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Agenda
Dia 12.03.06, estarei em Passos de Maia -SC, próximo a Xaxim-SC, falando para mulheres agricultoras. O tema será O PAPEL DO FEMININO NO MUNDO CONTEMPORÂNEO. O convite é da FETAESC - Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Santa Catarina. É o começo de uma parceria. Vou participar de uma série de eventos ligados à agricultura no estado de Santa Catarina. É um convênio entre a FETAESC e o Ministério da Agricultura. Vou ter oportunidade de conversar com agricultores de todas as idades, especialmente os jovens. Como tive pais agricultores e também nasci na roça, tenho orgulho de ser convidado para participar deste projeto.
Dia 22.03.2006, estarei em Nova Bassano-RS. A cidade participa do projeto COMUNIDADES LEITORAS. Estarei abrindo as atividades do ano com outros escritores. Desta vez a conversa será com os professores que trabalharão meus livros. Voltarei dia 30.06.06 no encerramento do projeto e para falar com os alunos que leram e discutiram meus livros. Falando em livros, vou aproveitar o carnaval para começar a escrever meu próximo. Será composto de pequenos textos inspirados em notícias de jornal envolvendo pré-adolescentes, adolescentes e jovens. O livro será destinado para eles e será um paradidádico com público alvo de 5a. a 8a. série. Torçam para que eu tenha boa inspiração.
Bom carnaval para todos. Com responsabilidade.
Escrito por Pablo Morenno às 11h44
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Banquete
BANQUETE NO LIXO
Desde aquele dia estou numa situação muito delicada. Vi um banquete servido sobre uma lixeira de rua, frente a um edifício verde-escuro desta cidade. Situação delicada ou desconcertante, ainda não sei. Só estou certo quanto à inquietude, dessas que tem satisfação em ficar remoendo os cronistas até serem reconstituídas em palavras.
Recebo e-mails perguntando se as situações que relato nas crônicas são reais. São. Apenas as reinvento como um pintor que retrata um semblante. Muitas pessoas andam pelas ruas e nada percebem. O cronista tem olho aguçado e, ademais, como se fosse um pára-raio pesca insignificâncias. Raios caem sobre sua cabeça. Os miolos ficam intactos, mas nasce uma crônica. Foi assim com esse banquete na lixeira de um prédio.
Seria para minha fome aquele pedaço de bolo sobre a bandeja de papel. Seria para minha sede a metade do litro de coca-cola ainda com suor das bebidas geladas. Era uma mesa posta. Coisas tão bem distribuídas sobre a tampa da lixeira como ceia de mãe para filho. Nada de restos jogados. Se não houvesse outras comidas tão podres, se não fosse em uma lixeira, tudo ficaria super bem na sala de jantar lá de casa. Se precisasse, não sentiria nenhum constrangimento em me acomodar na calçada, ou postar-me de pé, para saborear tanta delicadeza servida na rua.
Procurei na bandeja e na garrafa algum endereçamento. Não encontrei o meu nome, nem o civil nem o literário. Não, não era eu o convidado. Tampouco havia qualquer outro nome. Era um banquete servido ao primeiro faminto. Um banquete sem comensal específico e, portanto, destinado a qualquer estômago vazio, a qualquer boca seca. Ora, banquetes se servem na casa de alguém, se posto na rua, seria a alguém que na rua morasse. Como não moro na rua, jamais poderia fartar-me daquilo. Resolvi manter intangível a mesa no lixo. Não era justo esbaldar-me em gula quando alguém poderia melhor merecê-la. Tenho restrições a tortas doces e preferia salgadinhos assados. Sou enjoado nas festas, pra ser sincero. E estava mesmo sem apetite.
Quem preparou o banquete? Quem seria tão sensível para servir uma ceia na lixeira ao invés de apenas recolher os restos de sua festa em sacos como faz todo mundo? Quem será esse raro exemplar de filho de Adão? Com a mesa assim posta e disposta, quem da rua chegasse enfraquecido não precisaria abrir todos os sacos. Imaginei o misterioso anfitrião na sacada de um apartamento aguardando a colheita de um sorriso num rosto triste. Qualquer um que chegasse à lixeira encontraria a mesa montada para si mesmo, poderia sentar-se, servir-se, limpar-se com guardanapo. Ao lado do bolo um garfo plástico e ao lado do refrigerante um copo descartável. Sobre a tampa da lixeira uma toalha imitando o linho. Tudo pensado em esmero.
A cidade desumaniza, afasta, isola. A cidade criou os apartamentos, os desconhecidos, os meninos de rua, os idosos de rua, os esgotos, a violência, o desemprego, a marginalidade. Mas enquanto alguém se preocupar em servir um banquete no lixo a ternura manterá a seiva em suas raízes. Uma mesa posta para repartir o pão se impõe como um radiante sinal do Reino dos Céus, como arco-íris na noite.
Minha situação é delicada porque me sinto um privilegiado habitante da metrópole. Embora o banquete no lixo não tivesse destinatário, tenho certeza absoluta, não foi para mim. Pior, nunca me lembro de o ter preparado.
Pablo Morenno
Escrito por Pablo Morenno às 20h28
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Serafina Correa
Crianças do Colégio Rainha da Paz de Serafina Correa.
Eu com as crianças de 1a. a 4a. Série do Colégio Rainha da Paz de Serafina Correa.
Como podem ver pelas fotos, ontem estive em Serafina Correa, no colégio Rainha da Paz. As professoras Roseane, diretora e Eleni, vice-diretora, há quatro anos levam adiante o sonho de uma escola diferenciada em Serafina. A escola é pequena, os alunos não são muitos, mas só de entrar no prédio se pode ver que, embora antigo, há muitas idéias novas e criativas lá.
Ontem abri o ano letivo falando pela manhã com as crianças da 5a. a 8a. série e pela tarde com as de 1a. a 4a. Como eu sou meio idiota, esqueci de tirar fotos pela manhã, e já peço desculpas.
Tanto uma turma quanto outra mostrou ser de gente legal pra caramba. Espero que consigamos fazer um excelente trabalho de leitura e que consigamos envolver a comunidade. O começo já foi muito bom. Agradeço a Roseane e Eleni por terem me convidado e estou dando todo meu apoio ao sonho delas.
Escrito por Pablo Morenno às 20h56
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Vale dos Vinhedos
No domingo passado, levei Dinara, minha sobrinha, para conhecer o parte da Serra Gaúcha. Entre as coisas novas que recomendo visitas está o Mirante da Serra em Veranópolis. Uma torre de 80 metros de altura de onde podem ser observadas algumas cidades da região. Parece pouco alta, mas muito para alguém com pavor de altura como eu. Subi só para acompanhar Dinara. Em Veranópolis há dois outros locais bonitos e que vale a pena conhecer: a Cascata Três Monges, foto abaixo, e a Gruta dos Índios. À tarde visitamos a Vinícola Miolo e passeamos no Vale dos Vinhedos.
Cascata Três Monges - Veranópolis RS
Vista do alto do MIRANTE DA SERRA.
Dinara, Dani e eu na Cave da Vinícola Miolo-Vale dos Vinenhedos. Na cave é onde acontece o envelhecimento de alguns vinhos em barricas de carvalho. As barricas estão ao fundo.
PALESTRA
Segunda-feira, 20 de fevereiro, estarei na ESCOLA RAINHA DA PAZ de SERAFINA CORRÊA-RS. Pela manhã a conversa será com os alunos de 5.a a 8a. séries e à tarde para os de pré-escola até 4a. série.
Escrito por Pablo Morenno às 14h32
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Palavras
PALAVRAS 
Certas palavras remetem a sentidos temerosos, razão pela qual devem ser usadas com cuidado cirúrgico. É o caso de velho, veado e gordo. Podemos usar sem temor para bichos ou coisas. Uma calça velha, por exemplo, pode-se falar sem violação a nenhum estatuto. Uma gazela do Discovery pode ser chamada de veado, sem arriscar-se a não mais que uma torcida de nariz dos biólogos. Tampouco nenhum salário se incomoda em ser tachado de gordo. Simplificando, falar adequadamente tornou-se atividade de risco. Conforme as circunstâncias, se estiver na dúvida, finja-se de mudo, ou opte por um assassinato.
Tenho cuidado extremo com o que sai de minha boca, salvo quando o próprio interessado deixa a palavra livremente desprender-se da sua. Depois de perceber que não é uma armadilha, vou usando os vários sinônimos até esgotá-los numa sutil aproximação. Embora, como dizem os lingüistas, não haja sinônimos, mas apenas parônimos - uma vez que cada palavra possui nuances específicos podendo ser substituída apenas em parte – a sinonímica é um coringa na manga. Como nem todo mundo se atém a detalhismos de palavras cruzadas, abrir os bolsos, ou as mangas, para escapar da cadeia vale mais que elucubrações semânticas. Velho, ancião, experiente, secular, idoso, entrado em anos... Homoafetivo, gay, homossexual, alegre... Fofinho, obeso, ursinho, horizontalmente avantajado...
Se você estiver de saída, é bom informar-se sobre quem encontrará. Se houver alguma espécie de minoria ou maioria – com a longevidade, a liberação dos costumes e alimentação atual a pirâmide se inverte – antes consulte um dicionário e leve um pronto-socorro lingüístico no bolso ou na bolsa. Também calcule para mais o tempo de permanência no local. Numa palestra, quando me dei conta que havia uma boa quantidade de gordinhos, precisei ir ao banheiro para me lembrar de todos os parônimos simpáticos. Foram-se cinco minutos. Parei de observar a platéia para não alongar demais a fala. Vá que descobrisse outras minorias, ia-se uma hora a mais de conversa. Isso sem incluir o tempo a mais para dizer a palavra substituída, cuja expressão politicamente correta demora o triplo para ser articulada. Veja quantos fonemas a mais teremos que utilizar para substituir a palavra p.: profissional com o objetivo de dar prazer a outrem utilizando como instrumento de trabalho o próprio corpo e seus múltiplos usos.
Eu lhe pouparia dos três parágrafos anteriores se não fosse por ter visto e ouvido um garoto chamar a um senhor idoso de “velho decrépito”. O Chevette do senhor atrapalhava o transito, certo. Realmente, não ele, mas o carro era mesmo muito velho. Mas o insulto forte àquele senhor de voz tão fraca soou-me mórbida covardia.
O politicamente correto às vezes é excremento. Mas, no caso dos anciões, palavras menos ofensivas argumentam-se com razão inquestionável que outras minorias não têm: são antecipação de tolerância literal com nós mesmos, uma poupança de respeito para o futuro. Não pelo politicamente correto, quase sempre idiota e hipócrita. Respeito ao diverso é sempre mostra de civilidade. Se bem possamos ser ou não ser gays e obesos, quanto a ser velho, não temos escapatória. A decrepitude, por outro lado, - diferentemente da homossexualidade e da obesidade - é um fado inerente a todo ser humano. Inclusive a você, garoto apressadinho. A não ser que na próxima esquina um poste, ou uma árvore, cruze a frente de seu Audi A3.
Pablo Morenno
Escrito por Pablo Morenno às 20h03
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Castelo de Areia -Continuação
CASTELO DE AREIA(continuação)

Quem sou eu que me entedio? Quem sou eu que abandonei a paciência? Quem sou eu que extraviei a esperança? Quem sou eu que não tem a persistência e que não encontra alegria num castelo-de-areia refeito mil vezes à beira do mar? Onde foi que eu perdi o menino que eu tinha?
Quando perguntei ao menino por que não fazia castelos num ponto mais alto da areia, respondeu-me convicto:
- Não tem graça nenhuma um castelo-de-areia tão longe do mar.
O menino, um castelo-de-areia, uma onda. O menino, um castelo-de-areia, uma onda, uma onda. O menino, um castelo-de-areia, uma onda, uma onda, uma onda. O menino, um castelo-de-areia, uma onda, uma onda, uma onda, um castelo, uma onda, uma onda, uma onda, um castelo, uma onda, um castelo, uma onda, uma onda, uma onda, um castelo, uma onda, uma onda,
Um velhinho fazendo castelo de ar))))))))))
Escrito por Pablo Morenno às 22h52
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Castelo
Castelo de Areia I

O menino, um castelo-de-areia, uma onda. O menino, um castelo-de-areia, uma onda, uma onda. O menino, um castelo-de-areia, uma onda, uma onda, uma onda.
Uma multidão pulula na praia e o menino é invisível. Um senhor lê as notícias. Um surfista procura uma onda perfeita. Uma família de argentinos caminha. O vendedor de cangas sentou-se na areia para descansar. A menina do quiosque entrega uma casquinha de siri. O salva-vidas observa o horizonte. Mas o menino só enxerga o castelo, as ondas, e o mar.
O menino, um castelo de areia, uma onda. O menino, um castelo-de-areia, uma onda, uma onda. O menino, um castelo de areia, uma onda, uma onda, uma onda.
Quem lhe ensinou a persistência? Quem lhe contou o mito de Sísifo? Que estranha esperança alenta o menino a construir, reconstruir, criar, recriar, montar dezenas de castelos na areia e impassível aguardar seu desmoronamento?
O menino me desconserta. Um castelo, dez castelos, cem castelos. No final do veraneio o menino à beira-mar terá feito e perdido um milhão de castelos. Todos as manhãs o menino senta-se na praia a fazer seus castelos e vê-los ruir sob as ondas.
O menino me desconserta por sua persistência, por sua paciência, mas, sobretudo por sua resignação. O menino não se zanga. O menino não xinga o mar, o menino não esbraveja, o menino não se revolta. O menino é de uma violenta suavidade.
Me sento a observá-lo e me canso; o menino não. Com cinco castelos desfeitos me entedio; o menino não. Contra o mar esbravejo; o menino não. Uma vez eu pensei criar peixes no apartamento, morreu um, morreram dois, desisti. Uma vez eu sonhei um sonho que foi frustrado, deixei de sonhar. Uma vez eu tive uma esperança verde que amarelou, passei a ter apenas sépias esperanças.
O menino fazendo castelos-de-areia me inquieta. Que graça encontra em enfadonha empreitada? Não aprende que àquela altura da praia todo castelo-de-areia é mais efêmero que outros castelos-de-areia? Por que não constrói um pouco mais longe do mar? Por que, ao invés de areia, não pensa na agrupação de rochas? Por que não constrói um dique? Por que não brincar com pandorgas como as outras crianças?
(segue)
Pablo Morenno
Escrito por Pablo Morenno às 22h51
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Belmonte
Como tinha anunciado aqui antecipadamente, estive em Belmonte-SC, minha cidade Natal para trabalhar com os professores durante o dia 06.02.05. Dizem que um profeta não é bem recebido em sua terra, mas eu fui. Prova de que, embora tenha demorado, o ditado pode não ter razão.
Aliás, outra coisa que não tem razão é a propaganda do SEDEX. Enviei o material dia 31 de janeiro e só chegou às 11 h da segunda-feira, dia do trabalho.
As professorinhas, muito simpáticas, me ouviram e interagiram. O tema que escohi foi o texto literário e outros textos, leitura e uso em sala de aula. Na parte da tarde o trabalho se concentrou mais em meu livro infantil UM MENINO ESQUISITO, suas possibilidades de trabalho. O livro será usado nas escolas municipais e eu volto no dia 29 de maio para falar com as crianças.
Na pessoa da Secretária de Educação Neli Püton agradeço a todos os professores e o pessoal da Secretaria. Também às meninas que prepararam o almoço. Hummm.... filé de carpa e de lanche da tarde meu doce preferido Chico Balanceado.
O sonho de um concurso literário sobre histórias do município haverá de se concretizar. E o sonho de uma Feira do Livro e/ou de uma semana da cultura e da literatura também haverá de se realizar... A insistência nos sonhos faz com que se tornem realidade.
Abaixo, fotos das meninas no trabalho em grupo. Peço desculpas para quem não saiu na foto, pois algumas imagens ficaram borradas.



Escrito por Pablo Morenno às 23h08
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Retorno
Retorno das férias, mesa cheia. Adaptação. A gente chega cheio de energia e vai definhando. Meu trabalho no TRT é burocrático. Poderia ser escrito com dois RR e não estaria errado.
Mas esta semana aconteceram duas coisas boas:
1. Meu livro POR QUE OS HOMENS NÃO VOAM? foi aprovado pelo Instituto Estadual do Livro para o projeto AUTOR PRESENTE das escolas estaduais. O grupo de avaliadores das obras é super exigente, só pessoas de alto gabarito coordenadas pela Regina Zilbermann uma das grandes autoras de teoria literária do Brasil, professora da PUC.
2. Participei ontem do encerramento da Colônia de Férias Travessura. Uma ótima idéia da minha amiga Rozélia para ocupar as crianças durante as férias e ao mesmo tempo proporcionar diversão e convivência em grupo.
Amanhã viajo à minha cidade natal, Belmonte SC, para trabalhar dia 06/02, segunda, com os professores municipais sobre o uso do texto em sala de aula e prepará-los para o trabalho com meus livros durante o ano.
Tenho sorte de, além de ser um burocrata, ter essas outras atividades mais humanizantes.
Como podem ver, meu ano está formando sua correnteza.
Escrito por Pablo Morenno às 18h14
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