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OS DENTES
OS DENTES DOS CANDIDATOS
Tenho pensado em votar nulo nas eleições do próximo domingo, mas, apesar de tudo, acho muito covarde. Votar nulo é perder a esperança, como ela sempre morre por último, estaria eu morto por lógica aristotélica. Nada animador.
Pior do que estar morto é tentar achar um critério adequado para escolher um bom candidato, que não nos mate de desgosto depois, nem seja mais salafrário do que a gente imaginava.
Sempre assisti a programas políticos, analisei propostas, me informei sobre o passado dos caras. Fiz tudo direitinho, como mandam os analistas políticos, as cartilhas dos intelectuais, os sermões de padres e pastores. Tudo isso não foi suficiente, por causa da dinâmica dos líquidos de Daniel Bernoulli e por culpa da dialética de Hegel. Ninguém me garante de que o que foi bom até hoje continue sendo. Serviu-me mais um ditado espanhol: “Todos son buenos hasta que dejen de serlo”.
Durante a propaganda política busquei uma característica que trouxesse certeza científica da índole do candidato. Como já expliquei acima, propostas e passado do sujeito são grandes armadilhas. Fernando Henrique pediu para que esquecessem seu passado, Lula não reconhece mais nem o PT. Como escolher, a quem recorrer? Rezar? Fazer passe? Descarrego? Promessa? Chamar alguma amiga wicca?
Eis meu critério. Para um voto sem arrependimento, observe os dentes do candidato nos “santinhos” da campanha. Há três tipos: os que não os mostram, os que mostram dissimuladamente e os que sorriem com a boca arreganhada.
Os que não mostram os dentes querem nos intimidar. Proclamam seriedade e compostura. São defensores da ordem e da moralidade. Marginais na cadeia, cidadãos de bem nas ruas. Quase sempre os cidadãos de bem são brancos, estudados, e andam de cores escuras ou pastéis. Ganharam riquezas graças a seu esforço e não são como estes vagabundos que não estudam e não trabalham.
Os que sorriem dissimuladamente parecem tirar saro da gente. Talvez sejam os mais cristalinos. São malandros típicos, com um olhar de sacanagem explícita. Você imagina os dentes, mas não aparecem. Como não são sérios, nem arreganhados, ora se juntam a uns, ora a outros. Depende dos ventos, quer dizer, dos proventos.
Olhe bem os que mostram as arcadas de cima e de baixo. Dentes perfeitos, mas tudo de laboratório. Não ache que aqueles dentes brancos, cândidos, são autênticos de nascença nos candidatos. São falsos, facetas de porcelana, resina, riso de moldes. São dentes fortes, encaixe perfeito. Olho para eles meio cabreiro. Com quem se divertem? Riem do quê?
Meu critério dos dentes talvez não te ajude na melhor escolha nas eleições de domingo. Mas é um bom aviso. Mostrando ou não mostrando os dentes, mais cedo ou mais tarde, a maioria dos eleitos acaba mordendo o povo, o orçamento, ou alguém descuidado. Como a mordida é inevitável, escolhemos com nossos melhores critérios, e nos vacinamos de consciência política. Quanto aos de mordida mais infecciosa - na próxima eleição - arrancaremos seus dentes, lhes daremos uma dentadura de plástico e os mandaremos pastar. E tudo isto a gente só pode fazer com o voto.
Pablo Morenno
Escrito por Pablo Morenno às 20h20
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Publicação ZH
O texto abaixo foi publicado hoje no jornal Zero Hora:http://www.clicrbs.com.br/jornais/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&edition=6424&template=&start=1§ion=Artigos&source=Busca%2Ca1294791.xml&channel=9&id=&titanterior=&content=&menu=23&themeid=§ionid=&suppid=&fromdate=&todate=&modovisual=
Escrito por Pablo Morenno às 20h27
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Cabides
CABIDES
Não são apenas as peças de roupa dos grandes desfiles que não encontram seu posto nas ruas. Seus cabides também. Corpos esguios, esquálidos, esqueléticos, anoréxicos. Meninas e mulheres do mundo, para se encaixarem nas roupas das passarelas, punem-se com cirurgias e fome. As incapazes para a fome ou pobres para cirurgias, comem e vomitam. Bulímicas. Modelos, por sua própria semântica, são referências e paradigmas.
Por causa do predomínio da forma sobre o conteúdo, olho a moda com desconfiança. E vou além. Detesto formalidades e protocolos até mesmo na literatura. Por isso, fui vitimado por sóbria alegria ao ler - no caderno Donna do jornal Zero Hora do último domingo - que a semana de moda mais tradicional da Espanha impôs um limite às formas das modelos. Limite inesperado e desconcertante para o mundinho fashion. Se, antes, as manequins precisavam passar a água e alface às vésperas dos desfiles, desta vez exigiu-se o contrário. Nenhuma modelo como massa corporal menor que 18 poderá desfilar. O IMC – índice de massa corporal – se alcança dividindo o peso pela altura ao quadrado. De acordo com especialistas, um adulto saudável deve ter seu IMC entre 18,5 e 24,9. Fora às magérrimas!
Mesmo com a irresignação da indústria da moda, o governo regional de Madrid, que patrocina o evento, não voltou atrás. E justifica sua decisão ante o forte impacto que a moda tem sobre as pessoas, sobretudo as adolescentes. Nada de corpos idealizados, ou que remetam à bulimia ou à anorexia. A indústria da moda tem responsabilidade com a imagem feminina que propaga.
Não sou especialista fashion. Mas concordo com os espanhóis. Uma vida saudável desfila em equilíbrio. Se a obesidade mórbida é combatida pelos governos e pelos médicos, a magreza extrema também deve sê-lo. A estética e a saúde são gêmeas belíssimas. Não precisam andar grudadas como siamesas, nem se digladiando como irmãos por herança.
O mundo da moda parece querer expiar seus pecados. Após a decisão do governo madrileno, Letizia Moratti, prefeita de Milão, outro grande centro da moda, informou a um jornal italiano que o veto às magricelas pode chegar à semana milanesa. Se as coisas andarem nessa cadência, Gisele Bündchen terá mesmo de investir na carreira de atriz. Ou voltar a Horizontina para fartar-se com muita comida alemã.
Vejo coerência em algumas restrições ao mundo midiático. Pouco adianta o governo, com o dinheiro de todos, gastar milhões em saúde, se os meios formadores de opinião puxarem o trem contra a locomotiva. Baniu-se o cigarro dos horários nobres, reduziu-se a propaganda de bebidas alcoólicas, e agora o mundo da moda começa a questionar seus padrões. Sempre ouvi falar que num bom cabide qualquer roupa fica esplêndida. Agora descobri que um bom cabide não é apenas um objeto alongado e esguio. Um bom cabide precisa ter muita saúde, e isso não afronta à beleza. As mulheres do mundo agradecem.
Pablo Morenno
Escrito por Pablo Morenno às 19h39
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Lajeado -Fotos
Crianças da Escola de Ensino Fundamental São Bento me entregam um menino esquisito feito por eles.
Momento do "Batismo de Leitor". No final de minha conversa com as crianças eu falo da importância da leitura e faço um batismo de leitor. Eles adoram.
Escrito por Pablo Morenno às 16h39
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Lajeado
Você já imaginou uma escola com projetos de leitura, ar condicionado, bonita, com professores legais, com uma bela biblioteca? Acha que é uma escola particular. Não. Está enganado. É assim que são as escolas da rede municipal do município de Lajeado. Lá estive dia 14.09.2006.
Com a companhia da Daniela e da Cris tive momentos de alegria e emoção com as crianças leitoras de meu livro UM MENINO ESQUISITO. Participaram do encontro alunos da escola São João, da Escola São Bento e da Escola Porto Novo.
Os alunos da Escola de Ensino Fundamental São Bento me entregaram um menino esquisito feito por eles. Como eu apaguei minhas fotos, a professora Angélica mandou as fotos abaixo e o seguinte e-mail:
Querido Pablo Morenno!
Foi muito bom termos compartilhado de tua companhia. Já estávamos envolvidos com tuas obras (até "oficina de menino esquisito" fizemos!). Mas interagir contigo foi ainda melhor. Foram momentos mágicos de aprendizagem. O "batismo de leitor" foi o máximo!!!
Anexo: Fotos do encontro do dia 14/09/2006 com destaque para o momento em que alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental São Bento entregam ao escritor um "menino esquisito" como agradecimento pela oportunidade de ver o escritor tão de pertinho!
Um grande beijo e um balde cheio de flores para ti!!!
Roseli Angélica Berté Marcus - Coordenadora pedagógica - EMEF São Bento.
Já estou descobrindo que ser escritor é muito melhor do que ser rico!
Escrito por Pablo Morenno às 16h23
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Colégio Rosário
O Colégio Rosário é uma escola da rede estadual que tem uma preocupação especial com a motivação de seus alunos ao livro e à leitura. Convidado pela Prof. Tânia eu estive lá, em Santa Cruz do Sul, no dia 13/09, para repartir com os alunos meus livros e minhas falas. Foi um momento muito especial, sobretudo porque o esforço para levar um autor, quando a escola tem poucos recursos, é sempre muito mais gratificante. É deste modo que professores e alunos, coordenados pela diretora Magda, trabalham o ano inteiro em promoções para arrecadar os fundos. E graça a este esforço eu estive lá para conhecer os alunos, o colégio e pessoas tão diferenciadas quanto a Tânia, a Magda, a Margarete e sua gata Januária e tantos outros professores. O livro provoca mudança no mundo, mas só porque existem pessoas como essas.
Peço desculpas porque eu, sem querer, apaguei todas as fotos de minha máquina. As fotos abaixo foram tiradas apenas na parte da tarde pelo fotógrafo contratado pela escola. Fiquei sem fotos da manhã e da noite.
Escrito por Pablo Morenno às 16h04
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Os outros
OS OUTROS
A trágica morte de Angélica Weissheimer me faz refletir sobre o papel dos outros na nossa vida. Angélica foi assassinada por um motorista que ultrapassou no momento errado. Todo mundo quando viaja fala que não basta dirigir com cuidado. Além de tudo, é preciso contar com o bom senso dos outros. Os outros estão sempre pondo em risco ou ajudando. E isto acontece sempre, a toda hora, e não apenas nas estradas.
Como num jogo de xadrez, o ser humano é, certamente, o animal do universo que mais dependente dos outros para atravessar o tabuleiro do mundo. Da concepção à morte, cada passo que damos é configurado muito mais pela vontade alheia do que pela nossa. Fingimos que somos autônomos, senhores de tudo. Grande ilusão.
Antes de nosso nascimento, precisamos da atração entre um outro e uma outra. Uma cópula de estranhos juntou gametas e aportamos no mundo. Concebidos, precisamos do sangue e dos nutrientes de nossa mãe. Nascidos, precisamos de um seio, carinho e afeto.
Um pintinho irrompe a casca e logo está correndo no pátio e procurando alimento. Rompida a bolsa, desaguamos ao mundo frágeis, imóveis, e desdentados. Os outros nos protegem, nos cuidam, nos alimentam liquidamente na boca até endurecermos os ossos, até nascerem nossos dentes para mordermos o primeiro outro, o bebê de um vizinho que se apossou de um brinquedo nosso.
Ente os outros, os pais são os primeiros. Logo receberão o auxílio dos colegas de escola, dos amigos na adolescência, da mulher ou homem de nossa vida, do chefe, dos políticos que escolhem e decidem por nós. O cotidiano está cheio de outros, e outros, e outros. E como dizia Sartre, são um inferno.
Não é apenas nas estradas que o erro dos outros nos mata e seu acerto nos salva. Todos os dias, os outros nos ajudam e nos atrapalham, nos motivam e nos sacrificam, nos animam e nos desanimam, nos alegram e nos entristecem. Os outros, com seus erros e acertos, determinam quase tudo o que somos. E o pior é que, por bem ou por mal, somos feitos para a intersubjetividade, com seus bônus e ônus. O inferno quase sempre são os outros. O paraíso também.
Por essas e outras razões, é preciso o cuidado a si próprio, mas, sobretudo, o cuidado dos outros. Talvez tenha sido por isto que Jesus recomendou o amor aos outros como o amor a si mesmo. Se estivermos rodeados de boas pessoas, de gente prudente e sensata quando dirige, quando governa, quando ensina, quando trabalha, estaremos a salvo.
O mundo seria muito melhor se, a cada conduta individual, pensássemos no impacto nos outros. Pense o pai no filho, o professor no aluno, o escritor no leitor, o político no eleitor.
Se aquele motorista tivesse pensado que na outra pista alguém poderia estar vindo, jamais se arriscaria em uma ultrapassagem perigosa e fatal. Contrário do que se diz por aí, tanto nas estradas quanto na vida, não acho importante vigiarmos os erros dos outros. O mais importante é cada um de nós nunca esquecer que somos o outro dos outros. E tratar de não ter nenhuma conduta, na estrada ou na vida, capaz de machucar, ferir, ou matar. Querendo ou não.
Pablo Morenno
Escrito por Pablo Morenno às 15h04
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Semana
Meus compromissos da semana:
13/09 - quarta-feira = Colégio Rosário, Santa Cruz do Sul. Manhã, tarde e noite.
14/09 - quinta-feira = Escolas Municipais de Lajeado - Manhã e tarde.
15/09 - sexta-feira = Câmara Municipal de Vereadores de Passo Fundo - Cerimônia de outorga do título de Cidadão Passofundense ao português Pedro Lima.
Escrito por Pablo Morenno às 15h00
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LUTO
Recebi estupefato esta tarde a notícia da morte de minha amiga ANGÉLICA WEISSHEIMER , apresentadora da RBS TV Passo Fundo. Angélica, que tinha uma alegria debochada fora do vídeo, foi um exemplo de dedicação ao bom jornalismo. Além de excelente profissional, sempre prestou serviço voluntário como apresentadora de eventos comunitários como o Festival de Foclore e a Jornada Nacional de Literatura. Angélica morreu em um acidente voltando de Erechim onde houve um churrasco hoje de meio dia com o pessoal da CARAVANA PELO RIO GRANDE da RBS TV, versão estadual do programa CARAVANA DO JORNAL NACIONAL. Angélica seguiu a profissão do pai, um radialista famoso aqui na cidade. Meus sentimentos especiais a seus familiares e amigos. Angélica é irmã de Marco Weissheimer, jornalista da agência Carta Maior de São Paulo. Mais uma vida levada pela imprudência de uma motorista que, com sua caminionete em alta velocidade, entrou na contramão e causou o acidente. Angélia, deboche aí dos anjos!
Escrito por Pablo Morenno às 22h02
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O ENTERRADOR DE CARTAS
No tempo em que ainda não havia outra forma de comunicação, exceto as cartas, surgiu um homem na terra dos mortais. Cresceu normal como os meninos de seu povo, corria nas estradas, fazia cata-ventos e até prendeu alguns passarinhos na gaiola.
Para que eu fale dele devia ter algo diferente. E tinha. Mas a diferença apenas começou a tomar forma quando chegou a juventude. Sem que ninguém soubesse, descobriu um modo de entrar nos Correios à noite. Enquanto todos dormiam seu sono e desfiavam seus sonhos, ele, sorrateiramente, abria todas as correspondências à espera de classificação. Não só ignorava ser esse um crime previsto no Código Penal do país, como achava ser uma obrigação sua, pois, se não abrisse as cartas, a insônia arregalava seus olhos por noites e noites.
Nosso homem não era um obsessivo com a intimidade dos outros: preocupava-lhe o conteúdo, jamais o destinatário ou remetente. Ele leu a carta de cobrança, nunca soube que era para o professor. Leu a carta desfazendo o casamento, nunca soube que era para Tereza, a catequista. Leu a ameaça de morte, nunca soube que era para Pedrão, o açougueiro. Estas foram algumas, entre milhares. A última foi uma declaração de guerra. Talvez você se pergunte como uma declaração de guerra foi parar numa pequena agência dos Correios. Eu também me fiz esta pergunta. Mas ainda não consegui a explicação.
Todas as cartas que não achava dignas ele as enterrava num jardim sob um pinheiro e plantava, na cova de cada uma, um lírio da paz. No lugar da mensagem ruim, colocava algo melhor. Fazia tudo com muita destreza e perfeição. Até desenvolveu uma inigualável arte de imitar a caligrafia. Para o professor, mandou uma carta com cem dinheiros pelos eminentes serviços prestados à educação do povo. Para Tereza, copiou de Camões um poema de amor. Para Pedrão, mandou a música “Canção da América” do Milton Nascimento. No lugar da declaração de guerra, mandou um poema de Thiago de Mello.
Nosso homem era feliz e fazia feliz a pequena cidade onde morava. As crianças dos arredores vinham todas as tardes olhar o seu pátio. Para compensar sua infância de carcereiro dos pássaros, além daquela mania de trocar as cartas, passou a alimentá-los em seu quintal com quirera e alpiste. As crianças vinham ver a ceia dos pássaros. Sabia estar ajudando muito o mundo. Ignorava se era Deus, ou se era a sorte, alguém também o ajudava. Dormia bem ao lado de sua mulher e acompanhava suas cartas mudando a vida do lugar fazendo-se de sonso, como se nada tivesse a ver com o assunto. Não havia assassinatos, amores desfeitos, nem vizinhos tendo que vender os filhos como escravos para pagar dívidas.
Na manhã deste domingo, a mulher amada de nosso homem, recebeu muito cedo o carteiro em sua casa. Tinha um pacote vindo do estrangeiro. Dentro uma caixa de bombons remetida a seu marido. Ao procurá-lo para entregar-lhe o presente, percebeu sua ausência. Sendo a única que sabia daquele estranho hábito do amado, foi até o jardim sob o pinheiro. À sombra da árvore, jazia um cadáver e estilhaços de bomba. Entre pétalas brancas, uma carta rasgada em que se podia ler, entre outras coisas:
“Para o enterrador de cartas de um povoado longínquo.(...) O Senhor do Mundo jamais aceitará dividir o poder. Só um pode interferir na paz e na guerra.(...) O Senhor do Mundo deseja que você vá enterrar cartas no céu!”
A amada de nosso homem leu as palavras em português. Mas, juntando os vários pedaços, percebeu palavras em várias línguas do mundo. Como ninguém até estas horas da tarde regou os lírios de paz, advirto a todos ser preciso regá-los antes do meio dia de amanhã. E tampouco esqueçam de alimentar os pássaros.
Escrito por Pablo Morenno às 07h08
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Crônica pronta
O Jornal O GLOBO traz notícia de um carteiro italiano de 53 anos que escondeu em seu apartamento toneladas de cartas. Ao invés de entregá-las aos destinatários, ele as organizava e guardava em casa. Foi necessária a ajuda de um caminhão para retirar de seu apartamento as cartas que ocupavam três quartos. A polícia só descobriu porque, de todas as cartas que não chegaram ao destinatário, havia quinze queixas. Contas, cartões, cobranças, declarações de amor, tudo ficou parado na casa do carteiro. Quantas mudanças aconteceram no mundo por sua omissão! É difícil avaliar se isso foi bom ou ruim. Como poderia existir entre as cartas uma declaração de amor que não chegou, também deve ter existido alguma declaração de rompimento. Como os apaixonados são impetuosos, o carteiro evitou o fim. NO outro dia, depois de a carta já estar no correio, o remetente se arrependeu. Por cuidado do destino, a carta não chegou... E tudo se deu como se nada houvesse acontecido.
Esta mesma história, ou similar, aconteceu em uma cidade do Rio Grande do Sul. Só que o carteiro gaúcho enterrava as cartas. Eu, na época, escrevi um texto chamado "O enterrador de cartas". Vou procurá-lo e, se o encontrar, postarei aqui.
Escrito por Pablo Morenno às 06h54
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Concurso Mário Quintana
No ano do centenário do poeta Gaúcho Mário Quintana, sinto-me feliz de estar selecionado no concurso que leva seu nome. Qual premio exatamente eu não sei pois enviei texto para as três categorias: conto, crônica e poesia. Entre os selecionados estão os três primeiros lugares de cada categoria e as menções honrosas. A comissão organizadora só anunciará os vencedores e as categorias num evento em Porto Alegre no mês de outubro, sem data certa ainda. Bom, só posso dizer que alguma que, no mínimo eu terei uma menção honrosa em alguma categoria. Vamos aguardar.
Escrito por Pablo Morenno às 06h47
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