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PABLO MORENNO
 

Conselhos para escrever

NELSON DE OLIVEIRA, escritor paulista, sugere 06 conselhos para quem quer escrever boa prosa. Como muitos me escrevem pedindo conselhos, acho melhor indicar quem realmente entende do negócio e tem mais gabarito do que eu para aconselhar. O artigo completo está no jornal O RASCUNHO: http://rascunho.ondarpc.com.br/index.php?ras=secao.php&modelo=2&secao=3&lista=1&subsecao=10&ordem=898

 

Primeiro conselho: importante para quem deseja escrever boa prosa (conto, novela ou romance): não deixe de ler bons poemas. Digo isso porque tenho notado que a maioria dos prosadores não aprecia a arte poética, assim como a maioria dos poetas não aprecia a arte da prosa. Isso não é sinal de inteligência. A arte da prosa e a do verso, quando dão as mãos, lucram bastante uma com a outra. Não resta dúvida de que a maior parte da má prosa escrita no mundo nasce de prosadores que ganhariam muito se fossem mais poéticos, do mesmo jeito que boa parte dos maus poemas escritos no mundo nasce de poetas que ganhariam muito se fossem mais prosaicos.

O prosador deve apreciar não só os bons poemas como também a boa música, o bom cinema, o bom teatro, a boa arte erudita e popular (os quadrinhos, os videogames, a MPB, os seriados de tevê). Como já foi dito (nunca é demais enfatizar), em seu sentido pleno, poesia é tudo o que, presente em algo feito por mãos humanas, desperta em nós o sentimento do belo. Daí ser bastante pertinente falar da poesia do conto, da novela, do romance, da música, do cinema e da própria poesia: do haicai, do soneto, da elegia, da ode, da epopéia...

As resenhas, os ensaios, as dissertações e as teses, ou seja, os textos teóricos, de análise crítica e de história das artes e da literatura, também têm que fazer parte da dieta do prosador e do poeta.

Segundo conselho: importante para quem deseja escrever boa prosa: a literatura de ficção, da mesma maneira que os poemas mais interessantes, é antes de tudo linguagem, não enredo. Uma boa história não resultará num bom conto, numa boa novela ou num bom romance se o trabalho com a linguagem não for cuidadoso. O prosador não deve procurar com avidez o mínimo denominador comum: apenas a linguagem que é acessível à maioria das pessoas. Quem faz isso são os autores de best-sellers, simples contadores de histórias, não os verdadeiros escritores. Mas atenção: isso não significa que o inverso seja verdadeiro. A narrativa e o poema herméticos, acessíveis apenas aos poucos leitores iniciados, não são obrigatoriamente verdadeiras peças literárias. O valor poético de certas narrativas e de certos poemas experimentais brota muitas vezes do equilíbrio: a linguagem nem é cifrada demais nem banal demais.

Terceiro conselho: importante: evite os estereótipos, fuja dos clichês, corra dos chavões, não marque encontro com os lugares-comuns. O critério originalidade não é exclusivo apenas do desfile das escolas de samba, ele ainda faz sentido também na atividade literária. Evite as representações engessadas do amor romântico, da luta de classes, do sentimento religioso. Evite principalmente imitar o estilo e repetir os temas dos autores canônicos, sejam eles realistas, surrealistas, concretistas, regionalistas ou existencialistas.

Quarto conselho: bons sentimentos não fazem boa literatura. Afaste-se do tratamento edificante, repleto de boas intenções. A sociedade está cheia de defeitos, porém a melhor forma de propor soluções não é produzir literatura doutrinária: prosa e versos panfletários, com o objetivo de defender determinada crença política, social ou religiosa. A literatura é sempre do contra, sua função é desmascarar a hipocrisia oculta em todas as causas, por mais nobres que sejam. É por essa razão que o poder muitas vezes rejeita a boa literatura, tentando amordaçar os autores mais críticos e contundentes.

Quinto conselho: a função da boa literatura não é entreter e deleitar, mas inquietar e provocar o leitor. O pintor japonês Kazuaki Tanahashi diz isso de maneira mais suave: "O que é agradável aos olhos não é perigoso". Se a narrativa e o poema passam o tempo todo adulando o leitor, dando-lhe somente o que ele deseja, evitando constrangê-lo ou contrariá-lo, essa narrativa e esse poema são péssimas peças literárias. Mas atenção: isso não significa que o inverso seja verdadeiro. A narrativa e o poema que passam o tempo todo insultando o leitor, criando constrangimento e mal-estar perpétuos, não são obrigatoriamente verdadeiras peças literárias. Muitas vezes o valor poético de certas narrativas e de certos poemas está no jogo entre a delicadeza e a grosseria, entre a suavidade e a dureza, entre o doce e o amargo.

Sexto conselho: liberte o humor e a fantasia. O senso de humor e a imaginação exacerbada têm grande importância na literatura contemporânea. A função da literatura é criticar a realidade em que vivemos, é mostrar as mazelas da sociedade e do ser humano. Não existe crítica mais contundente do que a do humor sofisticado, que faz o leitor sorrir e ao mesmo tempo refletir sobre os problemas do mundo. Muitas vezes esse humor nasce dos exageros da imaginação: para fugir dos clichês e dos estereótipos, o escritor passa a usar e a abusar da matéria literária, criando neologismos, fraturando o discurso e compondo mosaicos, parodiando autores consagrados, misturando matéria-prima erudita (os clássicos) e vulgar (a cultura de massas), ou seja, enlouquecendo saudavelmente seu texto.

O humor, o nonsense e a irreverência são ótimas portas para a liberdade plena a que eu me referia há pouco. Não estou falando da piada, do deboche ou da palhaçada, cujo objetivo é arrancar gargalhadas da platéia. Estou falando do humor sofisticado, também conhecido como "exercício de lógica sutil" (Pirandello) que revela os aspectos ridículos e incoerentes dos seres humanos e a hipocrisia das relações sociais. Mas é importante que o escritor saiba rir dos outros e também de si mesmo. Não levar tão a sério nem mesmo a prática literária, esse é o caminho para o autoconhecimento.

 



Escrito por Pablo Morenno às 21h18
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Eu tinha avisado

Como a Analice me lembrou, no comentário do post GUERRA, fui ver o pessegueiro da crônica que vocês leram lá embaixo. Como eu havia previsto, a geada de hoje acabou com os brotinhos e as frutinhas. Quem mandou deixar ser enganado pelo tempo! Adeus frutas e sementes. Este ano está perdido. Só vai servir para sombra.



Escrito por Pablo Morenno às 20h09
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Quintana

Se vivo fosse, Mário Quintana completaria hoje 100 anos. Poeta do simples e cotidiano, olhava o mundo com olhos de alguém que nunca deixou seu menino sair de si mesmo.

No retrato que me faço
- traço a traço -
às vezes me pinto nuvem,
às vezes me pinto árvore...

às vezes me pinto coisas
de que nem há mais lembrança...
ou coisas que não existem
mas que um dia existirão...

e, desta lida, em que busco
- pouco a pouco -
minha eterna semelhança,

no final, que restará?
Um desenho de criança...
Corrigido por um louco!

Apontamentos de História Sobrenatural



Escrito por Pablo Morenno às 15h28
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Guerra

Israel mata 54 civis, entre eles, 37 crianças. Não sei mais o que escrever.

Escrito por Pablo Morenno às 15h17
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Dieta

DEUS EMAGRECE

 

O mundo das dietas acaba de ganhar a mais revolucionária. Nada tão drástico como redução do estômago ou áridos jejuns. Depois da dieta do arroz, do toucinho, do gafanhoto, da cebola, a moda é a dieta de Deus. Reportagem no jornal “O Globo” informa que se prolifera nas igrejas estadunidenses esta nova mania para ajudar aos gordinhos, quase 65% dos americanos.  Fiéis obesos se reúnem nos templos e formam grupos de auto-ajuda para evitar a tentação de comer compulsivamente. 

         Mesmo que Max Weber não tivesse descoberto o segredo do capitalismo, eu perceberia. A carta na manga dos americanos é usar Deus com resultados efetivos, enquanto no terceiro mundo só O utilizamos em procissões e promessas. Puseram Deus na moeda, inventaram igrejas que motivam o sucesso, a saúde e o progresso econômico. Deus ajuda na guerra do Iraque e agora –até me estranha ninguém ter antes descoberto – o Todo-Poderoso auxilia os ianques na perda de banha. Receita simples que não veio à mente de nenhum nutricionista periférico. Talvez porque, na África e Latinoamérica, desnutridos é o que não falta. Mas, já que Deus serve pra tudo, ao menos poderíamos ter descoberto uma novena antifome.

         Em A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, Weber já descobrira o nexo entre a idéia calvinista - Deus abençoa seus fiéis com a prosperidade – e o desenvolvimento econômico de nações como EUA, Alemanha e Inglaterra. Enquanto o catolicismo insiste na mortificação e na pobreza como sinal de santidade –santos católicos são pálidos e esquálidos – o protestantismo gerou homens rechonchudos e ricos.

Outro dia ouvi na TV um pastor evangélico dizendo que Jesus pobre era invenção católica. “Ora, Jesus tinha um burro e, naquele tempo, um burro era como uma Ferrari nos dias de hoje”. Eu acho que uma Ferrari naquele tempo era uma carroça romana, mas a retórica é surpreendente.

Só há um porém. Para quem abusou do leite e mel da terra prometida – quer dizer, hambúrguer e coca-cola - há um efeito colateral: a obesidade. Mas o mesmo Deus – que multiplicou fartura e gordura - agora abençoa com a graça da elegância. Basta negociar com o criador as coisas certas ao tempo certo. E ir ao templo. 

Nós, bonzinhos e pobres, jejuamos o ano inteiro, curtimos essas longas procissões que emagrecem e, se tivermos comida, vencemos a gula e ainda repartimos com mais miseráveis. Salvo exceções, somos magros. E Deus nos dá uns políticos que roubam dinheiro público e o aplicam em contas no exterior. Alimentam-se bem e engordam por nós. Somos abençoados com a magreza. Deus seja louvado.

Essa dieta, como as outras, em nada me atrai. Só queria que mais esse caso de utilidade divina fosse exemplo para nós brasileiros. Já está na hora de superarmos esse uso restrito de Deus: só para rezas, promessas e procissões. O Supremo precisa ser mais bem aproveitado. Por exemplo, para nos ajudar a escolher políticos decentes nas eleições deste ano. Deus tem de alçar-nos ao primeiro mundo. Tenha piedade de nós, os magros!

         Pablo Morenno

***

Lançamento de livro: Giovanni Corralo lança seu “Município: Autonomia na Federação Brasileira”. Passo Fundo,  Clube Comercial, 07/08/2006, 19h. Cumprimentos.

   

Escrito por Pablo Morenno às 15h11
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Ivete SANGALO

Eu não sou fã da Ivete Sangalo, mesmo com todas aquelas pernas. Mas esta musiquinha dela que toca por aí é boa para ouvir na chuva. E tem uma letra bastante legal para os padrões.. "Eu sou céu e mar... Eu sou seu enfim". Viram o jogo ente céu e seu? Melhor que a boca loca. A Ivete Sangalo está ficando literária.



Escrito por Pablo Morenno às 20h14
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Dia do Escritor

Hoje, além de ser dia do colono e do motorista, é dia do escritor. Já que ninguém lembrou, eu me cumprimento. Parabéns Pablo, você merece!

Escrito por Pablo Morenno às 22h06
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Crônica semanal

 

ANTES QUE A CARROÇA RETORNE

Gostaria muito de ter o espaço daquela senhora em São Paulo com a tal síndrome de Diógenes. Despertou a indignação dos vizinhos e do poder público por pura inveja deles. Quem me dera, como Dona Violeta, ter uma casa enorme na metrópole pra guardar tantas coisas das ruas. Agora, por exemplo, eu trouxe um menino roubado nas calçadas. E não tenho um lugar adequado para escondê-lo dignamente.  

            Três anos ele tem, eu acho. Cabelos escuros por cor e sujeira, barriga saliente, pernas fininhas e um rostinho infinito lambuzado com doce de leite. Não pedi autorização para os pais. Distraíam-se carregando a carroça. Dedicavam-se mais ao menino maior, de seis sete anos, que atento aprendia segredos do ofício. O menor, este que eu trouxe a pra casa, ainda é pequeno. Ainda não vê diferenças entre latas e plásticos ou entre papel e tecido. São poucos seus anos de mundo pra tanto. Entre um sorriso e um tombo, largava os encantos do lixo, e interrompia a mulher sua mãe. O doce de leite estragado lhe trouxera saudades do leite escasso daquelas tetas. Enquanto no alto dos prédios pais e filhos planejavam férias na Disney, meu menino inventava seu parque entre os restos urbanos de um dia.

            Eis o menino. Não é lindo? Sozinho não viria. De jeito nenhum. Fui obrigado a trazer numa caixa o seu mundo. Latas multicores, garrafas, tampas, vidros, jornais e panelas. O menino dá cambalhotas e sorri entre os trecos. Nem imagina riscos de cortar-se com faca oxidada ou contaminar-se com bactérias de coisas podres. Atira uma tampa de bule pro alto e um avião sobrevoa. Disquinhos de papel dos perfuradores caem como estrelas em seus cabelos. Uma grande tira de papelão torna-se a montanha russa mais longa da terra. O lixo é um quarto mágico. Igualzinho ao das crianças de meu edifício.

            Olhei o menino ainda de peito em seu parque e, filhos não tendo, fiz minha escolha. Contrariando os dentistas, já que está longe da mãe, não hei de tirar-lhe a chupeta. Apenas comprei uma nova e mais limpa. Nunca jamais há de esfregá-la na terra e, depois, deliciar-se sonhando um sabor chocolate no céu de sua boca.

            O menino no meio do lixo parecia um  deusinho entre homens. Com o poder da infância transformava o lixo em brinquedos e moldava um novo mundo com restos e velharias. Este menino agora está aqui. Desde sua carinha lambuzada com doce de leite me olha pedindo cuidados e abrigo. Juntei todos os potes vazios sobre a mesa, mas menino e doçura são grandes demais pra pequenos espaços.

            Na penumbra da tarde, a família subiu à carroça e, açoitando seu velho cavalo, sumiu no horizonte da rua. Ninguém apareceu aqui em casa procurando um menino perdido. Até agora. Mas eu preciso escondê-lo antes que venham roubá-lo pra sempre de mim.

É quase meia noite. Estou exausto. Abri e fechei gavetas, troquei os móveis de lugar, reuni todos os vazios da casa. Em vão. É pouco espaço pra tanto mundo. Por falta de alternativas, estou escondendo o menino adocicado nesta crônica. Espero que você, ao contemplar sua carinha lambuzada de doce de leite, me ajude a criar um mundo maior e mais doce pra ele brincar. Temos até o sol da manhã do amanhã. Antes que a carroça retorne.

PABLO MORENNO

 



Escrito por Pablo Morenno às 21h28
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Eu tive uma sala só para mim. Foi “na” Feliz-RS. ( Aprendi a falar sem cacofonia, para não dizer EM FELIZ). Na Semana da Diversidade Cultural do colégio estadual Milton Jacó Benemann, tinha uma sala para cada escritor. E, lógico, eu tinha uma sala cheia de excelentes trabalhos feitos pelos alunos. Gravuras, escritos, releituras a partir da realidade atual e até dois vídeos. Meus parabéns aos professores e aos alunos pelo trabalho desenvolvido, pelo carinho com que me trataram e por me motivarem a continuar escrevendo e falando com jovens. Este ano, estou tendo alegrias inesperadas com escolas públicas. È um ótimo sinal dos tempos. Um bom projeto de cultura e leitura precisa mais de boa vontade do que dinheiro.

Após a participação na Semana da Diversidade Cultural na cidade de FELIZ -RS, aproveitei para visitar minha amiga Patrícia em Picada Café e passar dois dias em Canela e Gramado.

Painel de fundo de palco da 4a. Semana da Diversidade Cultural. Acho que o garoto que pintou foi o Tiago. Me mandem o nome completo. Raios de luz saem do livro e iluminam o mundo. Uma bela idéia.

Olhem que sério que estou neste momento de autógrafos com a turma da manhã.

Grupo de alunos da manhã apresentando meus textos.

 Foto sonorizada com música. Eu e o grupo de alunos da tarde. Participou também uma escola do município de BOM PRINCÍPIO.

Momento na sala "Pablo Morenno". Esta gatinha aí parecendo Gisele Bundchen coordenou os alunos na encenação de meus textos. Ao lado dela o robô para ilustrar a crônica "Máquinas para atender".

 Na sala Pablo Morenno as gêmeas. Ao fundo trabalhos sobre a crônica "sobre cacos de vidro" e à frente sobre a crônica " a raposa e os sonhos verdes".

 

 Na minha sala, momento do vídeo feito sobre a crônica O MENINO MÁGICO. Um outro grupo de alunos encenou e gravou em vídeo a crônica COMO COMPRAR BEM UM BICHINHO, mas a foto de parte do vídeo não saiu.

Depois de todos estes momentos de leitura, encerro com esta foto de flores contra o céu azul. Tirei em Canela. Jovens gostando de leitura e de literatura, iluminam o mundo como o painel da primeira foto. Muito mais. Além de iluminar eles tornam bonito, florido e azul, como esta foto.



Escrito por Pablo Morenno às 15h14
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AGENDA-FELIZ

No dia 20 de julho, próxima quinta-feira, estarei no COLÉGIO ESTADUAL JACÓ MILTON BENNEMANN, na cidade de FELIZ-RS. Terei uma conversa pela manhã e à tarde com os alunos do Ensino Médio sobre o livro POR QUE OS HOMENS NÃO VOAM?. Já que estarei próximo a Gramado, Canela e NOva Petrópolis, aproveitarei para um passeio na sexta e no sábado. Domingo já estarei de volta.



Escrito por Pablo Morenno às 20h04
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Trabalho pelo IEL

Acho que você não deve ter ouvido falar num lugarzinho chamado SEDE INDEPENDÊNCIA ou CAPINGÜÍ. Bom, tem muitas coisas e pessoas legais que a gente não conhece. Hoje de manhã, estive na escola VALDEMAR ZANATTA para conversar sobre meus textos com os alunos.  Esta escola fica no distrito de Sede Independência, entre Passo Fundo e Marau. É uma escola pequena, do interior, mas com alunos muiiiittooo legais. Tinha lido meu livro, tanto os de 1a. a 4a. Série, quando de 5a. até 8a., participaram do bate papo, fizeram perguntas interessantes e me fizeram voltar a Passo Fundo cheio de entusiasmo e alegria.

Este trabalho aconteceu graças ao Prof. Arlindo, que tem um grupo de 5 crianças numa escolinha lá no CAPINGÜÍ. Ele ouviu uma entrevista minha pelo rádio e entrou em contato. Graças ao INSTITUTO ESTADUAL DO LIVRO eu pude participar e conversar com crianças destas escolas. Normalmente, trabalhos de leitura são apenas de escolas particulares.

Agradeço ainda às professoras IONE E CLEUSA, da educação infantil. E à professora Margarete, diretora da Escola Valdemar Zanatta.

Abaixo algumas fotos.

Grupo de crianças da primeira até a quarta série da escola municipal Alexandre Gobbi,  Capingüí e da escola estadual Valdemar Zanatta de Sede Independência.

 Simpaticíssimo grupo de alunos da quinta até a oitava série da escola estadual VALDEMAR ZANATTA.

 



Escrito por Pablo Morenno às 20h02
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Receita para insônia

RECEITA PARA INSÔNIA

Acordei antes do tempo numa noite desta semana. Com esses calorões extemporâneos não há quem consiga dormir sossegado. Não me recordo em toda a vida noites julinas tão quentes. Perdi a memória ou realmente há destempero na temperatura. Acordar no meio da noite interrompe o ciclo do sono, falou um médico na TV. Supere a ansiedade, relaxe e aguarde um novo ciclo, aconselhou.

            Meu roteiro para insônia: 1) conto ovelhinhas; 2) tomo um chá relaxante; 3)leio um livro; 4) meia garrafa de vinho.

             A quarta etapa do roteiro quase nunca se realiza. Bons vinhos são caros. O “after day” pode ser mais nefasto que a insônia. Chego à terceira etapa algumas vezes. Já a segunda é trivial. Chá é barato e, faltando - com um cabo de vassoura e uma cesta de arame na ponta - roubo umas folhas de hortelã da sacada ao lado. Contar ovelhinhas também tenho evitado. Nestes dias quentes, dá pena vê-las fazendo exercício pesado com tão grossos vestidos de lã.

              Nossa cozinha fica ao sul do prédio, com vistas ao pátio de uma residência. Enquanto o chá esquentava no microondas, olhei pela janela e, à luz da rua, conversei com um pessegueiro florido. Somos pelo menos dois os traídos por sinais errados dos tempos. Ele também acordara no meio do inverno e pôs-se à realização de seu programa de primavera: 1) florescer; 2) frutificar; 3) amadurecer; 4) produzir caroços férteis. Diferentemente de mim, posso desencadear meu roteiro diversas vezes em qualquer estação, o pessegueiro só tem um único por ano.

                Tirei o chá do microondas, pus o saquinho no lixo. O pessegueiro já está com pequenas frutas; etapa dois, revelam no chão suas flores desidratadas. Pêssegos condenados à morte por uma geada qualquer do mês de agosto.  Perdeste o ciclo deste ano, vizinho, cochicho como se tivesse ouvidos. Um ano sem fruto e semente. 

              Tomei o chá e voltei aos lençóis. A vida, às vezes, nos atiça ao azar de pessegueiro, coisas de ser traído por primaveras doidas. Não apenas acordamos em noites quentes. Muitas vezes perdemos ciclos por falsos alarmes de tempos propícios. É preciso aprender com os pessegueiros segredos da resignação. Admitir um diagnóstico errado das expectativas, sem remorsos ou culpa. Embora as estações tenham uma seqüência repetida há milhares de anos, e estabeleçamos rotina e hábitos, vertem vazios e desrazão no corpo da linearidade. 

                Recebo de São Paulo e-mail de minha irmã. Poucos paulistanos estão dormindo bem, inclusive ela. Não por causa do calor, mas pela angústia líquida da violência do PCC. Autoridades paulistas garantiram segurança, os ataques haviam sido soterrados para sempre em seus próprios escombros. Celulares bloqueados, policiais nas ruas. Viriam tempos de serenidade sem intercursos. Bom para o sono e os sonhos. Viriam.

Minha amiga classificou-se em 20o lugar em um concurso, tinha grande expectativa para ser nomeada. Havia 22 vagas possíveis. Faltava apenas um detalhe administrativo e estaria com um rentável e estável emprego.  Chamaram até a 19a e esgotou-se o tempo de prorrogação legal. Seu antecedente na classificação acertara apenas uma questão a mais em Língua Portuguesa. Um descompasso no tempo.

               O pessegueiro não é um idiota por desandar-se a produzir flores em meados de julho no hemisfério sul. Ele apenas avaliou, com os sentidos de seu coração de árvore, os dados reais do mundo.

                  Ninguém se culpe por perder o sono. Não somos os únicos. 

Pablo Morenno



Escrito por Pablo Morenno às 10h00
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Acaricio a pele do vidro

ACARICIO A PELE DO VIDRO

Eu o vi saindo do espelho. Patas, focinho e dentes se aproximaram como um filho a quem dirigimos olhar de ternura. Era um animal horrendo. Meio leão, meio lobo, meio onça. Como a mulher de Lot tornei-me uma estátua de sal, embora eu fosse um homem e o olhasse de frente. Pelo sal um suor de outro sal corroia a pele, os músculos e ossos. Tive medo, pavor, angústia. Um amontoado de coisas que não cabem nas palavras. Tremendo acariciei-lhe o pêlo. Acalmou-se. Lambeu minhas mãos e olhou-me por dentro. Duas balas disparadas de uma arma, suas pupilas ultrapassaram as minhas.

Do espelho – curioso! - nunca tive desconfiança. Todos os dias faço a barba. Todos os dias quantifico as rugas na pele. Arranco um cabelo cinzento. Corto os pelos do nariz e das orelhas. Observo minhas restaurações de resina e amálgama. Jamais imaginei morassem no espelho animais daquele porte. Um terrível remorso postou-se na boca. Imagine fosse meu filho ou mulher! Seriam estraçalhados por garras e dentes. Ainda bem que eles estão ali juntos. Estão no chão descansando com a respiração trancada. Eles sempre fazem de tudo para que eu, tão estressado com os problemas da empresa, não me descontrole. Ou, talvez, notaram algo diferente em meu olhar e desconfiaram. Deitaram ali suspendendo a respiração para passarem desapercebidos. Graças a Deus, não há marcas nos corpos, de dentes ou patas. Ele não quer a eles, não teria coragem. Esta fera rápida, como um pinto saído do ovo para a vida, tem como mãe ao primeiro movente visto. O espelho foi o ovo do monstro. O ser movente fui eu.  A mim me viu, a mim me venceu. Eles dormem como pedras no chão de pedra. Eles estão salvos.

 Inúteis serão as trancas nas portas, alarme, cercas elétricas. Se o espelho abriga bichos, eu devia pegar a lanterna e vasculhar os recônditos da casa. E se açucareiro escondesse abelhas africanas? E se uma orcinus orca estivesse disfarçada entre os peixinhos do aquário da sala? Olhei o açucareiro com a lanterna do carro. Apenas uns torrões de açúcar formados pela umidade da noite. No aquário nossos três peixinhos boiavam com os olhos opacos. Falta de oxigênio, ao que parece. Alguém tirara a bomba submergível da tomada para carregar o celular. Depois esqueceu. Não tinham marcas de dentes. Nenhuma baleia assassina. 

Voltei ao espelho. Estava calmo. O ódio de seus olhos roubara a textura de mãe amamentando, de réstia da janela flechando a violeta do parapeito. Um campo de papoulas, um mar no amanhecer, uma revoada de pássaros.  Estava sereno. O ódio transformado virou qualquer coisa capaz de estancar a respiração da gente por seu encantamento.  Como eles, também estanquei meu respiro. Só não me alonguei por culpa do trabalho lá na empresa. Ninguém admite atrasos ou faltas, demitem. Tirei a mão do plástico e a usei para tocar ternamente os reflexos no vidro.

Graças ao carinho, a fera serenou-se. Não mais pareceu meio leão, meio lobo, meio onça. Seu pêlo deixou de ser pêlo para ser pluma. Foi transformando-se em meio pombo, meio beija-flor, meio joão-de-barro. A metamorfose me distraiu com seu ritual de feitiço, e nesta distração ele disparou olhos meus adentro.  Escureceu. Estou cego para sempre, pensei. Mas, aos poucos a luz começou a visitar-me no canto dos olhos. Dentro de mim um som de revoada, um canto calmo, uma construção de casa, um remanso. Passei a enxergar melhor do que antes. Desopilei-me dos óculos e os coloquei, com as lentes viradas para cima, ao lado dos sacos plásticos ainda embaçados. 

          Temo por meus filhos. Temo por minha mulher. Se outro monstro fugir do espelho, que eu esteja por perto. E se eu não estiver? Para evitar a tragédia, há pouco quando fiz a barba, quando cortei os pêlos do nariz e olhei os dentes, acariciei novamente a pele do vidro com toda a ternura tesa e presa em mim. Sendo pouca ainda, espremi bem, apliquei minha força até cair uma última gota seca. Deste modo, quando o animal curvar-se a um novo bote, já estará feito meio pombo, meio beija-flor, meio joão-de-barro. Descobri o segredo para evitar reincidência.

           Eu entendo a sua preocupação, Delegado. Aliás, foi por isso que deixei o saco plástico, ainda com a umidade interna, e os óculos, virados com cuidado para cima, ali no console e liguei para o 190. Só não entendo o porquê das algemas. Por favor, deixem-me em casa mais um dia. Eles estão ali no chão frio, por isso esfriaram. Estão como pedras por causa do piso de pedra. Quando acordarem, carecerão de um pai para protegê-los e servir-lhes um café bem quente.

            Tudo bem. Já que o senhor insiste em me levar algemado, posso lhe pedir um favor? Mande seu colega ir até o quarto pegar duas colchas. Elas estão na última porta à direita, na primeira gaveta de baixo dos ternos. Peça-lhe. Com aquela branca de bordados, depois de os colocar na cama, cubra-os bem, principalmente os pés, para que não esfriem tanto por demora minha. Com a outra, a maior e de chenile negro, cubra com ânsia e ímpeto o espelho. Observe noite absoluta e cuidado absurdo. Torne qualquer translucidez inviável. Aquele espelho odeia olhos.

               Depois de tudo isso feito, o que mais importa. Ligue, o senhor mesmo ligue e explique à empresa o atraso. Mas tem que ser o senhor, Delegado. Se não for o senhor, eu serei demitido.

Pablo Morenno



Escrito por Pablo Morenno às 10h47
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JABUTI

Estou sorrindo à toa pelas indicações deste ano ao JABUTI. Vocês lembram do Luis Dill, que esteve aqui em Passo Fundo há pouco? Foi indicado como melhor llivro juvenil com seu LETRAS FINAIS, pela editora ARTES E OFÍCÍOS. Outros amigos, entre eles, dois incentivadores:

DOMINGOS PELLEGRINI - com dois livros. O romance MENINOS NO PODER e o livro de poesia GAIOLA ABERTA.

AFFONSO ROMANO DE SANTANNA - Livro de Poemas VESTÍGIOS.

E PELA MINHA EDITORA, A WS, o livro de poemas RESMUNDO DAS CALAVRAS, de Marcus Fabiano Gonçalves

ESTOU FELIZ POR TODOS... ME SINTO UM POUCO MAIS PRÓXIMO, AO TER AMIGOS PRÓXIMOS. Um dia, quem sabe, chego lá.



Escrito por Pablo Morenno às 23h39
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Visitas

Estou superfeliz com as visitas dos alunos da turma 71 do colégio Pe. Cobalchini de Nova Bassano. Desculpe por ter colocado a foto trocada das turmas. È que foram um monte de turmas e minha cabeça ficou biloló. Obrigado ao Mateus Grisa que é o autor do arranjo com os anjos, foto lá embaixo.

Matheus Marchetti, já respondi teu e-mail com meu MSN.

Não vou citar todo mundo aqui, mas adorei a turma e os comentários.

Jà estou melhor de meu problema de estômago. Eu tive uma hérnia de hiato por deslocamento. È um pedaço de estômago que sobe para a caixa toráxica passando pelo diafragma. Aproveitem para conversar com a professora de ciências e pedir explicações. Vou tomar um remedinho e logo ficarei bem, o estômago já retornou ao lugar.



Escrito por Pablo Morenno às 17h42
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Os enguardachuvados

OS ENGUARDACHUVADOS

Durante um bom tempo, e em dias de tempo bom, quis entender por que, em dias de chuva, pessoas enguardachuvadas insistem em caminhar sob as marquises e expulsam os-sem-guarda-chuva da proteção. Tente passear no centro em chuvarada. Vá desprotegido. Senhores e senhoras enguardachuvados ficarão sob as marquises e, sem a mínima piedade, te expulsarão ao aguaceiro.  Ou seja, quem já tem abrigo fica abrigado, e quem não tem proteção fica mais desprotegido.

         Sensibilidade humana parece não ser o forte de ninguém. Publicidade na televisão - como aquela do senhor que cede o lugar no táxi para uma mãe e o filho em dia chuvoso – tentam nos fazer bonzinhos. Naturalmente não somos. Precisamos de uma forcinha para a delicadeza com os outros. A lei ajuda mandando os bancos terem caixas para idosos, criando lugares reservados nos ônibus, exigindo construções adaptadas aos diferentes. Cada um pensa em si e os outros que se danem. É natural. Sem coerção, pouco se faz.

         Como perdi um sem número de guarda-chuvas, resolvi descartar para sempre o acessório. Tornei-me uma vítima certa da gang dos enguardachuvados. Fico esperando a calma dos pingos para alcançar a próxima marquise. Lá vem uma enorme senhora com um seu guarda-chuva. Aberto e pedindo um mundo de espaço. Penso: “a senhora está com guarda-chuva, vai me deixar sob a marquise, já que estou sem”. Bocó. Penso como um bocó.  A senhora se aproxima e, se não saio da frente, serei atropelado. Mantenho-me feliz. Essa nem chacoalhou a água do pano nas minhas costas.

         Para a conduta urbana dos enguardachuvados já encontrei explicação histórica, antropológica e teológica: Adão e Eva, a maçã, eles pelados no paraíso, a folhinha de parreira e tudo mais. De Adão e Eva nasceram Caim e Abel. Se Caim matou Abel, somos filhos de Caim. De modos que, no fundo no fundo, todos temos aquela vontadezinha de sacanear. Pode ser uma sacanagem elefântica, como essas dos políticos que metem a mão no dinheiro público. Ou, pode ser uma sacanagem amébica como empurrar para a tormenta o coitado de um sem-guarda-chuva.

         O final de Belíssima? Pois bem, esta é uma crônica sobre o final da novela. Sílvio de Abreu bagunçou legal o perfil das personagens. Bandido virou herói, herói virou bandido, o filho da Bia Falcão virou filha. Uma coisa não mudou e não foi surpresa pra ninguém. Bia era egoísta e nenhum gênio em trama conseguiria purificar essa malvada madrasta.  Bia foi uma representante perfeita dos enguardachuvados urbanos com todos os desdobramentos presentes e futuros.

         Bia se deu bem. Nada estranho, né? Neste mundo competitivo, quem busca apenas suas próprias vantagens, na novela ou na vida real, não demora pra se dar bem.  Essa história de que, mais cedo ou mais tarde, Deus arruma a história é conversa-pra-terneiro-sonhar. Quem não tem guarda-chuva, ou oportunidade, que se vire. Ou vá xingar Abel que, por querer se fazer de santinho, morreu e deixou Caim crescendo e se multiplicando.

         Todo grande egoísmo um dia nasceu pequeno.

Pablo Morenno



Escrito por Pablo Morenno às 00h19
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Turma 71 Cobalchini

Pela notícia que me passaram, a turma 71 e a Prof. Neura estarão me visitando nesta segunda-feira. Como não poderei estar aqui no blog, coloco a foto abaixo como homenagem. A foto é de um arranjo feito pelos alunos e que eu "roubei" lá da Feira do Livro do Cobalchini. De quem será que foi? Dois bonequinhos alados e duas conchas do mar. Os bonequinhos sairam da concha e estão prontos para o céu. De moluscos e rastejantes no fundo do oceano, logo alcançarão as nuvens. A foto saiu sem nitidez, eu sei.. me desculpem. Sintam-se em casa. Um abraço.



Escrito por Pablo Morenno às 22h05
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Médico

Fui examinado pelo médico hoje. Acha que não tenho nada aparente. Amanhã vão me enfiar aquilo pela goela abaixo, endoscopia. Mas deve ser fichinha para quem já fez colonoscopia. Prefiro que me revirem enquanto vivo. Para comemorar meu jejum amanhã procurei no google uma receita de vaca atolada. Acabamos de fartarnos, eu e a Dani.

Sílvio de Abreu viajou legal na Belíssima. Uns personagens sem pé, nem cabeça, sem personalidade, sem objetivos, sem fins, sem nada. Novela, né? Quer o quÊ? O problema é que a gente que lê boa literatura, fica querendo umas coisas com mais argumento. Bobagem. Novela é para divertir e faturar, e isso Sílvio fez bem.



Escrito por Pablo Morenno às 21h40
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Luís Dill em Passo Fundo

Na manhã de hoje acompanhei o escritor Luís Dill nos colégios Instituto Educacional e Instituto Menino Deus. Graças à parceria entre essas duas instituições de ensino foi possível para um bate-papo com os alunos que leram suas obras Olhos de Rubi, A Noite das Esmeraldas, Caverna dos Diamantes e Sombras no Asfalto. O Luís é daqueles sujeitos descomplicados, sem arrogâncias, com a simplicidade de um irmão da gente. Volte sempre à Capital Nacional da Literatura.

***

Já é o terceiro dia que estou com soluço. Não acaba mais. Já estou com dores no peito. Vou ao médico amanhã. Não quero bater o recorde. O livro Guiness registra  64 dias de soluços. Nem em meus porres juvenis fiquei tanto tempo soluçando. Pior, é um soluço misturado com arroto. Uma coisa horrível, terrível, absurda. Já fiz todas as simpatias ditadas pelos amigos e pesquisados no Google. Mas ainda aceito sugestões.



Escrito por Pablo Morenno às 21h03
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Luís Dill

Amanhã é dia de acompanhar Luís Dill, amigo escritor, que vem palestrar nos colégios Instituto Educacional e Instituto Menino Deus. Luís Dill, que foi patrono da 3a. Feira do Livro de Nova Bassano, é um expert em escrever textos juvenis com um ritmo alucinante. É jornalista e trabalha na FM CULTURA de Porto Alegre. Tem livros por várias editoras e já foi indicado duas vezes ao Prêmio Açorianos de Literatura: como melhor romance, com seu LÂMINA CEGA e como livro infanto-juvenil com SOMBRAS no asfalto. Se quiserem saber mais sobre Luís Dill acessem: www.luisdill.com.br.

Escrito por Pablo Morenno às 21h33
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Agradecimento

Obrigado à professora e a todos os alunos do Pe. Cobalchini que deixaram seus comentários hoje aqui. Um beijo para as meninas e um abaço para os guris. Vocês verão no futuro o bem que a leitura trará para as vidas de vocês.

Escrito por Pablo Morenno às 20h30
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ZH

O JORNAL ZERO HORA DE HOJE PUBLICOU O SEGUINTE ARTIGO MEU:

 

Artigo
Arte na aldeia
PABLO MORENNO/ Escritor e professor

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Uma sessão de cinema na Reserva Indígena do Ligeiro trouxe momentos de harmonia entre grupos rivais na aldeia. ZH, último domingo. O filme Tainá II - aventuras de uma indiazinha na defesa da floresta e dos bichos - reacendeu nos indígenas sua consciência unitária, algum valor ancestral. A arte conseguiu o que os argumentos racionais dos interventores não lograram. A tribo encontrou no cinema um sonho comum.

Testemunhei em Nova Bassano, de 26 a 30 de junho, uma experiência inédita. A 4ª Feira do Livro do Colégio Estadual Padre Cobalchini. Diferentemente de outras feiras, promovidas por municípios ou escolas particulares, a Feira do Livro do Padre Cobalchini é organizada e sustentada pelos professores e alunos da rede pública. E não pensem em uma feirinha. É uma superfeira preparada pela leitura da obra dos escritores visitantes e com uma estrutura digna dos maiores eventos do gênero. Para que se tenha uma idéia, preparando a feira deste ano, os alunos compraram antecipadamente - e leram - quase 3 mil livros. Paredes decoradas, salas bonitas, banheiros limpos, jardim florido, alunos maduros. A literatura transpôs a imaginação e invadiu a realidade. Segundo a diretora Analice e a coordenadora Lúcia, desapareceram os "alunos-problema". Mais. A experiência motivou a participação de outras escolas e outros municípios vizinhos a partir deste ano.

O poder transfigurante da arte vem sendo experimentado com sucesso na psiquiatria. Também em favelas e em comunidades com problemas de violência e marginalização. Contrário da religião e da política, que acirram diferenças e divisões de todas as espécies, a arte consegue, pela sensibilização profunda do espírito, enredar as pessoas em seus sonhos mais profundos, embora nem sempre conhecidos.

A arte, que não possui utilidade nenhuma, tem uma mágica que aflora e purifica afetos, sentimentos, sonhos, medos. A arte - cinema ou literatura, pintura ou música, escultura, teatro ou dança - ao mexer com o imaginário, pode tornar os homens e mulheres de um grupo cúmplices de seus projetos mais íntimos.

O jornal Zero Hora relata que, pela primeira vez depois de anos, os indígenas da reserva saíram conversando sem trocar ofensas - ou tiros. Experiência como esta na Reserva Indígena do Ligeiro e em Nova Bassano apontam aos governantes um importante alvo para investimentos futuros em qualquer cidade, tribo ou aldeia: a cultura e a arte.

http://www.clicrbs.com.br/jornais/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&edition=5961&template=&start=1§ion=Artigos&source=Busca%2Ca1218170.xml&channel=9&id=&titanterior=&content=&menu=23&themeid=§ionid=&suppid=&fromdate=&todate=&modovisual=



Escrito por Pablo Morenno às 20h25
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O menino Peixe-Parte II

De repente acordou. Lá encima, de repente, alguém lhe gritara “Uma rede!”.

Acalmou-se do susto.  Levantou, foi à cozinha, tomou um copo de água com um pouquinho de açúcar de cana. Olhou o relógio, eram três da madrugada. Precisava descansar bem. No outro dia, acordava cedo para aguardar o ônibus escolar e ir até Erechim estudar. A Sereizinha que apareceu no sonho avisando-o para fugir da rede tinha a cara da Ana Serena, do segundo grau. Mas ela era uma peixona muito linda para um peixinho de lagoa.  Chega de sonhos, pensou. O amor deixa o coração da gente muito descontrolado, como fogo. Ainda bem que meu sonho foi dentro da água.  Amanhã à tarde, depois da aula, ficarei na casa do Tio Amarildo lá na cidade. Aproveitarei para comprar para ela o CD da Vanessa da Matta. 

 Não me deixe só,

eu tenho medo do escuro,

tenho medo do inseguro

dos fantasmas da minha voz.”

            Ana Serena vivia cantando. Era mesmo uma sereia. Uma sereia polonesa chamando seu peixinho tímido para a proteção do fundo da lagoa. Lucas ficava com os pensamentos nas nuvens, ou nas águas, como todo garoto apaixonado. – Amanhã tenho aulas. - Abraçou o travesseiro e dormiu. Antes, para não esquecer de nada, escreveu ao lado da data da prova de Biologia: “Comprar amanhã: CD de Vanessa da Matta, pés-de-pato, um escafandro, DVD do Nemo.

            No dia 23/9/2004 a notícia saiu em todos os jornais do Brasil e até no Jornal Nacional:

“Acidente de ônibus em Erechim (RS) deixa pelo menos 17 crianças e adolescentes mortos e expõe tragédia das rodovias Brasileiras”, foi a manchete do Correio do Povo. O ônibus saiu da estrada, tombou e afundou na lagoa de uma barragem no caminho para a escola.

Lucas estava no ônibus, conseguiu sair do ônibus e chegar à terra firme, mas voltou para salvar seus amigos. Conseguiu resgatar três pessoas com vida. Quando tentava salvar a quarta, já exausto, desapareceu na lagoa. “Perco meu filho, mas sou um homem orgulhoso por tudo o que ele fez”, disse o pai Sérgio ao Jornal Zero Hora.

            Lucas não chegou à escola naquele dia. Não comprou o CD da Vanessa da Matta, nem os pés-de-pato, nem o escafandro. Nunca mais houve tarde na casa do tio Amarildo em Erechim. 

            Seus amigos, quando passam pela barragem da Corsan, sempre enxergam um peixinho em forma de menino que fica saltitando por sobre a superfície. Quando a lagoa reflete o céu, o lambarizinho parece um anjo entre as nuvens. É um anjo muito estranho, tem pés-de-pato e escafandro e, ao invés de penas nas asas, tem escamas reluzentes.

Naquela lagoa, ninguém mais jogou redes. Lucas sem querer tornou-se um herói. Mas o que mais alegra seus pais e amigos é que ele, embora tão garoto, realizou um sonho que muitos homens não realizam nem depois de muito velhinho.

            Lucas, 14 anos, queria ser apenas um peixinho de lagoa de água doce de açúcar de cana. Aqueles que foram salvos por ele dizem por aí que ele é o maior herói de suas vidas.

Foi tudo sem querer. Eu não conheci Lucas, mas sei. Ele preferia mesmo ter passado o resto do dia na casa do Tio Amarildo e comprar o escafandro, e os pés-de-pato, e o CD da Vanessa da Matta e o DVD do Nemo para mostrar a seus pais. 

PABLO MORENNO



Escrito por Pablo Morenno às 22h45
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Até que enfim

Acabei de escrever, numa sentada só, meu primeiro texto de meu futuro livro infanto juvenil de crônicas. Com certeza este texto sofrerá um monte de transformações ainda até virar definitivo. Mas o essencial já está aí. Espero que gostem

Todas as crônicas terão por base um acontecimento real envolvento meninos e meninas entre 10 e 15 anos.

O MENINO PEIXE

 

Um herói de verdade, não aqueles do cinema nascem por acaso.

            Um herói de verdade, pode não querer ser um herói de verdade.

            Um herói de verdade pode querer apenas ser um peixe.

            Eu nunca quis ser um herói de verdade. Sempre tive medo de água – minha mãe dizia que rio não tem galho. Sempre tive medo de fogo – minha mãe dizia que o fogo tem o coração muito descontrolado.

            A mãe do Lucas também dizia para ele o que a minha mãe dizia para mim. E ela repetiu muito isso até cansar:

-                     Lucas, chega de brincar no açude! Água não tem galho. É hora de tratar a juntinha de terneiros que teu avô te deu de presente.

Lucas  dizia “já tô indo mãe” e continuava no açude.

Mergulhava. E ficava lá embaixo até o os pulmões se grudarem.  O recorde aumentava meio segundo por dia.

Nadava. E todos os dias conseguia aumentar uma volta na lagoa. 

-                     Lucas, é hora de fazer os deveres da escola. Você pensa que é peixe menino? Você não é peixe não! – Perguntava e já dava a resposta. - Por acaso eu me chamo Dona Joaninha e teu pai Seu Jundiá?

A mãe do Lucas só ficava dando bronca porque dar carinho dando bronca é jeito de mãe. Lucas, mesmo depois de brincar tanto no açude, sempre chegava em casa e tratava os terneiros e fazia os deveres da escola. Sua mãe conhecia muito bem o menino que tinha. 

Depois dormia profundamente até o dia seguinte. Acordava cedo, tomava o café

reforçado com queijo e salame. Ia para a beira da estrada esperar o ônibus escolar.

Lucas dormia profundamente é meio exagerado. Naquela noite de setembro, depois de ter visto na escola “Procurando Nemo”,  sonhou que era um peixe.  Claro, ele não era um peixe de mar tipo tubarão. Era apenas um peixinho de lagoa, um lambarizinho, talvez. Mas era um peixe. Ser de água de açúcar ou de água de sal, pouco importava. Ele gostava mesmo daquela lagoa, com água escura, como se fosse água doce de açúcar de cana.

No sonho, a mãe, como sempre, ficava gritando:

-         Lucas, vem logo para o fundo da lagoa. Você acha que é gente. Por acaso eu me chamo Dona Maria, por acaso seu pai se chama Seu Sérgio? Você é filho de Dona Joaninha e Seu Jundiá. Não banque o herói. Pára de levar para fora da água esses meninos que ficam disputando quem tem maior fôlego.

-         Mãe, já tô indo. São muitos. E eu apenas estou no terceiro.

Só mais um menino, só mais um menino.

(segue)

Pablo Morenno



Escrito por Pablo Morenno às 22h45
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Pe. Cobalchini, encerramento.

Preciso ressaltar o momento de especial atenção que tive com a sétima série da manhã numa conversa mais íntima. No meio da conversa, sem mais nem menos, os alunos expressaram o desejo de que eu fosse o patrono da próxima feira. Quando argumentei que eu tinha apenas dois livros, um menino me surpreendeu com a frase: “Não importa se você tem um ou dois livros. O que importa é o conteúdo”. Esta turma, que participou ativamente da feira, contando através de uma encenação a história dos 70 anos do colégio,  revelou que este trabalho coordenado pela Lúcia e pela Analice, em nenhum momento veio apenas de cima para baixo. Elas conseguiram fazer dos alunos partícipes desta conquista, donos do projeto. Basta passear pelo colégio que a gente já vê a diferença. È um colégio simples, mas cuidado, preservado, bonito. Um abraço a todos. Não tenho livros e nem conteúdo para ser patrono desta feria, mas quero voltar logo, tá? Abaixo algumas fotos do dia de ontem.

Grupo de alunos das escolas de Santo Antonio do Palma. Eles representaram meu poema A BOLHA DE SABÃO do livro UM MENINO ESQUISITO.

 Estes alunos também são de Santo Antonio do Palma. Aqui o poema encenado foi A CASA MÁGICA.

Momento de minha palestra com as crianças, à tarde. Estou com a Serpente Tina confeccionada pelos alunos do colégio Pe. Cobalchini.

Momento de encontro com os alunos de uma sétima série, manhã. A moça de azul, à direita, é a dire Analice.



Escrito por Pablo Morenno às 15h18
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Paraíso da Literatura

Cheguei de Nova Bassano, ou então, de um paraíso para livros, leitura e escritores. Um projeto inédito no Rio Grande do Sul. Bati meu recorde de autógrafos e, por conseqüência, meu recorde de venda em qualquer Feira do Livro. Mas esta Feira do Livro de Nova Bassano é muito diferente. Não só realmente há leitura e, portanto, poderia chamar-se Feira da Leitura, como os alunos compram os livros. Mais. É uma escola estadual e, como todos conhecem, tem dificuldades financeiras enormes. Graças a um projeto abraçado com o coração e com a razão, com planejamento e afeto, Lúcia, a coordenadora pedagógica e Analice, a Diretora, conseguiram envolver a comunidade, os pais, os alunos e fizeram do Colégio Pe. Cobalchini de Nova Bassano este oásis para quem gosta da literatura.

Mas isto não nasceu de um dia para o outro, a 4a Feira do Livro cujo patrono foi Luis Dill, começou na imaginação destas duas professoras, um sonho de névoa, o qual foi tomando forma consistente através de planejamento e dedicação. Esta experiência, que  já provocou um livro, “ O Tesouro de Pano” escrito pelo Dill, em breve deverá também tornar-se uma história para inspirar pessoas sonhando com o impossível, principalmente em escolas estaduais.

Claro que o trabalho não é só da Lúcia e da Analice. Os professores abraçaram a causa, superando individualismos. Os alunos também se envolveram. O sonho foi se alastrando, a leitura foi tomando conta, e aquilo que era de névoa tornou-se realidade. A literatura, que não serve para nada, quando alguém se apaixona por ela, torna-se uma poção mágica que serve para tudo.

Parabéns ao Pe. Cobalchini por essa maravilha de projeto. Eu e todos os escritores que lá estiveram, com certeza, saímos encantados. Luís Dill, Walmor Santos, Celso Sisto, Marcelo Spalding, Maria Beatriz Papaléo, Maria Luiza Khaled e eu, com certeza, escreveremos melhor a partir desta visita a Nova Bassano.



Escrito por Pablo Morenno às 15h03
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