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Belmonte
Estar na cidade onde nascemos é sempre uma alegria. Assim foi ontem, meu dia em Belmonte-SC no encerramento das atividades do primeiro semestre da Secretaria de Educação. A Prof. Néli, Secretária, coordenou uma equipe de professores que trabalharam meu livro infantil com as crianças das escolas municipais. À noite, conversei com os alunos da Escola Estadual Francisco Brasinha Dias. Nessa escola eu fui alfabetizado e, exceto a 3.a e 4a. série, até a 6a freqüentei suas salas, pátio e biblioteca. No trabalho com as crianças, todas as professoras demonstraram criatividade e entusiasmo. Parabéns para toda a equipe de professores e coordenadores. Espero que isso seja apenas um começo para uma movimentação cultural na pequena cidade do oeste catarinense. Antes da palestra da noite, tomei um café na casa de meu ex-colega de seminário, o Genésio. Genésio é professor de educação física no município e estado. Bom reencontrar amigos depois de muitos anos.
Grupo de crianças de Belmonte antes da palestra da manhã.
Meninos esquisitos criados a partir de recortes de revistas.
Alguns meninos esquisitos confeccionados pelas crianças.
Menino fantasiado de Menino Esquisito para apresentação do poema de igual nome.
Serpente Tina. Idéia muito criativa de uma professora para alfabetizar os alunos a partir do poema.
Esta menininha veio chegando, chegando, e não sossegou até não ganhar um colo. Me perguntou onde eu morava. Quando eu disse "em Passo Fundo" ela me disse "eu também moro lá". Quase roubei ela.:)
Jovens do ensino médio na palestra da noite.
Escrito por Pablo Morenno às 19h13
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Não-me-toque de novo
Esta foto foi tirada pela Helaine do jornal A Folha, de Não-Me-Toque. Eu, meu violão, as crianças da 1a. até 4a. série, e meu livro UM MENINO ESQUISITO.
Esta foto foi tirada e remetida pela professora Sílvia. Minha conversa com os alunos da 5a. até 8a. série.
*Preciso agradecer, ainda, de modo especial à professora que bolou um cartaz com a caricatura minha do livro Um Menino Esquisito. Ficou muito legal e eu trouxe para meu quarto das lembranças.
Escrito por Pablo Morenno às 18h38
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Tapera II
Foto da apresentação dos alunos da Escola Imaculada de Tapera, no encerramento da Feira do Livro. Pode-se ver, ao centro, uma menina especial participando da dança. Foi um espetáculo muito bonito.
Escrito por Pablo Morenno às 18h28
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TAPERA
Fui o escritor convidado para o encerramento da Feira do Livro de Tapera-RS. A Feira durou toda a semana que está acabando e teve a presença, também, de Charles Kiefer e Sérgio Napp.
Parabéns aos organizadores na pessoa da Solegue e do Alcides. Claro, que para um evento assim, foi preciso contar com uma grande equipe.
A Feira foi um sucesso e terminou com um Show da Escola Imaculada.
Em Tapera pude ver como a leitura dos livros pode ajudar a crianças e jovens à leitura do mundo, principalmente de sua cidade e de seu país.
Estou apressado, saio neste domingo para Belmonte, minha cidade Natal. Amanhã estarei falando para crianças e jovens que leram meus livros, no encerramento do primeiro semestre letivo do ano.
Ponho só uma foto de Tapera, terça ou quarta-feira, postarei outras. E ainda tenho fotos de Não-Me-Toque. Aguardem.
Eu e, ao fundo, as crianças da palestra da tarde, em Tapera-RS.
Escrito por Pablo Morenno às 21h16
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Invictos
INVICTOS

Após escalar pela segunda vez o monte Everest, já no retorno, morreu Vítor Negrete, 38 anos. Sua primeira escalada foi com oxigênio suplementar. Na segunda, escolheu a face norte – a mais difícil – e dispensou o auxílio, único brasileiro a realizar essa façanha.
Que pode almejar um alpinista depois de alcançar o topo do maior monte do mundo? Subir o mesmo monte, do jeito mais difícil. Se a primeira escalada teve oxigênio suplementar, agora o dispensaria. Na outra vez, fora pelo lado mais ameno, agora subiria pelo mais íngreme. 38 anos é muito pouco para dispensar novos desafios.
Aposentaram o Concorde, e já apareceu um novo modelo. Inventamos carros mais velozes, remédios mais eficazes, teorias mais completas. Ninguém há de dizer: agora basta. O homem, o homem autêntico, é superação de desafios, construção contínua, autopoiese* eterna.
Quem sabe esse desejo de superação constante seja um trauma por não sermos divinos. Ou, dirá um teólogo, um sinal de que o somos realmente. Um ateu, por sua vez, argumentará em favor da projeção inconsciente de si mesmo. Afora as explicações, sempre parciais, está a realidade: o homem autêntico quer superar constantemente seus limites, sem medo dos riscos, sem medo da morte.
Se é certo que é próprio do homem a superação dos limites, também é certo de que somos limitados. A contradição existe, faz parte da vida. Chega um momento e, zás!, o limite se impõe, atira-se à nossa frente, atravanca o caminho. Aconteceu com Negrete, aconteceu com Airton Sena naquele dia sinistro, acontece comigo e com você. Algo ou alguma coisa irrompe. Este algo, contraditoriamente, é previsível, mas não esperado. Trata-se do risco. Mas, contraditoriamente de novo, é apenas ele que torna valiosa a conquista. Um herói, infelizmente, não é feito de nenhuma outra coisa, exceto de risco.
O povo aplaude o bombeiro que enfrentou o fogo, o astronauta que voltou intacto, o tenor que cantou um trecho difícil, o atleta que dominou o corpo. Já vi, também, homenagem a um bombeiro morto em incêndio, aos astronautas que não voltaram, a um atleta lesionado, a um tenor rouco. Isto demonstra que herói não é apenas o vencedor, mas quem se dispôs à vitória.
Vítor Negrete morreu retornando. Chegou ao topo com dificuldades propostas por si mesmo. Muitos o criticaram por seu heroísmo inútil, por sua falta de causas, por sua excessiva obsessão. Como na literatura, há feitos humanos despidos de utilidade. São confeccionados de sentidos e não de explicações, postam-se na mística, não na razoabilidade. Pense nos monges tibetanos, próximos ao Everest, cujas vidas são despidas de utilidade e, aparentemente, se desperdiçam na solidão.
Certos feitos existem para desconcertar, intrigar, soltar pelas planícies os cavalos do absurdo. Sua função é símbolo, paradigma, metáfora do demasiado humano. No caso de Vítor Negrete, o desejo impetuoso de alcançar a qualquer custo o cume do sonho sonhado, inclusive, sacrificando por ele todos os outros. A morte, como limite, nos inveja e, sorrateiramente, ataca na volta. Caímos, mas, como Vitor, invictos.
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*Autopoiese – criação, construção de si mesmo. A palavra “poiese”, muitas vezes, é usada em oposição à “mímesis”, imitação. Enquanto “mímesis” representa reprodução, a “poiese” seria criação do novo.
Pablo Morenno
Escrito por Pablo Morenno às 22h59
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Não-Me-Toque I
Um poço na entrada do Colégio Sinodal Sete de Setembro. Eu e dois amiguinhos, Jean e Guilherme. Um dos muitos trabalhos expostos nos corredores do colégio. Este foi elaborado pelos alunos de 5a. a 8a. séries.
Primeira palestra da manhã com alunos de 5a. a 8a. séries.
Alunos da primeira até a quarta-série.
Aluninhos de pré-escola e jardim.
Obrigado a Prof. Marlene, diretora, por ter me convidado e a todos os professores pela dedicação e trabalho altamente qualificado desse colégio. Nos próximos dias, receberei outras fotos do colégio, e falarei mais coisas. Aguardem.
Próximo compromisso: 26/05/2006 - Feira do Livro de Tapera-RS.
Escrito por Pablo Morenno às 21h30
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NÃO-ME-TOQUE

Não-Me-Toque é uma pequena cidade, próspera, de colonização holandesa, alemã e italiana. O nome, segundo me contaram, tem duas explicações. Uma é de certa árvore com muitos espinhos, que não podia ser tocada. Outra, a de um fazendeiro que não queria vender suas terras.
Hoje estive lá, no Colégio Sinodal Sete de Setembro, manhã e tarde. Um Colégio cheio de encantos, sonhos, e um trabalho bonito sobre meus livros. Já na chegada, fui recebido com um Parabéns a Você das turmas de 5a. a 8a. Batemos um papo legal e descontraído, cantamos. Meninos e meninas criativos e imaginativos.
O segundo momento da manhã foi com as turmas de primeira até quarta séries. Leram e criaram sobre UM MENINO ESQUISITO.
À tarde foi com pré-escola e jardim.
Abaixo as fotos e desculpem o resumo. Com todas as turmas o trabalho foi excelente e vocês poderão conferir nas fotos acima. Amanhã escrevo mais, ta? Um abraço para todos os meninos e meninas nãometoquenses. Vocês me deixaram tocado.
Escrito por Pablo Morenno às 21h12
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Hoje
Tem dias em que um bem-te-vi canta num abacateiro ao lado de meu escritório. Sobram poucas árvores na cidade para um bem-te-vi. O bem-te-vi fica me olhando e eu não escrevo nada novo há tempos, e ele me acusa.
Apareceu-me uma crise de labirintite. Andei mais tonto que costumeiramente, alguns dias. Hoje me sinto um pouco melhor.
A violência em São Paulo mostra que a sociedade está perdendo o controle entre a razoabilidade a barbárie. Concordo no aspecto com o governador em exercício. Quem sustenta o tráfico são os mesmos que temem o poder dos traficantes. Mas alimentam esse poder com seu vício. Contradições do mundo moderno.
Domingo estarei de aniversário. 37 anos e pouca coisa feita na vida.
Segunda-feira, 22/05, estarei conversando com os alunos da Escola Sinodal Sete de Setembro, de Não-me-toque-RS, isto se os agricultores encerrarem os protestos e não bloquearem as estradas.
O bem-te-vi que canta no abacateiro vê tudo, e apenas canta. Parece a gente.
Escrito por Pablo Morenno às 20h14
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CRÔNICA ONDE SE EXPLICA QUE OS ESCRITORES INVENTAM HISTÓRIAS SEM PÉ NEM CABEÇA. PROBIDO A QUEM TEM FÉ.
“- Oh, vovó, que mãos enormes a senhora tem! - São para te abraçar melhor. - Oh, vovó, que boca grande e horrível a senhora tem! - É para te comer melhor - e dizendo isto o Lobo saltou sobre a indefesa menina, e a engoliu de um só bote.” Depois, apareceu um lenhador, abriu a barriga do lobo e tirou vivas vovó e menina. Todo mundo sabe, até as crianças, que lobos não falam, que lobos trituram com os dentes e que ninguém sobreviveria no suco gástrico.
Outra história. Adão e Eva, criados por Deus, seguiram o conselho de crescer e multiplicar-se. Ora, para crescer e multiplicar-se é preciso fazer sexo. Bem, se Adão e Eva foram os únicos, para que a humanidade pudesse seguir crescendo e multiplicando-se, os filhos e filhas de Adão devem ter copulado entre si. Incesto básico, meu caro.
Não consigo entender toda essa balbúrdia a respeito do livro/filme O Código da Vinci. Desde o folclórico Pe. Quevedo, um teólogo com um artigo na ZH do último domingo, manifestações da cúpula da Igreja Católica e de outras denominações cristãs, até a uma recompensa de cristãos indianos por Dan Brown, vivo ou morto.
O artigo do teólogo na ZH começa dizendo saber que O Código da Vinci é uma ficção para, algumas linhas à frente, atacar os supostos erros históricos do relato e as suas múltiplas inverdades. E assim são todas as manifestações. “Não obstante ser ficção, há inverdades... etc. etc...” E segue o discurso.
Como uma humanidade pretensamente evoluída, científica e racional, não consegue distinguir história da ficção, literalidade da literatura, fé da ciência! Não só isso. A religião, que sempre preferiu a conotação à denotação, o sentido ao conteúdo, o maravilhoso ao real, a metáfora ao óbvio, não formou homens mais tolerantes com a diferença, pacientes com o outro, respeitosos com a diversidade. Muitos historiadores cristãos já escreveram que a Bíblia não é um livro de história, que o Mar Vermelho pode ter sido aberto por um fenômeno natural, que a história de Jonas é uma grande figura, que as tábuas da lei podem ter sido escritas por Moisés e que o mito de Adão e Eva já existia em outras culturas pré-bíblicas. Nem por isso perderam a fé.
O Código da Vinci é um livro de ficção e isto diz tudo. Ninguém precisa me explicar que Dom Quixote não era real, que Iracema era idealizada, que os mortos de Incidente de Antares não ressuscitaram, que um anjo fazendo “Pirulin lulin lulin...” durante uma garoa foi só imaginação de Quintana.
Os preocupados com as “inverdades históricas” de O Código da Vinci estão tomando providências tarde demais. Quem mandou nos contarem mentiras quando pequenos: um lobo que fala, o incesto dos filhos de Adão e Eva... Já que a fé move montanhas, peço encarecidamente seja a minha bastante forte para suportar as religiões, em nome de Deus, preocupando-se com idiotices, enquanto matam infiéis, queimam hereges, e oferecem dinheiro pela cabeça de um homem numa bandeja. Jesus, pelo que eu o conheço, deve estar mais chateado com isso que com a história do casamento com Maria Madalena.
Creio Senhor, mas aumentai minha fé.
Pablo Morenno
Escrito por Pablo Morenno às 21h01
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ZERO HORA
A crônica que os leitores deste blog puderam ler dia 08/05/06, "por Favor, um útero," foi publicada no jornal Zero Hora deste domingo. Meus amigos daqui tiveram o privilégio do ineditismo. :)
Escrito por Pablo Morenno às 15h59
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MÃES SÃO MANHÃS 
Mães são manhãs
e risos de pássaros.
Mães são clarear
e revoadas.
Mães são asas de auroras.
Mães são riachos
e estradas.
Mães são caudais
e romarias.
Mães são veredas nas águas.
Mães são frutos,
são flores.
Mães são alimentos
e pétalas.
Mães são polpas de perfumes.
Mães são barcos
e pontes.
Mães são lemes e velas,
o beijo das margens.
Mães são pilares de bússolas.
Mães são manhãs de aroma
e tardes de heras.
Mães são sereno secando
e sereno nascendo.
Por isso,
mães nos trazem
para a vida de terra
e mães nos buscam para a vida eterna.
Mães são brotos de rumos
conversando de amor e ternura,
sorrisos.
Mães são manhãs do Gênesis,
luzes começando o paraíso.
Pablo Morenno
Escrito por Pablo Morenno às 15h49
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Útero
POR FAVOR, UM ÚTERO
Ainda que a maioria dos super-heróis seja masculina, as supermamães existem. Talvez não sejam aladas, a não ser de ternura. Talvez não corram à velocidade da luz, mas disparam em máxima velocidade humana ante um choro de filho. Talvez não consigam salvar-nos dos alienígenas, mas podem gerar novos seres comprometidos com outro mundo.
Só as mães têm o maior de todos os superpoderes: conseguir em segundos que desapareçam terríveis e enormes problemas de um filho. E sem magia. Simples resultado da imaginação, do tal de instinto materno, de não-sei-o-quê. Tudo do modo mais simples. E usam materiais à mão de qualquer um: palavras, um colo, um olhar, uma comidinha especial, um beijo, um sorriso, um afago, um cafuné, um não-foi-nada-meu-filho.
Estudiosos das emoções já descobriram que a incapacidade de amar dos psicopatas deve-se à falta de vínculos de afeto com suas mães. Mães frias, violentas, imaturas afetivamente, enviam para o mundo filhos com graves problemas emocionais. Porém, mães de mimos exagerados, sabe-se também, formam tiranos, egocêntricos e insensíveis.
Mães são importantes não apenas pela geração. Gerar, por si só, não é relevante. Há quem gera e mata, quem gera e maltrata, quem gera e abandona. Mães são importantes porque todo o amor do mundo, em suas múltiplas expressões, depende da têmpera e do tempero do amor materno.
Por ser esse amor tão importante para o mundo, mais que melosas homenagens, o dia das mães deve ser para a sociedade um momento de reflexão sobre o papel da maternidade na formação dos seres humanos. A maternidade pede um lugar central nas políticas públicas de combate à miséria, de educação, de saúde, de diminuição da violência e da criminalidade. O abandono de recém-nascidos por mães pobres, que tem chocado a opinião pública, deve ser interpretado como sinal de graves problemas sociais. A morte pelo filho de uma mãe da classe média em São Paulo também traz à luz fragilidades.
Mães são heroínas poderosas. Seus beijos e carinhos podem fazer milagres e curar grandes feridas. Mães são rosas, rainhas, merecem jóias, presentes, telefonemas, e até panelas e liquidificadores. Mas, sobretudo, as mães precisam da atenção da sociedade para que os filhos do futuro possam continuar sendo salvos por seus superpoderes. As mães, que protegem os filhos em seu ventre e no mundo, pedem encarecidamente um útero para si mesmas.
Pablo Morenno
Escrito por Pablo Morenno às 22h43
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Mães
SEJAM MÃES
A salvação foi anunciada e se implantou. O feminino estourou as tramelas das portas, tirou as grades das janelas, armou sua tenda nas praças. Seja bem-vindo. O mundo masculino, hierarquizado, racionalista, patriarcal, criado por um Deus Pai aguardava a necessária vinda do feminino. Os varões já tivemos nosso tempo cartesiano de “mestres e possuidores” de todas as coisas. Como bem analisam Leonardo Boff e Rose Marie Muraro no livro Feminino e Masculino, o homem devastou a terra, explorou à exaustão os recursos dos ecossistemas, ameaçou de extinção as espécies, degradou a qualidade de vida, mercantilizou as relações sociais. O feminino vem armar sua tenda nas praças em tempo certo.
O feminino veio. Como água, foi vivificando a aridez. Como oxigênio, foi animando os corpos. Como as manhãs, foi clareando os dias. As mulheres dirigem muito bem, puseram a toga nos tribunais, vestiram-se do voto e ocuparam os parlamentos, puseram macacão e entraram nas fábricas, doutoraram-se nas universidades, abriram contas nos bancos, sustentam o lar. Não há instâncias de decisão, de ciência, de mando, de produção, de organização, de consultoria, de comunicação, não obstante as sazonais resistências, onde não haja um jeito feminino no fazer-se das coisas.
Contudo, parece que as mulheres têm medo de algo. No tempo em que nós homens mandávamos sozinhos no mundo, as confinamos ao lar. Eram as rainhas, mães exemplares, colaboradoras de Deus. Quando elas vieram para salvar o mundo com o feminino, trouxeram consigo um trauma equivocado. Nós, homens-varões, fizemos da maternidade algemas de confinação. “Fiquem em casa”, dissemos, “para parir meninos”. Somos culpados.
Sabemos e proclamamos à dimensão feminina do ser humano: “Sim, maternidade não é pressuposto e nem requisito”. Mas, nós, homens-varões, ainda não conseguimos dar à luz. Todas as descobertas genéticas não prescindiram o útero. Pior, ainda não aprendemos o amor à moda materna. Por isso, imploramos, sejam mães. Nós aprenderemos a técnica da ternura com os filhos e vocês seguirão redimindo o mundo. Sejam mães sem medo. Principalmente agora que o mundo ficou bem melhor para a vida. Sintam-se mães sem nenhum complexo de submissão ou inferioridade. Sejam mães para que o masculino seja um pouco mais humano. Entrem no mundo como mulheres e mães. Prometemos ser mais homens e pais. Feliz dia das mães!
Pablo Morenno
Escrito por Pablo Morenno às 22h39
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Passo Fundo
Passo Fundo foi notícia na imprensa nacional. Hoje choveu granizo, apareceu no Fantástico. Sexta-feira prenderam aqui integrantes de uma quadrilha do tráfico.
Eu e Dani permanecemos em casa no domingo. Fiquei estudando Direito Ambiental. Tenho prova quarta-feira. Tô sabendo quase tudo sobre direitos difusos, coletivos, individuais homogêneos, unidades de conservação, princípio do poluidor-pagador, licenças ambientais, multas, etc.
A semana toda, viram, não compareci. Estive estudando para a prova de Direito Tributário, foi na quinta-feira, tirei 90. Me ocupei, também, na elaboração de meu projeto de monografia que precisava entregar ontem. O tema é "A discricionariedade do magistrado nos casos difíceis no estado democrático constitucional de direito." Bom, isso é para que vejam que não posso ter inspirações literárias nestes momentos.
Como estou nessa aridez, vou postar algum texto sobre as mães de outros carnavais. Melhor, de outros maios.
Escrito por Pablo Morenno às 22h35
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