão começará às 19:30h, na Praça de Autógrafos.

 

            Se estiveres em Porto Alegre por ocasião de meu lançamento, apareça, te espero na Feira. Em 2006, publiquei um livro novo, de contos, chamado Logo tu repousarás também, pela Editora Record. Além disso, durante esse ano, a Editora Record reeditou outros 3 romances que escrevi, Valsa para Bruno Stein, Quem faz gemer a terra e O escorpião da sexta-feira. Também estarei autografando Caminhando na Chuva, que foi relançado pela Editora Ática. E todos os meus outros livros, editados anteriormente pela Editora Mercado Aberto, Editora Artes & Ofícios, Editora WS.

 

            Enfim, quero fazer uma sessão de autógrafo em homenagem à vida, que este foi o ano de meu renascimento, tanto físico quanto simbólico. Agosto me foi um mês aziago, mas agora os jacarandás estão floridos, encantando a Praça da Matriz

 

            Abraço,

 

 Charles Kiefer



Escrito por Pablo Morenno às 10h15
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Prêmios

Este ano tem sido bom para minha carreira: recebi a notícia da escolha como Livro do Mês de Maio de 2007, fiquei em 3o. Lugar no Prêmio Mário Quintana, fui, mais uma vez selecionado nos Poemas nos Ônibus da Coleurb Passo Fundo e, ontem, recebi a comunicação que fiquei entre os cinco selecionados no 13o. Concurso Histórias do Trabalho promovido pela Secretaria de Cultura de Porto Alegre. Bom, não tem comparação com o Jabuti, nem com Brasil Telecom, ou o Cervantes, ou o Camões, ou o Casa das Américas, ou Nobel, claro, claro! Mas ainda bem. Se eu ganhasse um prêmio desses aí, dos grandes, já ia querer morrer no dia seguinte. Então melhor deixar esses aí para nunca, ou para depois dos 60 ou 70 anos.



Escrito por Pablo Morenno às 10h11
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Prêmios

Este ano tem sido bom para minha carreira: recebi a notícia da escolha como Livro do Mês de Maio de 2007, fiquei em 3o. Lugar no Prêmio Mário Quintana, fui, mais uma vez selecionado nos Poemas nos Ônibus da Coleurb Passo Fundo e, ontem, recebi a comunicação que fiquei entre os cinco selecionados no 13o. Concurso Histórias do Trabalho promovido pela Secretaria de Cultura de Porto Alegre. Bom, não tem comparação com o Jabuti, nem com Brasil Telecom, ou o Cervantes, ou o Camões, ou o Casa das Américas, ou Nobel, claro, claro! Mas ainda bem. Se eu ganhasse um prêmio desses aí, dos grandes, já ia querer morrer no dia seguinte. Então melhor deixar esses aí para nunca, ou para depois dos 60 ou 70 anos.

Recebi o seguinte e-mail do Charles Kiefer e repasso o convite para todos que estiverem em Porto Alegre no próximo domingo. Aliás, eu vou já na sexta. Pretendo prestigiar o Charles e outros amigos como o Caio Riter e o Luis Dill que estarão lançando seus novos livros da coleção TATU BOLINHA da Artes e Ofícios.  O e-mail do Charles:

           " Pablo,

 

            Desde a década de 70, sempre autografo na Feira do Livro no dia de meu aniversário, 05 de novembro. Neste ano, a sessão começará às 19:30h, na Praça de Autógrafos.

 

            Se estiveres em Porto Alegre por ocasião de meu lançamento, apareça, te espero na Feira. Em 2006, publiquei um livro novo, de contos, chamado Logo tu repousarás também, pela Editora Record. Além disso, durante esse ano, a Editora Record reeditou outros 3 romances que escrevi, Valsa para Bruno Stein, Quem faz gemer a terra e O escorpião da sexta-feira. Também estarei autografando Caminhando na Chuva, que foi relançado pela Editora Ática. E todos os meus outros livros, editados anteriormente pela Editora Mercado Aberto, Editora Artes & Ofícios, Editora WS.

 

            Enfim, quero fazer uma sessão de autógrafo em homenagem à vida, que este foi o ano de meu renascimento, tanto físico quanto simbólico. Agosto me foi um mês aziago, mas agora os jacarandás estão floridos, encantando a Praça da Matriz

 

            Abraço,

 

 Charles Kiefer



Escrito por Pablo Morenno às 10h10
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aparÊncias

 

APARÊNCIAS

        

 

Há poucos dias, foi manchete de contracapa do jornal Zero Hora a história da solidão de Lucas. Lucas, zebra macho do zoológico de Pomerode-SC, para não entrar em depressão, ganhou a companhia de uma jumenta branca com pintada com listras pretas.Os veterinários disseram que a reação de Lucas foi imediata. A zebra, antes entristecida, inquieta e sem alimentar-se, rapidamente mudou seu comportamento. Mesmo em currais separados, os animais, diferentes, mas parecidos, curtem um a companhia do outro. Parecem irmãos, mas não são.  Até a próxima chuva.

         Na mesma semana, o mesmo jornal noticiou um caso raro na genética. A inglesa Kerry Richardson deu à luz gêmeos diversos: um loiro como o pai e outro moreno como a mãe. “Logo que eles nasceram, conta a mãe, ninguém percebia nada de diferente, eles eram praticamente da mesma cor. Mas nos últimos meses, Layton ficou ainda mais claro e loiro, Kaydon ficou mais escuro como eu”.  Layton e Kaydon não parecem irmãos, mas o são.

         Os sociólogos e psicólogos já se esforçaram muito para entender as afinidades humanas. Sob quais características se embasam identidade e diferença, por qual razão escolhemos nossos amigos e amores, por quais motivos sentimos repulsa por uns e atração por outros. A sabedoria popular já cunhou aprendizagens: “diga com quem andas e te direi quem és”, “o essencial é invisível aos olhos”, “quem vê cara não vê coração”, “as aparências enganam”.  Na organização política da sociedade ou entre os amantes as metáforas zebra/jumenta e Layton/Kaydon produzem ensinamentos essenciais. O que parece igual pode não ser, o que parece diferente também não. 

         A metáfora da zebra e da jumenta talvez seja mais aplicável à esfera política. Inclusive tomada cada parte individualmente. Mas pintar-se com a cor do eleitor é o desejo mais profundo de qualquer político. Durante o mandato, vem a chuva e a tinta se apaga. Mas aí, como já houve aquele enamoramento, a gente acaba gostando da jumenta, embora de listras falsas. Se eu falar do amor, então, a metáfora ganha nova roupagem. No início, para seduzir e encantar, cada amante se pinta com o colorido do outro. Mentem gostos, gestos, ideais. Quando a sedução consumou-se, é hora da chuva. As listras desbotam, mas o vínculo já alcançou sua têmpera.

         Layton e Kaydon exigem perspicácia aos olhares. Na política, por exemplo, as diferenças aparentes podem não ser tão antagônicas. Quem tem olhar mais agudo, percebe a igualdade sob as aparências. Aplicada ao amor permite, me parece, relacionamentos mais duradouros. Quantos casais tão diferentes zanzam por estáveis e felizes. Transpor o superficial aprofunda o conhecimento do outro nas matérias mais íntimas. Layton e Kaydon parecem filhos de pais diferentes. Mas se fizermos um DNA, descobriremos que o pré-conceito nos engabelou.

         A etimologia da palavra inteligente - ao menos a que tenho conhecimento - significa “ler o interior”, desvelar o cerne além da casca. Considerando que nos orgulhamos por sermos o mais inteligente dos seres, jamais poderíamos ter juízos superficiais nem na política, nem no amor. Da primeira depende nossa sobrevivência; do segundo nossa felicidade. Estar vivo e feliz é o máximo essencial!

Pablo Morenno



Escrito por Pablo Morenno às 21h07
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Cachoeirinha

Cena da encenação teatral da turma 101 do INEDI, sobre a crônica ÓRFÃOS DOS FILHOS de meu. O teatro foi muito emocionante.

Personagens de meu poema infantil A CASA MÁGICA. Alunos da quinta série do INEDI.

O escritor e compositor Sérgio Napp, eu, e Loreta,sua esposa. Noite de entrega do prêmio Mário Quintana.

Momento da palestra com os alunos de 5a. a 8a. Séries das Escolas Municipais. Feira do Livro de Campo Bom.

Momento da "bênção de leitor" com os alunos da Pré-Escola. Feira do Livro de Campo Bom.

Autógrafos para as crianças da pré-escola. Feira do Livro de Campo Bom.



Escrito por Pablo Morenno às 22h03
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Porto Alegre

Estive em Porto Alegre nos dias 18, 19 e 20.

Dia 18, chegamos à tarde e tomamos um café com a Elaine Maritza da Editora Artes e Ofícios. Elaine está selecionando as crônicas para meu próximo livro que tem o título provisório de A FLOR DE GUERNICA.

No dia 19, pela manhã, estive no INEDI-Cachoeirinha. Os alunos trabalharam meus livros na quinta série, UM MENINO ESQUISITO, e no primeiro ano do segundo grau, POR QUE OS HOMENS NÃO VOAM. As duas turmas apresentaram um teatro baseado em meus textos e foram emocionantes.

19, à noite, recebi o terceiro lugar na categoria Crônicas, do Concurso Mário Quintana de Literatura. Eu esperava o primeiro, mas... A noite foi superagradável na companhia do escritor Sérgio Napp, também diretor de cultura da Casa Mário Quintana. Napp, na mesma noite, recebeu o prêmio Palavra Viva, dada a autores gaúchos pelo conjunto da obra. Aliás, Napp, em seu discurso, me consolou pelo terceiro lugar: “Todos lembram dos concursos que participei como escritor ou como compositor e fui premiado. Mas eu participei de muito mais festivais, nem fui classificado. Na verdade a gente perde muito mais do que ganha”. Por isso, fiquei feliz com o terceiro lugar, considerando até que foram 200 textos do Brasil inteiro. Na nossa mesa, também Nóia Kern, da área cultural e de literatura da Casa Mário Quintana, a Loreta, esposa de Napp, Caio Riter e Elaine Maritza.

Dia 20 estive na Feira do Livro de Campo Bom. Embora os alunos receberam os livros encima da hora, foi um bom trabalho. Principalmente com o Ensino Fundamental. A minha ida a Campo Bom foi acertada apenas uma semana antes, em razão de minha viagem a Porto Alegre. Mas gostei muito. Valeu pelo esforço dos professores em trabalhar em poucos dias meus livros.

No próximo post fotos. Aqui, para alegrar os olhos, as flores de natal ao lado da Igreja Anglicana. Vista da manhã do dia 19 do quarto 802 do Hotel Açores, na Andradas.



Escrito por Pablo Morenno às 21h56
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Porto Alegre

Por três dias estarei na capital do estado, Porto Alegre. Amanhã à noite, eu e Dani vamos jantar com o escritor Caio Riter e sua esposa Elaine. Elaine está fazendo a leitura crítica de meu próximo livro de crônicas.

Quinta pela manhã, estarei no INEDI- Cachoeirinha, palestra para os alunos do ensino fundamental e ensino médio.

Quinta à tarde, reunião do o editor e escritor Walmor Santo.

Quinta à noite, saberei em que lugar fiquei no Concurso Literário Mário Quintana.

Sexta de manhã, palestra com os alunos das escolas municipais de CAMPO BOM.

Sexta à tarde volto a Passo Fundo.

Sexta à noite, despedia de minha amiga Marisa. Marisa passou num concurso da Justiça Federal, vai trabalhar por um tempo na Vara Federal de Cruz Alta.

Sábado, casamento da Flávia Freitas que promete....

Semaninha agitada essa.



Escrito por Pablo Morenno às 21h30
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Carta Aberta

CARTA ABERTA A MUHAMMAD YUNUS

Prezado ex-colega:

         Nós, banqueiros do mundo, reunidos em assembléia extraordinária, decidimos dirigir a Vossa Senhoria a presente carta por seu Prêmio Nobel da Paz de 2006. Esperamos que o senhor – esperto porque já foi dos nossos – entenda que a expressão “ex-colega” já lhe antecipa o teor da presente.

         Parafraseando, utilizaremos suas palavras quando do anúncio do prêmio: “Não conseguimos acreditar. Todo mundo está dizendo que Vossa Senhoria, nosso ex-colega, ganhou o prêmio Nobel da Paz de 2006. Não conseguimos acreditar.”  Notícia estarrecedora, uma desonra para nossa classe, afronta e desafio. Arremessa ao léu nossas conquistas seculares na trilha do grande Mayer Anschel Rothschild. Revira-se no túmulo, o mestre, pela heresia de sua conduta, acintosa e cáustica com nossos vetustos princípios.

         Senhor Yunus, o senhor foi excluído de nossa sociedade, de nossos jantares, de nosso estatuto, por falta grave. Desrespeitou – este prêmio o ratifica sobejamente – o artigo 121: “Um banqueiro jamais emprestará dinheiro para pobre”; o artigo 171: “jamais emprestará dinheiro a juros baixos” e o artigo 666: “jamais emprestará dinheiro sem garantias”.

         Yunus, você – a partir de agora o trataremos assim – nos humilhou e difamou. Seu coração mole, sua falta de avareza, sua preocupação com o bem da humanidade chegou ao limite do intolerável e ao extremo da idiotice. Muito nos estranha que tenha tido esta idéia ridícula de “Banco dos Pobres” ao voltar dos Estados Unidos. Que desperdício. Deram-lhe a oportunidade de estudar na maior nação capitalista do mundo e, na volta, em 1974, o ex-colega fica emocionado com a fome em sua Bangladesh.

Ora, ora! Jesus – o judeu como Rothschild - já disse “pobres sempre tereis entre vós”. Que graça tem ser pobre sem passar fome? Até Jesus você afronta. Quer terminar com os pobres! Ora, pobres se terminam justamente com a fome. Você tem bom coração. Isso é muito idiota, ex-colega, muitíssimo idiota.

         Outro motivo de sua excomunhão é pelo mau exemplo esparramado. Nossa classe corre muitos mais riscos. Principalmente com a justificativa da Academia Sueca - esses estúpidos– para a sua escolha: “Uma paz duradoura só pode ser atingida se grupos conseguirem achar uma forma de escapar da pobreza. Yunus mostrou que até os mais pobres podem trabalhar para gerar seu próprio desenvolvimento.”

Sua idéia estapafúrdia de um banco para os pobres está sendo imitada até no Brasil. Num futuro próximo, todos os economistas do mundo passarão a acreditar que a paz, realmente, se alcança com a míngua das desigualdades econômicas. Vincular a paz à economia é uma de suas piores e nefastas idéias. Jamais esperávamos algo assim de um dos nossos. 

         A presente carta aberta é para comunicar publicamente: Não estás mais entre os nossos. Mas lembre-se. Você, ao semear na economia a semente da paz, foi quem primeiro nos repudiou e cuspiu pra cima. Com a paz a economia de mercado não subsiste, seu bocó!

         ABM – Associação dos Banqueiros do Mundo. Seguem as assinaturas, no original.

Pablo Morenno



Escrito por Pablo Morenno às 19h16
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O MUndo de Lili

Éu e Dani fomos ver O MUNDO DE LILI da CIA ARTE E PALCO. O cenário está lindo, tem uns origamis pássaros, o texto é encantador. È uma brincadeira de criança. Amanhã será a estréia, às 19h. Sábado e Domingo a peça será encenada ás 16 horas.



Escrito por Pablo Morenno às 22h15
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TEATRO

Estréia – Dia 12/10/2006,  em Passo Fundo, no Teatro Múcio de Castro, às 20h, com a peça “O Mundo de Lili”, estréia a “Cia Arte & Palco”, novo grupo teatral da cidade, coordenado pelo professor Carlos Job. Todos convidados.

Escrito por Pablo Morenno às 23h06
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A FLOR DE GUERNICA

I:

“Francisca de Souza Oliveira, 18, moradora de Novo Progresso (MT), deu à luz um menino no sábado (7) com o apoio dos médicos da FAB (Força Aérea Brasileira) que trabalham no resgate das 154 pessoas mortas na queda do vôo 1907 da Gol. Ela entrou em trabalho de parto durante o vôo que a levava a um hospital de Cuiabá, onde ela seria submetida a uma cesariana. O bebê nasceu saudável e recebeu o nome de Fabiano, em homenagem à corporação.

Oliveira começou a sentir contrações nas proximidades da base da FAB instalada na serra do Cachimbo. Diante da emergência, os médicos da unidade avaliaram a gestante e concluíram que ela precisava ser submetida a uma cesariana e que, para isso, seria preciso levá-la a um hospital de Cuiabá. Um avião da própria corporação foi destacado para o transporte.  O vôo duraria uma hora e meia. Porém, ainda durante o percurso, Oliveira -que tem mais dois filhos- entrou em trabalho de parto. O menino nasceu com 4,7 kg e 52 centímetros. Mãe e filho passam bem. Eles foram levados para o Hospital Geral de Cuiabá. (http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u126844.shtml)”

II:

         Por culpa de minha ignorância, um dia travei discussão com um amigo sobre a mais conhecida obra de Picasso, Guernica. As fotografias do bombardeamento de Guernica, que aparecem na imprensa em Maio de 1937, tocam o pintor profundamente. Passado pouco mais de um mês, e após 45 estudos preliminares, sai do seu atelier parisiense o painel Guernica. No mesmo ano, será colocado na entrada do pavilhão espanhol da Exposição de Paris dedicada ao progresso e à paz. Rapidamente se transforma num objeto de protesto e denúncia contra a violência, a guerra e as tragédias humanas.

         Smpre achei o quadro terrível. É clara a mutilação dos corpos. Um homem grita apavorado com os braços erguidos. Um cavalo agoniza. Uma mãe com um filho  morto nos braços procura a porta. Um touro que abana o rabo tranca a porta. A mãe tem um rosto de dor aterrorizante. Condensa em seu grito todas as mães do mundo, em todas as perdas do mundo. 

         Para meu amigo Guernica tinha esperança. Para mim, era só desespero. Além das figuras mutiladas, as cores cinza e preto, sinistras. Você observa mal, me lascou na cara.

         Há uma flor, me disse. É uma flor em preto e cinza, mas é flor. E essa flor, pequena, quase invisível, é a resposta. Observe melhor. Na parte inferior da pintura há um homem caído. Sua espada está quebrada, de sua não nasce uma flor. A flor está crescendo, cresce sobreposta às figuras. Ela será maior que as figuras porque está sobre elas. 

         Chegando em casa, fui para a internet, salvei a Guernica no PC, olhei com zoom. Verdade. Há mesmo uma flor imperceptível nascendo de uma mão com a espada rompida.

III:

         Fabiano é a flor da Guernica entre destroços. A flor da Guernica amazônica. O mundo é um quadro cheio de metáforas. Por culpa de nossa ignorância não vemos.

Pablo Morenno



Escrito por Pablo Morenno às 22h29
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O sabiá e os ciscos

 

O SABIÁ E OS CISCOS

 

 

Esta crônica abordará simplesmente um canto de sabiá. Estou avisando desde o início. Assim você não perde tempo. Pode passar logo ao resumo das novelas, às notícias de futebol, ou aos babados do findi. O primeiro para as mulheres, o segundo para os homens, o terceiro para os biléxicos. Todos avisados. Esta crônica é sobre um canto de sabiá. 

Nesta altura, chame alguém num raio de dez passos, a quem dedica amor ou afeto. Leia a crônica para ele ou para ela. Como amor e afeto não têm objeto determinado, pode chamar o cachorrinho ou o iguana. Apenas é necessário que a coisa ou a criatura seja capaz de convencer-lhe a assistir um show do Amado Batista ou a levantar-se às cinco da manhã pra acampar na Barragem de Ernestina. Algo de pelúcia ou silicone também vale.

               Aqui você está abrigado da política. Nada de surpresas sobre o avanço feminino com a viração da Ieda no estado ou a lívida volta do Olívio. Não psicoanalisarei os medos de Lula. Sabe-se das mulheres invadindo os palácios e assembléias, em boa hora. Elas, graças às calcinhas, de tecidos frágeis e quase transparentes, não ocultarão dinheiro nas partes. Além disso, como aprendi num folheto do ginecologista, seu órgão é mais exposto que o nosso e, portanto, mais propenso à infecção. Assim, mulheres – inteligentes e cuidadosas - jamais colocariam notas sujas em local tão delicado. Se Affonso Romano tiver razão, ou seja, que as mulheres tem uma capacidade estranha de tratar a tudo como a um filho, estamos bem. Que elas governem com seu afeto e carinho.

A tragédia com o vôo 1907 quero longe deste texto. Coisas espinhentas demais para uma crônica, dores demais para um sabiá. Tantas famílias entristecidas, velando seus mortos, tentando entender o incompreensível, aceitando a “vontade de Deus”. E Deus lá encima, além do caminho dos aviões, tentando entender a gente.  Muito destrambelhados esses meus filhos, muito destrambelhados!

Mas já que eu estou terminando a crônica sem falar do sabiá, vamos ao assunto. O sabiá é um sujeitinho pássaro que há mais de uma semana assovia num pé de cerejeira. Tem um canto interessante, diferente. Entoa uma estrofe, faz uma pausa de colcheia, depois solfeja o arremate. Por culpa da primavera, o sabiá anda desesperado. Vai das cinco da manhã ao escurecer. Comecei achando bonito, agora enjoei com tanta insistência.

               Googlei sobre sabiás. Sabiás cantam para atrair uma fêmea nestes tempos de primavera. Quando a fulana aparecer, deixará de cantar. Impossível assobiar e juntar com o bico ciscos para o ninho, ou, mais tarde, levar minhoca para os filhos... O sabiá, como a gente, insiste dia após dia, e não se deixa abater porque se move pelo amor. Entre boas e más notícias, entre novelas e jogos de futebol, vamos assoviando os dias.  Eleições e tragédias são coisas esporádicas. A vida se sustenta de firulas e de amor, em múltiplas espécies. Tudo é motivo para assovio, tudo é cisco.

 

Pablo Morenno

 



Escrito por Pablo Morenno às 21h50
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Notícias

Minhas aulas na UPF me impedem de escrever aqui. Mas volto com boas notícias.

Já votei hoje, em Passo Fundo está nublado e faz um pouco de frio. Apesar da situação política não há escolhas sem riscos. Tipo esta tragédia com o avião da Gol. Inexplicáveis coisas acontecem.

As boas notícias são duas:

1- Estou indicado ao  2º Prêmio Mário Quintana, deste ano em que se comemora o centenário de seu nascimento. Não sei qual a categoria, porque participei nas três e eles não informam a categoria nem o lugar da premiação. Estou entre os três primeiros de alguma categoria. Dia 19/10, na Casa de Cultura Mário Quintana, receberei o diploma e a placa. Aí vou saber.

2- Fui comunicado esta semana que fui escolhido para livro do mês de marÇO/2007 da Capital Nacional da Literatura, esta minha cidade, claro. Fui avisado esta semana que a Comissão da JOrnada Nacional de Literatura me escolheu. Estou tentando transferir para maio, em razão do trabalho prévio que quero fazer com as escolas da cidade. È uma honraria porque os nomes indicados até agora são feras: INÁCIO DE LOYOLA BRANDÃO, LUIS AUGUSTO FISCHER, CAIO RITER, JORGE FURTADO....

CACHOEIRINHA - Dia 19/10, aproveitando que irei a Porto Alegre, estarei em Cachoeirinha no colégio INEDI. A visita estava programada para 07/10, mas em razão de minha ida no dia 19, acertados tudo numa cajadada só.



Escrito por Pablo Morenno às 14h50
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