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PABLO MORENNO
 

Nova Bassano

Pode uma escola estadual montar sozinha uma Feira do Livro e trazer escritores para palestras com alunos e comunidade? Pode uma escola criar um projeto de leitura sem nenhuma ajuda do poder público e conseguir vender mais de 2.000 exemplares?

Sim. Eu pude vir isso na Escola Pe. Cobalchini de NOva Bassano. Um projeto inédito e que merece ser imitado.

Mais, esta escola está sendo um centro de difusão da leitura na região e já conseguiu envolver Santo Antonio do Palma, Serafina Correa e Nova Prata. Parabéns à Ana, à Lúcia e  equipe do Pe. Cobalchini.

Abaixo algumas fotos de minha visita feita na segunda-feira, dia 26/06. Volto na sexta, 30/06, para encerramento. Quem lê cria asas. Quem tem um sonho tem um futuro. Como já disse o poeta Leminski: "POR NÃO SABER QUE ERA IMPOSSÍVEL, FOI LÁ E FEZ!".

Cartaz elaborado pelos alunos para receber os escritores. Este é o meu, está bonito né? Eu não tô parecendo um personagem do Guerra nas Estrelas?

Crianças que participaram do encontro comigo na parte da manhã no salão de esportes.

Grupo de crianças do currículo, com meu livro UM MENINO ESQUISITO.



Escrito por Pablo Morenno às 15h59
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Padre Cobalchini

Meu dia de hoje se passou no na 4a. Feira do Livro de Nova Bassano. Amanhã colacarei as fotos e comentários. Essa Feira é algo inédito em colégios estaduais do Rio Grande do Sul. Visita de autores, mais de dois mil livros vendidos, um trabalho de um grupo de professores que acreditam no poder transformador da leitura.



Escrito por Pablo Morenno às 21h41
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O Fogo

 

MEDITAÇÃO CURTA SOBRE O FOGO

 

Há coisas que a gente deve fazer muito raramente. Há coisas que merecem ser feitas apenas uma vez na vida. São únicas como nascimento e morte, como um vaso de cerâmica com antena de formiga na textura. Mesmo que todos os argumentos o justifiquem, mesmo extravasando o barril da tolerância, atear fogo ao próprio corpo não pode ser feito todo dia como se escova os dentes e se usa desodorante.

         Por causa desta rareza de carbonizar o próprio corpo, essa agricultora, cujo cadáver tostado a família levou do hospital nesta tarde, não me deixa as idéias. São coisas muito peculiares como uma vaca no apartamento ou criação de baleias em fontes japonesas. É preciso um garrafão inteiro de vinho colonial para levar coisas assim à realidade. E vinho colonial anda misturado com muita água ultimamente.

         Quem ateia fogo ao próprio corpo ou tem razões demais ou tem razão de menos. Autocombustão voluntária está entre os extremos do nascimento e morte e entre os extremos da razoabilidade, ou nos extremos cardiológicos.

O incêndio ao próprio corpo deve ter causa em um coração crescendo descontroladamente para dentro. Não falo da miocardiopatia hipertrófica que, conforme um médico, “é uma doença genética hereditária e muscular do coração, que cresce para dentro e forma uma "banana shape". Isso causa arritmia (descompasso do coração) e pode levar à morte”. Não tenho dúvidas de que o incendiário de si mesmo sofra de um descompasso do coração. Mas tenho certeza de que seu coração jamais formaria uma “banana shape” para dentro.

         Razões de mais poderia ser um nojo com a vida ou com o mundo. O monte de anotações feitas durante anos – essa senhora tinha 52 –uma lista enorme de compras para quem tem pouco dinheiro. As anotações da vida não seriam coisas a serem compradas, mas coisas a serem solucionadas, resolvidas ou dissolvidas. Uma lesma gigante sobre a qual a gente despeja caminhões de sal. Chega um momento que as anotações ocupam tanto papel, a lesma está cada vez mais gigante no jardim e nos contam não haver mais sal em lugar nenhum do mundo. Então, compramos uns dez galões de gasolina, jogamos no jardim e molhamos a casa. Ateamos fogo em tudo e ficamos tranqüilamente sentados na sala esperando a total consumação da lesma e da casa.

         Razão de menos só pode ser enfermidade do cérebro. Uma dessas insanidades que a ciência - com seu milhão de teoremas – declara crônica. A senhora decerto perdeu a razão quando foi tirar o leite das vacas de manhã e, sem mais nem menos, achou que a gasolina era apenas uma água com manjericão para tirar o cheiro de esterco do corpo.

         Mesmo se for por excesso de razão ou por falta, de minha parte, acho tudo simples e transparente. Coisa semelhante à água daquela fonte entre as bananeiras onde a senhora em combustão mergulhava a caneca depois de horas e horas capinando o milharal. Nascer e morrer, incendiar e apagar, razão de muito ou razão de pouco, nada mais importa quando a gente escuta o raro clamando para ser feito. Como um chimarrão implora feitura no chiar da chaleira.

         Arder de amor. Queimar de angústia. Riscar um fósforo no cérebro. Na inspiração do inverno iniciado, farei uma fogueira junina com tantas perguntas sem respostas. Dançarei ao redor uma dança da chuva para refrescar minhas esperanças. Prometo ficar longe das faíscas. Ser escritor me permite, pelas metáforas, agüentar a existência. Posso, a qualquer hora, brincar com o fogo. Faço, sem nenhum risco ou dano, aquilo que - se eu vivesse apenas de realidade - nunca encontraria explicações em sendo feito.

Pablo Morenno



Escrito por Pablo Morenno às 21h41
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    O encontro ontem à noite dO LIVRO DO MÊS foi um sucesso. Caio Riter explicou a gênese do texto.Após,  a promotora Ana Cristina F. Cirne abordou os aspectos legais da adoção e psicanalista Francisco dos Santos Filho enfocou o lado psicanalítico do texto. Na manhã de hoje, antes de voltar a Porto Alegre, Caio teve um encontro na EMEF Padre José de Anchieta com os alunos que leram o livro.

    Caio me contou que, quando saía de Porto Alegre para Passo Fundo, na esquina aguardavam dois táxis. Um partiu antes que chegasse ao ponto. Ao outro aproximou-se, com sua mochila, meio atrasado para chegar à Rodoviária. Já próximo ao carro, o inesperado. Uma moça, surgida não sei de onde, avançou na sua frente, abriu a porta do táxi e mandou o motorista tocar. Caio ficou a ver navios. Em qualquer lugar sempre tem alguém querendo levar vantagem. E agente pensa que é só em Brasília. Escritor inventa cada história e as cenas da vida real mesmo assim o surpreendem!

Escrito por Pablo Morenno às 20h26
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Boas Notícias

Deixei o Caio Riter no hotel e cansei de olhar o jogo. Caio está na cidade porque é o escritor do mês com seu livro ‘O RAPAZ QUE NÃO ERA DE LIVERPOOL” como vocês já devem ter lido aqui no blog.  ( No detalhe seu livro pela Edições Paulinas, "O Fusquinha Cor-de-rosa". Tomamos um café no “Le Petit Café” do Borboum com uma torta de ameixas. Eu sei que dois homens tomando café com torta de ameixa pode não ser uma imagem muito viril, mas nós somos escritores, ele mais do que eu. Escritores são artistas, e artistas estão desculpados.

Às 19h30min Caio participa no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas de um bate-papo sobre o livro. Depois, vamos jantar na Galeteria Bella Veneto de meu amigo Betinho.

Caio tem uma imaginação fértil e, só este ano, sairão cinco novos livros seus. Todos excelentes histórias com um humanismo dolorido. A maioria a convite das editoras. Quem não conhece o Caio é só acessar seu site. Lá você saberá de todos os títulos e das andanças do Caio Riter: www.caioriter.com.

***

Meu livro UM MENINO ESQUISITO, apresentado pelo Caio, estará no programa MUNDO DA LEITURA. O programa é produzido aqui na UPF, tem o Paulo Becker como roteirista e é transmitido em rede nacional   no canal Futura, da rede Globo.  Não sei ainda a data.

***

Já que o assunto é Mundo  da Leitura, Paulo Becker, poeta, escritor e roteirista do programa Mundo da Leitura e também um dos coordenadores da Jornada de Literatura de Passo Fundo criará uma OFICINA DE POESIA a partir de agosto, aos sábados. A seleção será feita pela apresentação de três poemas. A Oficina será aqui nesta Capital Nacional de Literatura. Maiores informações liguem para o Mundo da Leitura, fone 54 – 3316-8148.

O Paulo me desafiou a montar uma oficina de crônicas. Talvez, sim. Talvez, não. Sou um escritor intuitivo. Preciso de mais suporte teórico para uma oficina. Mas estou pensando.

***

Segunda-feira, 26 de junho, estarei na Feira do Livro de Nova Bassano. É isso por hoje.



Escrito por Pablo Morenno às 16h18
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laranjas

 

LARANJA-SEM-SEMENTE

 

Elas estavam lá entre os cítricos. Brilhantes. Como se alguém lhes tivesse passado cera, lustrado com uma flanela e depois as ajeitado para a melhor incidência da luz.  Entre tantas frutas, como mulheres em festas, as laranjas-sem-sementes precisam de muita maquiagem para destacar-se. Entre tantos cítricos – vergamotas, tangerinas, laranjas-de-umbigo, laranjas-do-céu, pocans – é difícil tornar-se especial. Sobretudo quando o segredo está além da casca, dentro dos gomos, extremamente íntimo.

Cítricos são saudáveis. Vitamina C, fibras, sais minerais. Entre eles, prefiro vergamotas. Bem comuns. Catinguentas, como a Dani diz. Cheiro de infância, de sol de inverno no pátio de casa, para mim. Vida a dois exige certo sacrifício, renunciei a elas. Mantive as laranjas. Vergamotas só na fantasia, tornaram-se um prazer proibido.  Playboy de menino na solidão do quarto.

Laranjas. É o que me resta.  Laranjas. Como a maioria das frutas, com tantas sementes. Sementes: garantia da multiplicação. Sementes precisam ser cuidadosamente descartadas da polpa, separadas do suco. E, se os alvéolos de sumo são frágeis e doces, elas, como as cascas, são duras e amargas. Por isso inventaram espremedores com separador de sementes e cascas.

Laranjas maquiadas? Nada especial. Além das mulheres, mercadistas já descobriram a importância da aparência ao primeiro contato. Mas, brilho em tempos de brilhos, de pouco nos serve. Por isso, uma placa em carmim reforça o apelo: “Laranjas-sem-sementes”.

Escolhi as seis mais teúdas e manteúdas. Provaremos. Adeus, suco amarguento. Adeus, mordida em sementes!

Na vida, a um ou a dois, exige-se mais que abandonar vergamotas. Há outros problemas no meio das polpas: sementes amargas, duras. Um risco de mordê-las, ou morder a língua. Riscos da vida que, manualmente ou com espremedor de frutas, aprendemos a contorná-los. Coisas da vida, sementes amargas e bem escondidas entre gomos e alvéolos.

Passamos o restinho da tarde de sábado arrumando as compras. Vinhos baratos na adega, requeijão na geladeira, amaciante na área de serviço, creme dental no banheiro, carnes no freezer. Depois de tudo, cansados, antes do banho, resolvemos provar as novas laranjas. Escolhi a maior e, entre as brilhantes, a mais luminosa. Descasquei-a com cuidado, tirei a pele branca separei os gomos e olhei-os contra a fluorescente da cozinha: nenhuma semente. Escolhi o mais amarelo e pedi para Dani abrir a boca. O aviãozinho-gomo, em poucos segundos, aterrissou entre os dentes e a língua.

-         Morde sem medo, meu amor! Não há sementes.

- Argh! – O gomo, como um avião a jato, foi cuspido para a lixeira da cozinha. – Azeda, azeda, azeda!

A vida, sem nenhum problema, deve ser assim também, brilhante, sem sementes, mas muito azeda.

***

Gostar eu gosto é de vergamotas. Quantos às laranjas, prefiro as sementadas, mas doces. Brilho serve para os olhos, não ao paladar. E a vida precisa mesmo é de ter um bom sabor, mesmo com o risco de se morder alguma semente amarga. De vez em quando, é claro, por descuido.

Sementes não estão entre os alvéolos para serem mordidas. Estão lá para serem separadas e plantadas. O tempo ensina.

 

Pablo Morenno



Escrito por Pablo Morenno às 09h34
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Brasil 2 x 0

Jogo feio, ruim. Mas um pouco melhor que o outro. Se o futebol é o que o Brasil tem de melhor, dá para entender porque andamos tão mal de tudo. Mas vamos apostar.

Escrito por Pablo Morenno às 15h52
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Trocar de camisa

TROCAR DE CAMISA

 

Entre as coisas mais contraditórias deste período de Copa do Mundo está o Maradona, num comercial de refrigerante, com a camisa da Seleção Brasileira. Os argentinos estão enlouquecidos, os brasileiros surpresos. Maradona com a camisa da brasileira, nem em sonhos. Uma traição para os argentinos. Para os brasileiros um risco, sobretudo em tempos de antidoping. E gordo por gordo, já temos o nosso.

         Maradona vestiu a camisa brasileira. Eu vi. Para quem, durante tanto tempo, alimentou arrogâncias, vestir a camisa do maior rival, acende uma vela para a convivência pacífica dos povos.

Maradona possibilita diferentes leituras. Pode-se olhar o comercial de refrigerantes como uma dessas qualidades de quem, com o tempo, torna-se menos radical.Vestir a camisa do adversário, não é apenas uma atitude externa. Pode provocar grandes mudanças internas. Pode-se, além de sentir-se na camisa do outro, sentir-se na pele do outro. Esta mudança de ponto de vista, pode ajudar a gente a entender as diferenças. Pode-se até –embora Maradona nem com ajuda de certas substâncias imaginou - sentir com o coração do outro.

Se Maradona pode se imaginar cantando o hino brasileiro, podemos sonhar até com o fim do conflito entre árabes e judeus.

         Para os brasileiros, a atitude de Maradona, nem é tão inédita. Trocar de camisa no país de Pelé é coisa trivial. Lula trocou a camiseta de operário por uma camisa de linho e deu no que deu. Os deputados trocam camisas conforme as vantagens. Depois da Roberta Close, brasileiro que se preze precisa fazer alguma mudança em si mesmo, mesmo que por causas menos nobres.

 E Felipão e Zico não trocaram a camisa? Imaginem a final da Copa entre Brasil e Portugal, ou entre Japão e Brasil? Será que a camisa mudou também o coração?

Mudanças de camisa afetam o manequim, mas não é regra. Mudar, por si só, nada significa. É preciso ver se a mudança representou melhora, crescimento essencial. Tem gente que muda de igreja e continua endemoniado. Tem gente que muda de mulher e continua sem amor. Tem gente que muda de partido e continua corrupto. Tem gente que muda de casa, de carro, de profissão, de cabelo, de roupa, de dieta, de posição social, de posição intelectual, mas, no fundo, no fundo, continua sendo o mesmo idiota de sempre.

Maradona nos ajuda a pensar um Brasil vestindo outras camisas quando a Copa do Mundo acabar. Trocar de camisa, ainda que em sonhos, agrega novos valores a quem veste. No caso de Maradona, foram apenas aqueles de um cachê irrecusável. Para nós, podem ser outros mais consistentes. Uma nação unida pela vitória da honestidade sobre a corrupção, da dignidade sobre a miséria, do humano sobre o econômico, da cultura sobre a ignorância, da justiça sobre os interesses pessoais e corporativos. No creo en cambios, pero que los hay, los hay! ¡Gracias, Maradona

Pablo Morenno



Escrito por Pablo Morenno às 09h47
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Namorados

POEMA DE AMOR SIMPLES

  

 quero dizer que te amo

mas não por culpa da chuva ou das horas

quero dizer que te amo com guarda-chuva

e relógio de pulseira de plástico



Escrito por Pablo Morenno às 10h06
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Namorados I

 

quero dizer que te amo 

com moscas voando nas vidraças

com papéis de jornais

com meias nem sempre 

combinando com as calças

 

quero dizer que te amo 

com as contas debaixo da porta

com aspirina e termômetro

e o chá quente, um beijo, um pedaço de torta

 

 quero dizer que te amo

com bolinhas na lã das blusas

com o mercado e tuas listas confusas

com os sapatos que precisam de tinta

com feijão e arroz e ovo de gema furada

com orégano no queijo, canela e noz-moscada

 

quero dizer que te amo com legumes e alface 

                    com guisado e cebola, com  cenoura e tomate

Escrito por Pablo Morenno às 10h06
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namorados II

 

 quero dizer que te amo 

com leite e café e pão requentado

com meu suor na testa,

meu sorriso noturno cansado 

 

quero dizer que te amo 

com estas avencas no canto da sala

com um quadro de mar na parede

te amo com nossas escovas de dente

 

quero dizer que te amo sem lógica, 

sem esquemas mentais

te amo  até com detergente

com copos de requeijão

e vidros de café de castiçais

 

todo dia  recomeço apertando a pulseira de plástico

e olhando  se é tempo de chuva

talvez hoje usarei um  chapéu

e te beije com réstia de sol

***

O amor não precisa de muitas coisas. O amor se basta com coisas muito simples e cotidianas. Feliz dia dos namorados!

Pablo Morenno



Escrito por Pablo Morenno às 10h04
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CAIO RITER

Para alegria geral da nação e minha, um livro do CAIO RITER, meu amigo, é o livro do mês da Capital Nacional da Literatura, esta cidade de Passo Fundo. Caio apresenta meu livro infantil UM MENINO ESQUISITO e é um dos entrevistadores na minha entrevista no site da WS Editor. Eu e Caio tivemos temos outros pontos em comum: fomos ganhadores da mesma edição do Concurso Felippe D´Oliveira, ele em conto e eu em crônica, em 2001. Além disso, Elaine Maritza, esposa do Caio e atual Editora Infanto Juvenil da Editora Artes e Ofícios foi quem fez a leitura crítica de meu primeiro livro de crônicas. Bom, mas é só isso. Caio Riter é um escritor que alcançou grande reconhecimento como autor infanto-juvenil e ganhou um montão de prêmios. Aí está a notícia publicada no site da UPF-Universidade de Passo Fundo onde vocês saberão mais sobre este amigo e escritor de grande qualidade autoral. Caio, mais sucesso para você.

08/06/2006 - 09:50
“O RAPAZ QUE NÃO ERA DE LIVERPOOL” É O LIVRO DO MÊS DA CAPITAL NACIONAL DA LITERATURA
Assessoria de Imprensa UPF
 
Foto: Reprodução
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“O rapaz que não era de Liverpool” aborda temáticas como o relacionamento entre pais e filhos, adoção e aceitação

O gaúcho Caio Riter é o autor do quarto livro debatido na Capital Nacional da Literatura, Passo Fundo. Sua obra “O rapaz que não era de Liverpool” é o Livro do Mês de junho, que pode ser lido por toda a comunidade interessada e será debatido com a presença do autor no dia 22 de junho. O seminário acontece a partir das 19h30min, no Auditório do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, no Campus I.

 

Riter nasceu em Porto Alegre, é doutor em Literatura Brasileira pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, jornalista e professor de Literatura. Autor de mais de dez livros, suas obras têm conquistado leitores de várias idades. Em 2004, recebeu o Prêmio Açorianos de Literatura Infanto-Juvenil e em 2005 foi o primeiro vencedor do concurso Barco a Vapor de Literatura Infantil e Juvenil, promovido pela SM Edições.

 

“O rapaz que não era de Liverpool” aborda temáticas como o relacionamento entre pais e filhos, adoção e aceitação. O livro pode ser adquirido na Livraria Universitária, no valor de R$ 18. O Seminário é gratuito e aberto a todos os interessados.



Escrito por Pablo Morenno às 10h56
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Conceição

No Portal Marista saiu a seguinte matéria sobre minha visita ao colégio Conceição em Passo Fundo:

Notícias
quarta-feira, 7 de junho de 2006.
Visita do escritor e cronista Pablo Moreno

 

 Pablo Morenno durante a palestra para os 1° e 2° anos do E.M.

A manhã da última terça feira, 6/6, foi marcada por uma visita especial.A convite da professora Patrícia Stein Greaeff, o escritor e cronista Pablo Morenno compareceu ao anfiteatro da escola, realizando uma aula-show aos alunos dos 1° e 2° anos. 

Os alunos tiveram a oportunidade de conhecer o autor, descobrir mais sobre o processo de suas criações. Pablo abordou os princípios literários, a mímese e a poética, utilizou também o recurso da música para a contextualização de seus raciocínios.

Pablo Morenno é cronista de Passo Fundo, autor de muitos projetos, abrangendo inclusive o centro do país. Reconhecido pelo Instituto Estadual do Livro, é autor de “Por que os homens não voam?”(crônicas)  e “Menino Esquisito”(infantil).

http://www.maristas.com.br/portal/externo.asp?urlEx=/colegios/site.asp?cod=8



Escrito por Pablo Morenno às 07h21
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Entrevista

Sou o terceiro autor a ser entrevistado no site da WS Editor, minha editora.  Falo sobre a crônica e sobre literatura.

O endereço é: http://www.wseditor.com.br/index.php?do=Wm14aGRtOXlKVE5FWlc1MGNtVjJhWE4wWVNVeU5tbGtKVE5FT1RSWFYyRnpaeDc3OA==

Ou acessem www.wseditor.com.br e cliquem em ENTREVISTAS.



Escrito por Pablo Morenno às 17h45
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Colégio Conceição

Em 06.06.06, na manhã de hoje, número da besta apocalíptica, resolvi me santificar um pouco e fui conversar com os alunos do Colégio Conceição de Passo Fundo, marista. A Prof. Patrícia  que, sem eu saber, havia colocado meu livro POR QUE OS HOMENS NÃO VOAM? na listagem de material deste ano como opcional, coordena um interessante trabalho com a literatura na escola. Conversei sobre o lugar da literatura no mundo de hoje. A conversa foi com os primeiros e segundos anos.

Uma garota, que lera o livro, veio falar sobre a crônica Sobre a Culpa das Janelas de Vidro. Porque a literatura tem muito a ver com a vida, porque as metáforas que um escritor inventa falam de emoções humanas, por uma razão destas que a gente nunca sabe explicar, essa garota leu o livro quando a crônica aconteceu exatamente com ela, de um modo muito trágico. Onde não há explicações, há contemplação. No absurdo da vida meu texto iluminou um pouco. Ela e eu sabemos do que falamos.  Fiquei feliz por isso e, só isso, já valeu o papo com esses meninos e meninas. Um mundo diferente depende de meninos e meninas inteligentes e sensíveis, no bom sentido. Um abraço a todos e todas.

Só tirei essa foto meia-boca para provar que eu estive lá.

Escrito por Pablo Morenno às 19h54
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Veleiro

 

 

NA MÃO UM VELEIRO

Lembro-me a primeira vez que vi a família dos Schürmann. Apareceu no Fantástico tripulando um veleiro imerso no oceano, singrando sem medo as águas mais distantes.

         Começo esta crônica em 31/05/2006 e a última vez que soube da família Schürmann foi há pouco. Foi a última vez até hoje, e, por coincidência, exatamente hoje. Com certeza não será a última vez nos meios de comunicação. Saibam. Estou seguro. Dificilmente outra aparição dos Schürmann me impressionará mais intensamente.

       A afirmação recém lançada deve ter deixado meus amigos de queixo caído. Encaixando a mandíbula, lerão novamente o parágrafo. Para mim, de forma alguma a aparição de hoje dos Schürmann poderia sobrepor-se àquela num barco ao vento no meio do mar.

       Tenho paixão por veleiros. Sabendo de alguém em viagem, solicito um daqueles que encantam crianças em artesanatos de praia. Buscar o fio desse estranho sentimento tem sido em vão. Fui um menino do oeste; nascido, portanto, afastado da costa. Só lembro daquela música do Jessé, ressaca invadindo os ouvidos: “Se um veleiro repousasse na palma da minha mão...” Esse verso parece ser parte de cada música que toco. Até na missa preciso vigiar-me para não imiscui-lo no “Glória” ou no “Santo”.

       Ficar dizendo que a primeira vez dos Schürmann não foi a mais marcante da memória, de mim, soa inautêntico. Possibilita em meus amigos a hipótese de um texto apócrifo, ou traço de alguma demência.

       Conheci no Fantástico o barco dos Schürmann, havia visto suas velas oceânicas, nunca soubera da Kat.  Só soube da existência da Kat hoje e, infelizmente, quando Kat deixou de existir no barco dos Schürmann. Kat, 13 anos, filha adotiva do casal Vilfredo e Heloísa, foi vítima de pneumonia e morreu ontem em São Paulo. A família divulgou uma nota, publicada hoje nos jornais: “Muitos não sabem, mas Kat era soropositiva desde que nasceu. A adotamos ainda pequena, na Nova Zelândia, sabendo de sua condição. Sua mãe já havia partido, e o pai viria a nos deixar anos depois. Sabíamos que seria muito difícil. [...] Mas não poderíamos deixar de dar uma chance àquele anjinho de lutar pela vida”.

       Minha esposa e eu já pensamos em adoção. Nos consideramos de bom coração e razoável espiritualidade. Sou um homem com preocupações éticas, canto na missa. Nunca jamais imaginamos adotar uma criança aidética. Não somos os únicos. A maioria dos adotantes anseia por crianças de colo, brancas e, em qualquer caso, física e psicologicamente perfeitas.  Adotar um bebê cuja probabilidade de morte é muito alta, embora a desconcertante exceção, não soa razoável.

       Amigos, não duvidem de minha aparente contradição. Achar a notícia de hoje mais relevante que todas as passadas ou vindouras não demonstra traição com meu amor declarado a veleiros. Sempre vi ou verei os Schürmann distantes no oceano, em lugares onde nunca estive e, possivelmente, nunca estarei. Hoje, contudo, como naquela canção do Jessé, vi o veleiro dos Schürmann repousando na palma da minha mão. E apenas hoje entendi por que chegaram e ainda chegarão mais longe. Muito mais longe e sem medo.

 

Pablo Morenno



Escrito por Pablo Morenno às 20h56
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